Dez anos separam Dragon Ball Xenoverse 2 de seu sucessor, e a lacuna não é acidental: Dragon Ball Xenoverse 3 não apenas redefiniu para onde a franquia interativa seguiria, mas transformou a premissa que o criador original, Akira Toriyama, imaginara para um futuro tão distante que o próprio universo de fãs apenas sussurrava sobre. Oficializado em abril de 2026, Xenoverse 3 foi teaser dois meses antes como “Era 1000”, e ontem ganhou detalhes de gameplay que consolidam uma decisão radical: em vez de retomar o ciclo de Goku e companhia, a Bandai Namco finalmente levou a sério aquele ponto na cronologia do Dragon Ball que permanecia quase mitológico.
Resumo rápido
- Lançamento: 2027 em PlayStation 5, Xbox Series X e PC via Steam
- Cenário: Era 1000, com West City como centro da história
- Legado criativo: Akira Toriyama foi profundamente envolvido no desenvolvimento, estabelecendo a Era 1000 e a visão criativa da história
- Mecânica principal: Soul Switch permite canalizar temporariamente poderes de personagens como Krillin, Piccolo, Vegeta, Trunks do Futuro e Tien
- Estrutura: Novo protagonista chamado Brett e arcos narrativos originais além da história dos Z-Fighters
A pausa que refundou uma franquia inteira
O Xenoverse original (2015) e sua sequência (2016) estabeleceram um padrão que perdeu potencial: você cria um personagem e experimenta o cânone de Dragon Ball. Funcionava, acumulou 10 anos de conteúdo DLC em Xenoverse 2, mas eventualmente o teto narrativo ficou óbvio. Como avançar quando você já recriou cada saga? A resposta que Bandai Namco encontrou não foi fazer um Xenoverse 4 rehashing os Z-Fighters de novo — foi autorizar uma mudança temporal tão dramaticamente grande que o mundo em si se torna o personagem novo.
A transição para Era 1000 desloca o foco para uma época futurista séculos após Dragon Ball Super, introduzindo um mundo onde o legado dos Z-Fighters evoluiu em uma cultura marcial global. Em outras palavras: Goku está tão longe na história quanto Napoleão está de nós. Não é um remake disfarçado; é uma arqueologia de um universo que aprendeu com seus heróis e seguiu em frente.
Akira Toriyama estava profundamente envolvido no desenvolvimento de Xenoverse 3, tendo estabelecido a Era 1000 como o futuro da história de Dragon Ball, com sua visão criativa servindo como fundação para o mundo e narrativa do jogo. Isso não é um detalhe menor. Toriyama morreu em 2024, então Xenoverse 3 quase certamente será o último video game com suas contribuições diretas. O peso dessa herança move a intencionalidade do projeto.
Soul Switch não é apenas uma mecânica — é uma solução ideológica
Um dos grandes mecanismos de gameplay do Dragon Ball Xenoverse 3, o “Soul Switch”, deveria permitir que o novo jogo evite uma crítica comum das adaptações de video game da franquia Dragon Ball. A crítica é legítima: por que os heróis clássicos ainda estão ali, praticamente intocados, se passaram séculos? A resposta criativa é genial: eles não estão ali fisicamente — suas almas estão, e você pode invocá-las.
Soul Switch permite aos jogadores canalizar temporariamente o poder da alma de um personagem de Dragon Ball, como Krillin, Piccolo, Vegeta, Trunks do Futuro e Tien, para ficar ainda mais forte e ganhar novas habilidades durante o combate. Como Future Trunks, a barra de vida do personagem do jogador é restaurada para o máximo e seu poder aumenta, mas essa transformação não dura mais de um minuto e a quantidade de vezes que você pode usar “soul-switching” em batalha é limitada.
Ao lado disso, o novo sistema Soul Assist permite desencadear um ataque poderoso ao lado de um aliado poderoso do universo Dragon Ball. A combinação desses dois sistemas não é apenas concessão aos fãs que querem Vegeta e Piccolo de volta — é reconhecimento de que a história do Dragon Ball é cumulativa. Personagens não desaparecem; eles se transformam em influência, legado, possibilidade.
Customização estratégica como expressão de poder
Escolhas do jogador terão impacto maior nos combates em Dragon Ball Xenoverse 3, dependendo da raça que os jogadores escolherem, diferentes opções estarão disponíveis para virar o jogo a seu favor. Enquanto os Saiyajins podem usar o poder do Super Saiyajin em suas múltiplas formas, fornecendo força em constante evolução, os Terráqueos oferecem um estilo de jogo completamente diferente.
Isso não é simples balanceamento. É a realização de que em um universo onde centenas de anos passaram, diferentes espécies evoluiriam diferentemente. Os Saiyajins ainda têm acesso às transformações, mas Terráqueos agora têm rotas de poder que não existiam antes. Cada opção de criação de personagem conta uma história diferente sobre quem você é naquele mundo.
Personagens novos que Toriyama deixou pronto
O jogo introduz novo protagonista chamado Brett e arcos narrativos originais além da história dos Z-Fighters. Além disso, debutarão novos personagens originais como Brett, Lilica, ROM e Tap, que ampliarão o universo desta entrega. Não sabemos ainda a profundidade de seus arcos, mas a inclusão de personagens designados por Toriyama antes de sua morte não é um preenchimento — é o coração criativo da premissa.
West City, uma cidade vibrante que servirá como o novo centro de aventura, está ambientada na Era 1000 e busca oferecer uma perspectiva fresca do mundo Dragon Ball, longe das histórias já conhecidas, mas mantendo o espírito de ação e poder que define a saga. O avanço apresenta Bulma e Gamma 1, que dá as boas-vindas aos jogadores ao Grande Esquadrão Saiyajin, e também mostra parte da vida na Universidade de West City, o que sugere uma aventura com mais elementos de exploração e convivência dentro do mundo do jogo.
O que isso significa
Xenoverse 3 não é apenas um jogo novo — é a afirmação de que o universo de Dragon Ball não pertence apenas ao passado. Akira Toriyama, o criador da série que faleceu em 2024, teve participação na criação do mundo e lore do Dragon Ball Xenoverse 3 antes de sua morte, transformando este projeto em um dos últimos capítulos que ele imaginou para a franquia.
A decisão de pular 250 anos na frente, longe de Goku e seus aliados em seu apogeu, é um risco editorial real. Exige que fãs confiem em uma versão Dragon Ball que eles não reconhecem imediatamente. Mas também é o risco mais honesto que a franquia interativa poderia tomar: em vez de outra volta ao ciclo, é permitir que o universo envelhesça, que novas gerações de heróis herdem o peso daqueles que vieram antes, e que jogadores se tornem parte dessa continuidade natural — não como visitantes de um museu de cânone, mas como arquitetos de um futuro que o próprio Toriyama esboçou.
Fonte principal: observatoriodocinema.com.br. Informações complementares: Bandai Namco, IGN, VGC, ComicBook, Kotaku.
