“See You When I See You”, novo longa de Jay Duplass, foi exibido no Festival de Sundance 2026 e mostra um jovem tentando processar o suicídio da irmã com a ajuda da terapia EMDR. O filme emociona ao ilustrar traumas, porém peca por uma narrativa irregular e atuações que nem sempre convencem.
Drama de Jay Duplass estreia em Sundance 2026
Apresentado em 27 de janeiro de 2026, o longa de 102 minutos adapta o livro de memórias “Tragedy Plus Time”, de Adam Cayton-Holland. A produção reúne nomes como Kumail Nanjiani, Emily V. Gordon e o próprio autor entre os produtores.
O protagonista Aaron é interpretado por Cooper Raiff, enquanto Kaitlyn Dever vive a irmã Leah nos flashbacks. O elenco conta, ainda, com David Duchovny, Hope Davis e Lucy Boynton.
Enredo coloca trauma em foco
A narrativa acompanha Aaron, que encontra o corpo da irmã após o suicídio. A partir desse evento, o personagem passa a lidar com culpa, horror e a necessidade de manter vivas as lembranças da jovem artista.
O roteiro mostra como cada membro da família reage à perda: o pai coleciona objetos de Leah, a mãe se engaja em causas ambientais para se distrair e a irmã mais velha tenta organizar a dor com métodos práticos.
EMDR ganha linguagem visual
Quando Aaron inicia a terapia EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), Duplass transforma sessões clínicas em cenas sensoriais. Vibrações nas mãos, sons alternados e imagens fragmentadas simulam o esforço de arquivar o trauma sem apagá-lo.
O recurso evita didatismo e dá ao espectador uma impressão próxima da técnica, algo raro em obras que abordam saúde mental.
Elenco oscila entre leveza e dor
Cooper Raiff entrega momentos de naturalidade nos trechos mais cômicos, mas se mostra menos convincente quando o roteiro exige explosões de fúria ou desespero. Já Ariela Barer, como a enfermeira Camila, oferece carisma, embora o romance com Aaron soe apressado.
A dinâmica familiar sustenta parte da emoção: Duchovny e Hope Davis expõem fissuras conjugais agravadas pelo luto e por um possível diagnóstico de câncer. Ainda assim, algumas tensões se resolvem rápido demais, sem transição adequada.
Ritmo irregular prejudica impacto
O filme alterna trechos contemplativos com cortes bruscos, deixando arcos dramáticos inacabados. Essa oscilação lembra títulos em que a pressa compromete a construção de suspense e personagens, caso do thriller “Vanished”.
Outro ponto frágil é a representação do vínculo entre Aaron e Leah: festas de bar e lembranças pontuais não bastam para ilustrar toda a profundidade anunciada.
Principais pontos
- Tema central: enfrentamento do luto após suicídio de um familiar.
- Técnica de terapia: EMDR reproduzida com recursos sonoros e visuais.
- Destaques do elenco: David Duchovny e Hope Davis nos papéis paternos.
- Fragilidade: ritmo desigual e soluções apressadas para conflitos.
- Duração e estreia: 102 minutos, exibido em Sundance em 27/01/2026.
O que vem a seguir
- Circulação em outros festivais de cinema ao longo de 2026.
- Negociações de distribuição nos EUA e em plataformas de streaming.
- Lançamento comercial previsto para o segundo semestre, ainda sem data confirmada.
Apesar das falhas, “See You When I See You” apresenta honestidade ao afirmar que não há cura possível sem encarar a dor. Essa premissa também orienta outras produções que exploram traumas familiares, como a série “Espíritos na Escola”.
A nota divulgada pela equipe do festival foi de 5/10, reforçando que o filme entrega sensibilidade ao retratar EMDR, mas não alcança pleno equilíbrio narrativo.
“See You When I See You” permanece sem data de estreia no Brasil. Quando o calendário de lançamento for confirmado, a informação será atualizada.

