
Monarch: Legado de Monstros finalmente aposta no conceito da viagem no tempo em seu episódio 7 da segunda temporada, inserindo um elemento que renova o interesse na série. Embora traga momentos interessantes e oportunistas, a narrativa segue os padrões irregulares da produção, com falhas marcantes, especialmente na subtrama envolvendo Cate.
Disponível na Apple TV+, o episódio “Teoria das Cordas”, lançado em 10 de abril de 2026, investe no recurso da viagem temporal para criar reviravoltas e conexões inéditas entre personagens, cenário até então explorado de forma tímida na série.
Por que a viagem no tempo mudou o jogo em Monarch
Monarch vinha acumulando uma sensação geral de marasmo ao longo dos episódios anteriores desta segunda temporada, alternando entre um novo Titã perambulando nos oceanos e os conflitos humanos pouco envolventes do elenco. “Teoria das Cordas” quebra esse padrão com a introdução plena da viagem no tempo, rompendo a simples dilatação temporal vista na série e permitindo interações entre versões antigas e mais jovens do mesmo personagem.
O diálogo quântico entre o Lee Shaw idoso e seu eu mais jovem, vivido por um pai e filho na vida real (Wyatt Russell e Ren Watabe), é o ponto alto do episódio, conferindo uma camada emocional inédita e uma dinâmica que funciona mesmo diante das conveniências narrativas que o roteiro apresenta.
Além disso, a inserção de um rastreador no Titã X em 1962 revela o já clássico paradoxo temporal que, embora simplório, traz um frescor à trama. Esse elemento faz com que as ações no passado tenham impacto direto nos eventos presentes, o que dá um tom imprevisível e curioso, o que não era comum em Monarch até então.
Quanto de lógica importa em uma série do Monsterverse?
É inegável que as regras da viagem temporal em Monarch carecem de coerência e parecem mais um conjunto de conveniências do que um sistema bem delineado. No entanto, dentro de uma série do Monsterverse que evita batalhas épicas entre os monstros em prol de dramas humanos que frequentemente soam rasos, essa exploração temporal, ainda que limitada e inconsistente, oferece pelo menos uma chance de engajamento para o público.
A falta de lutas entre os famosos kaiju, justificadas por restrições orçamentárias, faz com que o roteiro se apoie mais nesses diálogos entre personagens e nas consequências complexas da viagem no tempo para se manter interessante.
O plano audacioso e absurdo que dá um significado à trama
Outro momento impactante do episódio aparece quando Isabel convoca Kentaro à Tailândia para revelar um plano radical: usar a viagem no tempo para apagar o Dia-G, o evento que deu origem ao Monsterverse. Essa ideia, por mais improvável, insere um nível de ambição na narrativa que cria uma expectativa real para os episódios seguintes, garantindo uma boa dose de curiosidade sobre o desdobramento desse plano.
Embora essa proposta seja difícil de engolir e pareça distante da execução provável da série, ela é suficiente para reacender o interesse do espectador, mesmo que se espere que a execução permaneça dentro dos padrões modestos da produção.
A fragilidade da subtrama mística de Cate prejudica o conjunto
Nem tudo, porém, é positivo. A história paralela envolvendo Cate e sua avó em um cemitério japonês – onde Cate supostamente se torna uma espécie de transmissora das ondas do Titã X – é um elemento que não convence e soa desnecessariamente forçado.
A sequência em que Cate tenta descer em um poço místico com uma corda apodrecida mostra um roteiro fraco, gerando pouca ou nenhuma consequência significativa, limitando-se a círculos concêntricos na água e um encontro casual na praia. Essa linha narrativa apenas dilui o foco e não ajuda a melhorar a experiência do episódio.
Monarch ainda precisa evoluir: esperança no uso da viagem no tempo
“Teoria das Cordas” não é um episódio memorável de Monarch: Legado de Monstros, mas marca uma mudança importante ao finalmente abraçar o potencial da viagem no tempo, algo até então negligenciado pela produção. Essa guinada ocorre justamente após 17 episódios da série, oferecendo uma pequena fagulha de esperança para os fãs da franquia e do Monsterverse.
A expectativa fica para que os próximos capítulos se aprofundem sem reservas nesse conceito, mesmo que a execução continue irregular, para entregar ao menos alguma satisfação narrativa e justificar a continuidade do acompanhamento da série.
Ficha técnica e elenco do episódio 7
- Direção: Gandja Monteiro
- Roteiro: Joe Pokaski
- Showrunner: Chris Black
- Duração: 52 minutos
- Elenco principal: Anna Sawai, Kiersey Clemons, Ren Watabe, Mari Yamamoto, Anders Holm, Wyatt Russell, Kurt Russell, Joe Tippett, Takehiro Hira, Dominique Tipper, Leo Ashizawa, Amber Midthunder, Bill Sage
O episódio permanece disponível exclusivamente na Apple TV+.
O que esperar do próximo episódio?
Com a viagem no tempo ganhando espaço e um plano aparentemente apocalíptico para o Monsterverse em jogo, essa nova direção promete elevar o nível da disputa nos próximos capítulos. A principal incógnita permanece se os roteiristas conseguirão lidar com o conceito de forma convincente e instigante, ou se prevalecerá aquela sensação já conhecida de conveniência e desorganização narrativa que amargam a série.
Se a série conseguir explorar melhor a viagem no tempo, pode, sim, transformar o que parecia um fardo num recurso que finalmente legitime o interesse do público por Monarch.
Para os fãs da franquia e da expansão do Monsterverse, este episódio representa uma fagulha de relevância em meio a uma temporada fragilizada, indicando que, mesmo dentro do gênero, criatividade e riscos podem fazer a diferença.
Essa mudança do episódio 7 em Monarch: Legado de Monstros é um ponto de inflexão necessário, já que uma série que se ateve até agora mais aos dramas humanos frágeis do que à ação monstrosa precisava instigar sua audiência de alguma forma. A aposta na viagem no tempo pode ser a salvação ou o último suspiro, mas, no mínimo, fez com que espectadores aguardem uma semana mais atentos ao que virá a seguir.
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