Mãe Askani, personagem que aparece na 2ª temporada de X-Men ’97 dublada por Gates McFadden, é oficialmente Rachel Summers, filha de Ciclope e Jean Grey de uma realidade alternativa. A série não desvenda isso explicitamente no episódio, deixando a revelação implícita para fãs que conhecem os quadrinhos — mas isso é apenas a ponta de uma teia narrativa absurdamente complicada.
Resumo rápido
- Mãe Askani é Rachel Summers, filha de Ciclope e Jean Grey em uma realidade alternativa
- A personagem aparece em 3960 AD guidando Nathan Summers (jovem versão de Cable)
- Rachel é telepata, empata e telecinética, capaz de manipular eventos para derrotar Apocalipse
- Brad Winderbaum (chefe de Marvel Animation) foi atraído a McFadden após vê-la em Star Trek: Picard e disse que ela “sempre lembrou Jean”, por isso a escolha de voicear Mãe Askani se sentiu “poética”
- A 2ª temporada tem 9 episódios, com lançamento de novos capítulos toda quarta-feira no Disney+

A camada de complexidade que X-Men ’97 não revela (e os quadrinhos exploram)
Para entender por que Mãe Askani é tão crucial na 2ª temporada, é preciso descascar a lógica comicográfica que a série apenas sussurra. Mãe Askani é uma versão mais velha de Rachel Summers, filha de Jean e Scott de uma realidade alternativa e distópica do clássico “Dias de um Futuro Esquecido”. Mas aqui está onde tudo fica selvagem: ela é, tecnicamente, irmã de Nathan (Cable) de outra timeline, e levanta-o — junto com seus pais em corpos diferentes e sem saber que são seus pais.
A série escolhe não resolver isso ainda. Os primeiros episódios liberados mostram mais sobre Mãe Askani, mas X-Men ’97 não revela quem ela é na sua volta. É uma aposta inteligente: deixar o espectador casual perceber que é uma mulher misteriosa e poderosa, enquanto os fãs dos quadrinhos sentem o tremor de uma revelação vindo. O feed original tratou isso como simples informação; a série trata como gancho narrativo dormindo debaixo de uma capa.
Por que Rachel Summers é tão poderosa que nem mesmo ela basta contra Apocalipse
Rachel herda as habilidades telepática e telecinética de sua mãe e, como Jean, hospedou a Força Fênix por um tempo, usando nomes em código como Phoenix e Marvel Girl. Mas a série da Marvel não se aprofunda nisso — o feed original simplificou a coisa toda para “ela viaja no tempo e ajuda”. O que faz Rachel especial é a escala.
Rachel é telépata, empata e telecinética capaz de manipular eventos através do tempo e realidades diferentes, com habilidades psíquicas que alcançam tempos remotos e se manifestam de formas ofensivas e defensivas. Ela também hospeda a Força Fênix (visto no breve aparecimento de chamas em seus olhos), e sua meditação em chamas é um callback a Jean, que fazia algo similar nos quadrinhos dos anos 90.
E ainda assim — e isto é crucial para entender por que ela precisa dos X-Men neste episódio — o fato de ela ainda precisar de ajuda contra Apocalipse é um lembrete de quão poderoso o vilão é. Não é um detalhe menor. É a razão pela qual ela salvou os X-Men da morte certa no Asteroide M na 1ª temporada e os espalhou pelo tempo: para parar En Sabar Nuh de virar Apocalipse no passado e treinar Nathan para derrotá-lo no futuro.

Rachel Summers já apareceu em X-Men ’97 — e você provavelmente não percebeu
Isto toca num ponto que muda a forma de assistir a série: Rachel Summers apareceu na visão do futuro de Bastion no episódio 9 da 1ª temporada, “Tolerância é Extinção – Parte 2”, funcionando como uma “Sabuia” — mutantes transformados em cães de rastreamento — e as marcas no rosto de Mãe Askani vêm daí. Como os X-Men pararam Bastion, aquele futuro não aconteceu, mas Rachel permanece.
Isto abre uma pergunta editorial que vai além do óbvio: se Mãe Askani salvou os X-Men em 3960 AD, qual versão de Rachel é essa? Depois dos primeiros três episódios, foco em X-Force e X-Men no passado, não vemos Rachel de novo — mas a série deixa em aberto se ela volta e como ela chegou de um futuro pós-apocalíptico para outro. Não é resposta; é mistério planejado.
Gates McFadden e a descoberta que fez sentido apenas relendo os comics
Brad Winderbaum (criador da série ao lado de Beau DeMayo) foi atraído a McFadel após vê-la em Star Trek: Picard, dizendo que “provavelmente estava assistindo Star Trek: A Nova Geração enquanto lia X-Men, e ela sempre me lembrou Jean” e que voicear Mãe Askani “sente-se poético”.
Eu provavelmente assistia a Star Trek: A Nova Geração enquanto lia os quadrinhos de X-Men, e ela sempre me lembrava Jean Grey. As duas eram muito parecidas. Então vê-la interpretar Mãe Askani parecia algo muito poético.
Brad Winderbaum, chefe de Marvel Animation, em entrevista à Entertainment Weekly
A decisão faz duplo sentido narrativo: McFadden traz autoridade e sabedoria à voz — qualidades que definem um Mãe Askani cansada de tempos apocalípticos — mas também traz uma estranha simetria. Jean é o coração, McFadden é a eco daquele coração envelhecido e exilado no tempo. É casting que funcionaria pior com outra atriz.
O que fica em aberto
A 2ª temporada de X-Men ’97 construiu Mãe Askani como uma figura de autoridade inquestionável, mas a série conhece o valor de deixar personagens em sombra. Mãe Askani, revelada como a versão mais velha de Rachel Summers, é uma mutante poderosa com laços à Força Fênix, mas o que ela não faz é reivindicar sua identidade para os pais que a enviaram ao futuro. Os fãs sabem quem ela é, mas os personagens na série ainda não foram informados disso.
Isto deixa uma tensão aberta: Ciclope questiona Mãe Askani, Jean observa à distância, e Nathan — a chave de tudo — está preso no meio de uma profecia que pode ser mentira ou salvação. Quando (e se) Mãe Askani revelar seu nome, não será apenas um plot twist. Será o momento em que a família Summers descobre que Nathan tem uma irmã de um futuro impossível que sacrificou décadas para prepará-lo para uma batalha que ainda não começou.
Fonte principal: observatoriodocinema.com.br. Informações complementares: ComicBookClubLive, TVLine, ScreenRant, Yahoo Entertainment, CinemaBlend, Looper, Den of Geek, Entertainment Weekly.

