Dwayne Johnson confirmou em uma coletiva de imprensa no Rio de Janeiro que Moana 3 está em desenvolvimento na Disney Animation, com Jared Bush e Dana Ledoux Miller escrevendo a história. A confirmação marca um ponto de virada na estratégia de sequências da Walt Disney Animation Studios: em 103 anos de história, apenas duas franquias animadas conseguiram o status de trilogia em cinema — Frozen é a primeira, Moana é a segunda. Para entender por que isso importa agora, é preciso olhar para a transformação do próprio negócio da Disney.

Resumo rápido
- Moana 3 confirmada em desenvolvimento com escritores Jared Bush e Dana Ledoux Miller
- Frozen 3 estreia em 24 de novembro de 2027 nos EUA e 6 de janeiro de 2028 no Brasil
- São apenas a 2ª e 1ª trilogias animadas da Disney em 103 anos — sequências em teatro são exceção, não regra
- Moana 2 arrecadou US$ 1,059 bilhão em vendas mundiais após lançamento em Thanksgiving 2024
- Ambas as séries exploram narrativas femininas e progressistas, refletindo sucesso da “Segunda Renascença” da Disney
Por que trilogias animadas viraram modelo de negócio agora
O fenômeno não é coincidência. Moana 2 abriu com US$ 225 milhões no período de Thanksgiving 2024 — o maior lançamento de qualquer filme animado da Disney — e conquistou US$ 1,059 bilhão em bilheteira global. Frozen também pavimentou esse caminho: os dois primeiros filmes da franquia foram lançados no fim de novembro e se tornaram sucessos bilionários, acumulando US$ 2,7 bilhões em bilheteria combinada. Para a Disney, esses números mudaram a equação. Quando sequências de filmes animados significam bilhões em receita e plataforma de merchandising, trilogia deixa de ser luxo narrativo e vira estratégia obrigatória.
Mas isso não acontecia antes. Em sua história de 103 anos, apenas sete filmes animados da Disney receberam sequências lançadas em cinema. A maioria das continuações — A Pequena Sereia, O Rei Leão, Cinderela, Aladdin — foram direto para vídeo, sem a qualidade produtiva dos lançamentos teatrais. O streaming e o sucesso global transformaram esse modelo. Moana 2 foi originalmente desenvolvida como série para Disney+ antes de ser retoolada como filme de teatro, evidência de como a plataforma se tornou incubadora de ideias que explodem em cinemas.
Frozen e Moana: por que essas duas?
Ambas as franquias compartilham um DNA editorial que explica sua longevidade. Frozen e Moana buscam trazer novos ideais e histórias mais progressistas e feministas, além de dar mais destaque a outras minorias. Não são coincidência que, na Era Moderna da Disney, as duas maiores trilogias animadas centem-se em protagonistas femininas fortes — Anna, Elsa e Moana definem gerações de espectadores de forma diferente dos príncipes e princesas do século XX. Essa mudança narrativa conecta diretamente ao sucesso comercial.
Para Frozen 3, a Disney confirmou que vozes como Kristen Bell, Idina Menzel e Josh Gad retornam, assim como a dupla de compositores Kristen Anderson‑Lopez e Robert Lopez para as canções. Em Moana 3, Dwayne Johnson e Auli’i Cravalho devem retornar como Maui e Moana. A continuidade criativa não é acidental — é proteção de valor de franquia.

O que essa mudança de modelo sinaliza para a Disney
A confirmação de duas trilogias em simultaneidade (uma a mais de um ano de hoje, outra ainda em estágio inicial de roteiro) revela que a Disney deixou de ver sequências animadas como experimento pontual. Trilogia agora é a forma esperada de uma franquia que funcionou. Isso coloca pressão imediata em Zootopia, Encanto e Raya e o Último Dragão — sucessos de público, mas ainda sem confirmação de terceiras partes.
A estratégia também reafirma o calendário de Thanksgiving como janela sagrada. Frozen mantém a tradição dos dois primeiros filmes, lançados no fim de novembro, e a data é uma estratégia que se repete, aproveitando feriado que historicamente impulsiona bilheterias nos EUA. Moana 3, ainda sem data confirmada, provavelmente seguirá padrão similar — a Disney não desperdiça janelas que funcionam.
O impacto para narrativa é ambíguo. Trilogias permitem expansão de mundos complexos — diretor David Derrick Jr. previamente citou o “potencial inexplorado” do novo status de semideusa de Moana e sugeriu que a trama pode revisitar pós-créditos de Moana 2 que hintam retorno de Matangi e Nalo. Mas também significam que histórias que poderiam concluir em dois capítulos agora se esticam em três, risco que nenhuma das franquias pode ignorar.
Fonte principal: thedirect.com. Informações complementares: Variety, Screen Rant, ComicBook, Deadline, Disney Wiki, portais de cinema brasileiros.

