Dragon Ball Xenoverse 3 abandona o passado: a aposta milionária em um novo futuro

Dragon Ball Xenoverse 3 é ambientado 200 anos após Dragon Ball Z e 148 anos após Dragon Ball Xenoverse 2, transportando a franquia para a Era 1000, um mundo completamente novo e inexplorado com cidades futuristas e avançadas. O jogo está previsto para 2027 em PlayStation 5, PC e Xbox Series X|S. Diferentemente dos dois títulos anteriores, que operavam dentro de uma lógica de viagens temporais para corrigir eventos conhecidos, a terceira entrada faz uma escolha radical: abandona o passado canônico para construir um futuro original.

Resumo rápido

  • Lançamento: 2027 em PS5, Xbox Series X|S e PC via Steam
  • Cenário: West City na Era 1000, 200 anos após Dragon Ball Z
  • Novo sistema de combate: Soul Switch permite transformação temporária em personagens clássicos
  • Personagens originais: Brett, Lilica, ROM e Tap, todos desenhados por Akira Toriyama
  • Desenvolvimento: Dimps volta a comandar, com suporte de longo prazo planejado

A morte de uma franquia e o nascimento de outra

Quando a demo foi apresentada na Summer Game Fest 2026, em Los Angeles, em 5 de junho, havia uma pergunta suspeita na mente dos fãs: por que sair do conforto narrativo? A série Xenoverse sempre funcionou como espaço para reescrever a história canônica de Dragon Ball, permitindo que o jogador interviesse em batalhas clássicas. Era previsível, limitado, seguro. A decisão de pular para o futuro porque Xenoverse 1 e 2 focavam em viajar ao passado para corrigir história, e agora querem olhar para frente é uma declaração de independência mascarada de simples mudança de cenário.

O que torna isso significativo é que Akira Toriyama teve envolvimento imenso no desenvolvimento da Era 1000, colaborando em quase todos os aspectos, desde a visão de mundo geral até os designs dos novos personagens. Não é meramente um spin-off dos designs de Toriyama; é seu último ato criativo documentado antes de sua morte em 2024. Xenoverse 3 apresenta trabalho original do criador de Dragon Ball, com desenvolvimento começado no final dos anos 2010, investindo mais de meia década na construção do novo mundo, o que explica como Toriyama pôde contribuir tão pesadamente antes de sua morte.

Sistema Soul Switch de Dragon Ball Xenoverse 3 com transformação em personagem clássico
Soul Switch permite transformação temporária em personagens clássicos em Dragon Ball Xenoverse 3 (Reproducao / Bandai Namco)

Soul Switch: quando o passado vira ferramenta, não prisão

A mecânica central que resolve a tensão entre nostalgia e inovação chama-se Soul Switch, que recorre temporariamente ao poder da alma de um personagem de Dragon Ball como Krillin, Piccolo, Vegeta, Trunks do Futuro e Tien, para aumentar o poder e obter novas habilidades durante o combate. Diferentes de uma transformação permanente, a capacidade permite que o personagem do jogador se transforme em uma versão de Trunks do Futuro, com seus ataques e habilidades, porém essa transformação não dura mais de um minuto e há limite em quantas vezes você pode usar “Soul Switch” na batalha.

O que design inteligente essa é. Soul Switch deveria permitir que o novo jogo evitasse uma crítica comum nas adaptações de videogame da franquia Dragon Ball. Historicamente, jogos de Dragon Ball podem se tornar repetitivos porque, embora o combate seja o apelo real, os mesmos eventos frequentemente servem como configuração para os mesmos confrontos através das gerações de jogos. Soul Switch não é um escape — é um âncora temporária. O novo personagem permanece central; o clássico é apenas visita.

Para jogadores que selecionarem um Saiyajin, a habilidade final permite transformação Super Saiyajin até pelo menos SSJ3 por tempo aparentemente indefinido. A mudança é crucial: personagens não-Saiyajins têm acesso limitado ao poder do passado; Saiyajins, por sua biologia, herdam o privilégio ilimitado. Isso não é equilibrio mecânico; é narrativa codificada em jogo.

West City e a vida além das batalhas

West City cresceu em um centro importante neste futuro, servindo como centro narrativo principal. Diferente de Conton City em Xenoverse 2, West City não é apenas um hub mecânico — é contexto vivido. Bulma está em Age 1000 em uma era aparentemente em paz, com uma grande cidade repleta de cidadãos movimentados, e West City inclui locais como a Universidade de West City, oferecendo uma visão mais próxima da vida diária dentro da cidade.

Essa ênfase em exploração cotidiana marca uma mudança de filosofia. Xenoverse sempre teve uma identidade bem definida, com a proposta girando em torno de criar seu próprio personagem e intervir na linha do tempo de Dragon Ball, revisitando eventos clássicos com mudanças, e Xenoverse 2 expandiu essa fórmula com mais conteúdo e foco forte no online. Xenoverse 3 faz o oposto: reduz a dependência de eventos canônicos revisitados e expande a vida entre eles. Para uma jogada padrão do modo história, jogadores podem esperar aproximadamente 20 a 30 horas de conteúdo cinematográfico, dependendo do ritmo.

Brett, Lilica, ROM e Tap, personagens originais de Dragon Ball Xenoverse 3 desenhados por Akira Toriyama
Brett, Lilica, ROM e Tap, personagens originais criados por Akira Toriyama para Dragon Ball Xenoverse 3 (Reproducao / Bandai Namco)

Brett, Lilica e o primeiro rosto de um futuro sem Goku

Brett é um dos últimos personagens projetados pela Akira Toriyama falecido, e sua existência carrega peso simbólico. O protagonista de Dragon Ball Xenoverse 3 é um personagem totalmente personalizável que conhece Bulma pouco depois de chegar em West City, quem é responsável junto a Gamma 1 de recebê-lo no Grande Esquadrão Saiyajin, e o jogador também participa da vida cotidiana na Universidade de West City, onde aparecem personagens conhecidos do universo Dragon Ball e um elenco de personagens originais incluindo Brett, Lilica, ROM e Tap.

Nenhum deles é Goku. Nenhum deles é uma reencarnação, cópia ou variação de um protagonista clássico. Essa distância narrativa é o ponto. Jogadores podem esperar pisar em um mundo que Goku e seus aliados uma vez protegeram, mas agora precisam protegê-lo na ausência deles, com “conexão” como um dos temas centrais por trás da narrativa.

O que ainda permanece em aberto

Como a desenvolvedora explicitamente conecta o jogo a séries de anime anteriores é um segredo bem guardado por enquanto, porém o cenário futuro oferece uma tela em branco para incorporar elementos elegantemente. A demo em Summer Game Fest 2026 não respondeu quanto Dragon Ball GT ou Dragon Ball Daima aparecerão, se haverá referências ao torneio de artes marciais e como — ou se — a linha do tempo clássica se conecta à Era 1000.

No lado multijogador, o volume de lançamento já é enorme, mas o plano de longo prazo é tratar isso como um mundo vivo, com um roteiro pós-lançamento robusto repleto de eventos comunitários, lançamentos e atualizações de conteúdo consistentes para manter a comunidade prospera. Essa promessa dependerá da recepção — um desenvolvedor confirmou que planejam apoio de longo prazo enquanto houver suporte dos jogadores, como aconteceu com Xenoverse 2, em que o estúdio não planejava suportar o jogo por mais de um ano, mas o suporte contínuo dos jogadores levou a uma mudança de planos.

Dragon Ball Xenoverse 3 não é apenas um jogo novo com um cenário novo. É o primeiro grande projeto de Dragon Ball que não necessita consertar o passado para contar uma história interessante. Herdando o último legado criativo de Akira Toriyama e a mecânica inteligente do Soul Switch, a série finalmente respira sem estar ligada ao umbilical narrativo de Goku. Se conseguir manter essa liberdade criativa sem sacrificar a identidade que fez Xenoverse funcionar, pode representar o verdadeiro ressurgimento — não de uma franquia cansada, mas de um conceito renovado.

Fonte principal: observatoriodocinema.com.br. Informações complementares: Bandai Namco, Dimps, Dragon Ball Official Site, Wccftech, ComicBook, Shacknews, Crunchyroll.

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