O Diabo Veste Prada 2 ultrapassou a marca de 663 milhões de dólares em bilheteria mundial, superando Liga da Justiça (2017), o filme mais caro da DC até hoje. O dado é relevante não apenas por números: expõe uma aposta que o mercado tratou como risco calculado e que se tornou um dos sucessos mais claros do ano.

Quando uma sequência feminina ganha de um épico de super-heróis
A comparação entre O Diabo Veste Prada 2 e Liga da Justiça revela mais do que uma rivalidade de bilheteria. Liga da Justiça custou 300 milhões de dólares — o maior orçamento de qualquer filme da DC — e reuniu Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Ciborgue e Flash pela primeira vez em live-action. Era a aposta máxima do estúdio, o clímax de quatro anos de construção narrativa. Fechou em 661 milhões de dólares. O Diabo Veste Prada 2, com orçamento de apenas 100 milhões de dólares, já passou dessa marca e continua em cartaz, acumulando 663 milhões globalmente.
O filme liderado por Anne Hathaway e Meryl Streep faz isso enquanto estuda de caso do tipo que custa verdade em reuniões de estúdio: sequência de comédia liderada por mulheres, 20 anos após o original, baseada em IP de franquia passada, não em universo expandido. Historicamente, esse tipo de projeto é catalogado como risco. O Diabo Veste Prada 2 enterrou essa premissa.

A máquina de captação de público que Hollywood desprezava
Enquanto isso, o ranking de maiores bilheterias de 2026 coloca O Diabo Veste Prada 2 em quarto lugar globalmente — atrás apenas de Super Mario Galaxy: O Filme, Michael e Projeto Salvação. Filmes de ação catastróficos e animações megalomaníacas ficaram para trás. O filme passou Disney+ e Hoppers, outras apostas de peso da Disney.
O fenômeno não é isolado, mas exposição de comportamento repetido do mercado. Liga da Justiça também enfrentou retorno fraco em comparação à promessa — custava mais, fez menos por cada dólar investido. Já películas legítimas como Sexta-Feira Muito Assustadora (2024), Karate Kid: Legends e Indiana Jones e o Relicário do Destino — sequências saudadas como projetos de peso — tropeçaram na bilheteria. O Diabo Veste Prada 2 não apenas não tropeçou: acelerou.
Por que estúdios ainda apostam errado em filmes liderados por mulheres
O ponto cego é estrutural. Quando um filme de ação custa 250 milhões de dólares, é anunciado como evento. Quando uma comédia ou drama liderado por mulheres recebe orçamento menor, é tratado como concessão, experimento contido. O Diabo Veste Prada 2 recebeu investimento real — tanto em produção quanto em marketing — porque Disney entendeu: retorno não é risco, é estratégia.
A participação de elenco original como Hathaway, Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci criou âncora emocional que sequências genéricas de heróis não conseguem replicar. O Diabo Veste Prada (2006) cultivou afeto genuíno há 18 anos. Não era resgate de nostalgia, era encontro com personagens que audiência queria reencontrar.
Domesticamente, Liga da Justiça ainda lidera com 229 milhões de dólares contra 214 milhões de O Diabo Veste Prada 2, mas a sequência continua em cartaz — janela aberta para ultrapassar esse número final. Internacionalmente, O Diabo Veste Prada 2 destruiu: 448 milhões de dólares em mercados fora dos EUA, contra 432 milhões de Liga da Justiça.
O que muda na mesa de reunião de estúdios agora
Os números também enterram argumento de que comédias e filmes femininos “não viajam”. O Diabo Veste Prada 2 provou que conteúdo com qualidade, elenco forte e roteiro respeitado atravessa fronteiras, idiomas e comportamentos de consumo — exatamente o que promessas de épicos de ação teoricamente fariam. A diferença: o épico falhou, a sequência feminina entregou.
Apenas para contexto, O Diabo Veste Prada 2 ainda tem que enfrentar potencial declínio típico de semanas 5-6. Mas a trajetória já consolidou uma verdade: estúdios continuam investindo errado porque os dados de sucesso não mudam mentes tão rápido quanto deveriam. O fracasso de Liga da Justiça custou 300 milhões de dólares. O sucesso de O Diabo Veste Prada 2 fez 563 milhões em lucro sobre investimento inicial. Espera-se que alguém esteja tomando notas.
Fonte: thedirect.com
