O BTS retornou em 2026 com o álbum Arirang carregando cicatrizes emocionais que nenhum hit anterior havia explorado tão honestamente. Segundo RM, em uma transmissão ao vivo no Weverse, todos os sete membros da banda enfrentaram um “estado mental ruim” após serem liberados do serviço militar obrigatório da Coreia do Sul. O que deveria ser uma celebração foi, na verdade, um mergulho profundo na melancolia — e é exatamente disso que o disco fala.
O que aconteceu com o BTS durante o serviço militar?
A banda coreana precisou interromper atividades por quase quatro anos para cumprir a obrigação militar do país. Como grupo de ídolos do K-Pop, cada membro foi dispensado em períodos diferentes, e o retorno não foi simultâneo. Jin foi liberado em junho de 2024, o que marcou a volta do primeiro integrante à vida civil. Quando finalmente se reencontraram, porém, a experiência havia deixado marcas profundas em cada um deles.
RM descreveu o cenário em detalhes: logo após Jin sair do exército, “todos estavam em um estado mental ruim”. O grupo se reuniu em um jantar emocionante na casa de Jimin, onde “choraram juntos” enquanto processavam meses de separação forçada. Não foi o retorno glamoroso que os fãs esperavam ver em fotos e vídeos — foi algo muito mais vulnerável. “Conversamos sobre muitas coisas”, relembrou o rapper, que compreendeu naquele momento que precisaria “trabalhar mais para manter essa [equipe] unida”.
Como a saúde mental do BTS influenciou o álbum Arirang?
O que torna Arirang especial não é apenas seu sucesso comercial — o disco alcançou o primeiro lugar na parada Billboard 200, enquanto o single principal “SWIM” estreou no topo da Billboard Hot 100. É a forma como RM e os outros membros canalizaram o luto coletivo em uma mensagem universal sobre saudade, nostalgia e reconnexão com as raízes.
Na entrevista que concedeu a Zane Lowe, da Apple Music, em março, RM explicou a escolha do título. Arirang é uma canção tradicional coreana com centenas, talvez milhares de anos de história. “A [faixa-título do álbum] fala sobre saudade e nostalgia da cidade natal. Pode ser um amor, pode ser a cidade natal, pode ser a família, pode ser um amigo”, disse ele. Muitos ancestrais coreanos cantavam essa música, e o rapper compreendeu que o disco precisava abordar exatamente isso: o que significa estar longe de casa, de quem amamos, e então retornar.
Durante o serviço militar, o grupo havia pensado sobre ausência, sobre o tempo que passava sem fazer nada junto, e sobre a pergunta fundamental: se o BTS continuasse, que palavra poderia unir seus membros como grupo? A resposta foi Arirang — um símbolo de suas origens, de sua identidade coreana, e de como algo intensamente pessoal pode se tornar universal. “Todos têm nostalgia, tristeza e saudade”, completou RM. “Então acho que uma grande obra de arte geralmente transforma algo pessoal em algo universal.”
O documentário BTS: O Reencontro mostra essa transformação emocional?
Sim. Netflix lançou em março o documentário BTS: O Reencontro, que acompanha exatamente esse processo de cura coletiva. O filme começa com as imagens da saída dos artistas do exército e segue até a reta final da criação do álbum mais recente. Hospedados em uma mansão alugada em Los Angeles, os membros discutem ideias de composição, conceito do projeto e, principalmente, compartilham memórias do serviço militar obrigatório.
É uma perspectiva rara em documentários de K-Pop: em vez de oferecer apenas bastidores glamourosos de gravações, o projeto explora como sete homens reaprenderam a trabalhar juntos após uma separação forçada que testou os limites emocionais de todos eles.
Quando o BTS se apresenta no Brasil?
A turnê mundial de Arirang passa pelo Brasil em outubro de 2026. O BTS apresentará as faixas do novo disco nos dias 28 e 30 no Estádio MorumBIS, em São Paulo. A próxima apresentação confirmada do grupo é no dia 12 de junho em Busan, na Coreia do Sul, onde o disco será performado em solo coreano pela primeira vez.
Fonte: rollingstone.com.br