Prime Video acaba de adicionar ao seu catálogo “Deixando Neverland”, o documentário que traz depoimentos de dois homens que afirmam ter sofrido abuso sexual de Michael Jackson durante a infância. A estreia do filme coincide com o sucesso de “Michael”, a cinebiografia recém-lançada do Rei do Pop, gerando um contraste polêmico entre narrativas completamente opostas sobre a vida do artista.
O documento dirigido por Dan Reed explora acusações que abalaram a reputação de Jackson por mais de uma década. Agora, com a volta do filme aos streaming, a discussão sobre sua credibilidade e impacto volta à tona — especialmente porque a indústria do entretenimento segue dividida sobre como avaliar tanto o acusador quanto o acusado.
O que é “Deixando Neverland” e por que divide opinião?
“Deixando Neverland” é um documentário de duas partes lançado originalmente em 2019 que apresenta os relatos de Wade Robson e James Safechuck, que alegam ter sido abusados sexualmente por Michael Jackson entre os anos 1980 e 1990, quando tinham entre 7 e 10 anos de idade. O filme acompanha como esses homens, já adultos, confrontam os traumas alegados e a manipulação que descrevem ter sofrido durante seu convívio com o astro em sua mansão Neverland.
O documentário gerou reações extremamente divididas. Enquanto alguns espectadores consideram o filme um relato importante de possíveis vítimas, outros questionam a metodologia de Reed e argumentam que o documentário apresenta apenas um lado da história, sem permitir direito de resposta adequado. Jackson faleceu em 2009, impossibilitando sua defesa pessoal, e seus herdeiros têm contestado veementemente as acusações.
Dan Reed critica a cinebiografia de Michael Jackson como “impossível de levar a sério”
O diretor Dan Reed recentemente expressou ceticismo em relação a “Michael”, a cinebiografia de Michael Jackson que se tornou um fenômeno de bilheteria em 2026. Em entrevista, Reed não poupou críticas ao filme dirigido por Antoine Fuqua, comparando a narrativa à manipulação de fatos que ele acusa Jackson de ter praticado.
“O filme simplesmente subverte a verdade — preto é branco, branco é preto, e dois mais dois são cinco — e ninguém que for assistir ao filme questionará isso, mas é um filme impossível de levar a sério como uma contranarrativa a ‘Deixando Neverland'”, declarou Reed à publicação especializada. De forma provocativa, o diretor também comparou Jackson a Jeffrey Epstein, o milionário condenado por aliciar menores de idade para prostituição.
Essa comparação reacendeu o debate sobre a responsabilidade ética de cineastas ao retratar figuras controversas. Enquanto a cinebiografia busca recuperar a imagem de Jackson como artista e inovador, “Deixando Neverland” permanece como um filme que desafia essa narrativa hegemônica.
O que significa essa reestreia em meio ao sucesso de “Michael”?
A volta de “Deixando Neverland” ao catálogo de streaming ocorre em um momento peculiar. “Michael” tornou-se a segunda maior bilheteria de 2026, indicando que há público massivo interessado em uma versão mais favorável do legado do Rei do Pop. A reestreia do documentário, portanto, funciona como um contraponto — uma oportunidade para espectadores acessarem a narrativa acusatória que muitas vezes é omitida das discussões sobre Jackson nas redes sociais e na mídia tradicional.
Esse fenômeno reflete uma tendência maior no cinema contemporâneo: a coexistência de narrativas conflitantes sobre figuras públicas polêmicas. O streaming, por sua natureza democrática, permite que ambas as perspectivas circulem simultaneamente, deixando a cargo do espectador a avaliação crítica.
Onde assistir “Deixando Neverland” no Brasil
“Deixando Neverland” está disponível no catálogo do Prime Video sem custo adicional para assinantes do serviço. O documentário está dividido em duas partes, permitindo que o espectador assista conforme sua disponibilidade. A plataforma oferece a oportunidade de acessar um dos documentários mais controversos da última década de forma gratuita aos seus usuários.
A reestreia reforça como o streaming se tornou o espaço onde narrativas contraditórias coexistem, oferecendo ao público a responsabilidade — e a oportunidade — de formar suas próprias conclusões sobre figuras complexas da cultura pop.
Fonte: rollingstone.com.br
