Crítica: Bailarina expande universo John Wick com Ana de Armas, mas tropeça na direção


O primeiro longa derivado de John Wick chegou ao catálogo do Prime Video com a missão de manter viva a franquia que consagrou Keanu Reeves. Dirigido por Len Wiseman, “Bailarina” aposta na atriz cubano-espanhola Ana de Armas como nova protagonista e situa sua trama entre os eventos de “John Wick 3: Parabellum” e “John Wick: Baba Yaga”.

Quem é a nova assassina

No centro da narrativa está Eve Macarro, integrante da Ruska Roma, organização que treina órfãos para atuar como matadores de aluguel sob a tutela da Alta Cúpula. Após testemunhar o massacre de sua família adotiva, a bailarina parte em busca de vingança, determinando-se a localizar e eliminar os responsáveis. A jornada acontece paralelamente aos acontecimentos de “Parabellum”, oferecendo novos pontos de vista para cenas já conhecidas pelos fãs.

Elenco e equipe

Ana de Armas assume a personagem-título após um extenso preparo físico. De acordo com a produção, a atriz passou por várias semanas de treinamento intensivo de combate corpo a corpo e manejo de armas. O roteiro é assinado por Shay Hatten, que também colaborou nos capítulos 3 e 4 da saga estrelada por Reeves. Chad Stahelski, diretor da franquia principal, retorna como coreógrafo das lutas, enquanto Wiseman — conhecido por “Anjos da Noite” — ocupa a cadeira de direção.

Como o filme se encaixa na cronologia

“Bailarina” ocorre logo depois da explosão de violência que marca “Parabellum”. John Wick permanece foragido e gravemente ferido, mas não interfere diretamente nos eventos da derivada. O Continental surge como ponto de passagem para Eve, que busca informações e armamentos, e o público acompanha detalhes adicionais da Ruska Roma, particularmente o processo de recrutamento e doutrinação dos jovens dançarinos-assassinos.

Ação em primeiro plano

As sequências de luta representam o principal trunfo da produção. Stahelski coordenou combates que mesclam armas de fogo, lâminas e objetos improvisados em cenários variados, de teatros abandonados a prédios corporativos. A coreografia enfatiza a fluidez dos movimentos de dança de Eve, aproximando-a do estilo de John Wick, mas com identidade própria. Esse cuidado garante cenas limpas, ritmadas e visualmente criativas.

Direção irregular

Apesar do brilho das cenas de combate, a condução geral do filme não alcança o padrão estabelecido pela série principal. Wiseman opta por cortes acelerados em momentos chave, o que contrasta com o estilo mais pausado e coreografado de Stahelski. Em alguns trechos, a montagem reduz a clareza das ações e compromete a imersão. O resultado é um longa que alterna momentos de intensa diversão com passagens apressadas que deixam sensação de incompletude.

Ritmo e duração

Com pouco menos de duas horas, “Bailarina” apresenta narrativa contida, funcionando quase como episódio intermediário — ou “filler” — dentro do universo John Wick. A história se encerra com gancho explícito para continuações, reforçando a impressão de que o arco de Eve ainda não chegou ao clímax. Para parte do público, a curta duração, quando comparada aos quase 180 minutos de “Baba Yaga”, gera a sensação de tarefa inacabada.

Ampliação do universo

Além da Ruska Roma, o filme explora a hierarquia da Alta Cúpula e introduz facções inéditas. Personagens secundários explicam regras de conduta, contratos e sistemas de punição, ampliando o escopo da franquia. Esses detalhes ajudam a consolidar o universo compartilhado, uma estratégia do estúdio para manter o interesse em novos derivados, séries e futuras continuações com ou sem Keanu Reeves.

Atuação de Ana de Armas

A intérprete de Eve demonstra versatilidade ao equilibrar fragilidade emocional e ferocidade física. A personagem não possui o estoicismo de John Wick; seus diálogos revelam traços de vulnerabilidade enquanto enfrenta traumas e dilemas morais. A performance carismática da atriz sustenta a trama mesmo nas sequências em que o roteiro se mostra formulaico.

Pontos fortes

  • Cenas de luta elaboradas, supervisionadas por Chad Stahelski;
  • Expansão convincente da mitologia da Ruska Roma e da Alta Cúpula;
  • Ana de Armas entrega protagonista carismática e fisicamente convincente.

Pontos fracos

  • Direção de Len Wiseman oscila entre passagens bem filmadas e outras excessivamente cortadas;
  • Estrutura de “filler” deixa arco principal sem desfecho satisfatório;
  • Desnível de ritmo compromete a coesão da narrativa.

Recepção inicial

Críticos elogiam a ambientação e a coreografia, mas apontam limitações na trama e na direção. Para espectadores familiarizados com o universo John Wick, o longa funciona como complemento interessante. Já quem busca impacto similar ao dos capítulos estrelados por Reeves pode sair com leve frustração.

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Disponibilidade

“Bailarina” está disponível no Prime Video para assinantes no Brasil e em outros territórios onde o serviço opera. Até o momento, não há informações oficiais sobre lançamento em mídia física nem sobre possível continuação, mas o desfecho aberto sugere novos projetos envolvendo Eve Macarro.

Com cenas de ação inventivas e uma protagonista promissora, “Bailarina” cumpre a função de manter acesa a chama da franquia. Entretanto, a realização irregular impede que o filme alcance o mesmo impacto dos quatro longas de John Wick já lançados nos cinemas. Ainda assim, quem acompanha a saga desde o início encontrará conteúdo suficiente para mergulhar mais uma vez no submundo da Alta Cúpula.

Equipe Gossip Notícias
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