O Judas Priest não desaparecerá mesmo que Ian Hill e Rob Halford saiam da banda, segundo o próprio baixista fundador. Em entrevista recente ao Metal Journal, Ian Hill afirmou que a “marca” Judas Priest é maior que qualquer formação específica, e que novos integrantes poderiam garantir a continuidade da banda que ele ajudou a criar em 1970. A resposta chega num momento delicado: após o afastamento do guitarrista fundador Glenn Tipton em 2018, diagnosticado com Parkinson, a questão sobre a sobrevivência do grupo ganhou peso.
Por que a saída de integrantes clássicos preocupa os fãs do Judas Priest?
Desde sua fundação, o Judas Priest passou por múltiplas trocas de formação. Glenn Tipton, um dos dois guitarristas fundadores, afastou-se das apresentações ao vivo após ser diagnosticado com Parkinson, embora permaneça oficialmente na banda. O produtor Andy Sneap o substitui nos shows. A questão que paira entre os fãs é se um Judas Priest sem Hill e Rob Halford — que ingressou em 1974 e é praticamente sinônimo da voz da banda — conseguiria manter a identidade que definiu gerações do rock pesado.
Quantas vezes o Judas Priest já trocou membros?
Mais do que imagina. Segundo Hill, a banda já passou por cerca de seis ou sete bateristas, quatro guitarristas e dois vocalistas ao longo de sua história. Isso significa que, tecnicamente, apenas Hill permanece como único membro ininterruptamente presente desde 1970. Essa trajetória de substituições mostra que o grupo sempre conseguiu se reinventar sem perder sua essência, criando precedente para possíveis futuras mudanças.
O que Ian Hill disse sobre a continuidade do Judas Priest?
Quando questionado diretamente se conseguia imaginar o Judas Priest seguindo adiante sem ele e sem Halford, Hill foi categórico. “Não há motivo para dizer ‘não'”, respondeu. Sua reflexão expõe uma verdade simples: ninguém é insubstituível. Com décadas de história comprovando que a banda absorveu mudanças antes, por que não absorveria novamente? Hill sugeriu que seus colegas atuais “topariam” se ele ou Rob tivessem que parar, o que indica que há disposição dentro do grupo para uma possível transição.
A declaração é realista e até surpreendente em sua franqueza. Muitos músicos legados relutariam em reconhecer que suas bandas poderiam existir sem eles. Hill, aos 72 anos, demonstra compreender que uma instituição de rock como o Judas Priest transcende qualquer nome individual — a marca existe na audiência, na discografia, na influência cultural.
Qual é o limite para Ian Hill continuar no Judas Priest?
Apesar de abrir a porta para o futuro, Hill deixou claro que não está pronto para sair agora. No entanto, ele identificou um ponto de virada: o desempenho. “Se meu desempenho começar a piorar, é hora de pensar em parar”, disse. Enquanto a banda conseguir dar 100%, o baixista quer continuar. Mas se perceber que está deixando de entregar tudo de si, aí sim consideraria encerrar as atividades.
Essa mentalidade é coerente com a postura de Hill ao longo dos anos — profissionalismo acima de nostalgia. Não é sobre ficar no palco por ficar; é sobre garantir que o que o Judas Priest apresenta ao mundo ainda merece o nome que carrega.
Que novidades há sobre o próximo álbum do Judas Priest?
A gravação do novo trabalho de estúdio está bem avançada. Hill revelou que a maior parte das músicas já foi gravada, incluindo praticamente todas as faixas de acompanhamento. Pode haver uma ou duas músicas ainda para gravar, mas o grosso do trabalho está pronto. O mais importante agora é a gravação dos vocais. Rob Halford esteve em Phoenix, nos Estados Unidos, registrando suas partes nas últimas semanas, segundo Hill.
Essa atualização sugere que o Judas Priest continua criativo e produtivo, reforçando a mensagem de que o grupo não está em modo “turnê de despedida”. Enquanto houver material novo para lançar, há propósito. E enquanto houver propósito, há razão para continuar.
O que o Judas Priest representa para o rock pesado?
O Judas Priest não é apenas uma banda; é um pilar do heavy metal clássico. Com mais de cinco décadas de carreira, influenciou gerações de músicos e consolidou o som do metal britânico. Glenn Tipton e K.K. Downing foram os guitarristas fundadores que definiram o riff do Judas Priest; Rob Halford tornou-se uma figura icônica na cultura metal; Ian Hill foi a coluna vertebral constante.
A abertura de Hill para mudanças futuras não diminui esses legados — apenas reconhece uma realidade que qualquer instituição artística deve encarar: nada é permanente, mas aquilo que importa verdadeiramente transcende nomes. Se o Judas Priest pode fazer boas músicas, boas apresentações e manter a qualidade que seus fãs esperam, a essência da banda permanece, independentemente de quem segura o baixo ou o microfone.
Fonte: rollingstone.com.br
