Mark Ruffalo e Laurence Fishburne vão dividir a tela pela primeira vez em Gatto, novo filme original da Pixar que chega aos cinemas em 5 de março de 2027. A animação sobre gatos da máfia em Veneza marca a primeira participação de ambos os atores em um projeto de voz para o estúdio Disney, e revela um padrão interessante: ao contrário do que a indústria esperaria, os dois nunca compartilharam cena no MCU, apesar de seus papéis entrelaçados na franquia Marvel.

O retorno ao cinema através da animação, não do MCU
O grande gancho de Ruffalo e Fishburne em Gatto não é ser mais um crossover Marvel, mas sim representar uma mudança de estratégia que a Pixar segue: recrutar estrelas consolidadas do audiovisual para papéis de voz que exigem presença narrativa, não apenas nomes conhecidos. A diferença é que, diferente de Ruffalo — que segue ativo no MCU e aparecerá em Homem-Aranha: Um Novo Dia ainda neste verão — Fishburne representa um retorno mais raro para a Marvel.
Fishburne interpretou Dr. Bill Foster em Homem-Formiga e a Vespa, e desde então ficou relegado a apareições em episódios de E Se…? como variações do personagem. Sua personagem é canonicamente um fugitivo desde os eventos de Homem-Formiga e a Vespa, e não há sinais públicos de que a Marvel o trará de volta ao universo principal — ainda que sua aprendiz, Ava Starr, apareça em Vingadores: Doutor Destino. Assim, Gatto funciona como uma porta de saída criativa para Fishburne, descolando-o da tipologia de personagem que o MCU lhe reservou.
Nero e Rocco: a dinâmica que nunca seria possível no MCU
O teaser de Gatto apresenta a dinâmica entre os dois atores como central: Ruffalo dá voz a Nero, um gato preto descrito como “desajustado”, enquanto Fishburne é Rocco, o “chefe implacável da máfia felina”. A relação é de dívida e subordinação — Nero está preso a Rocco, o que cria tensão narrativa desde o primeiro momento. Na cena de interrogatório mostrada no teaser, ambos questionam outro gato sobre atum desaparecido em um estilo que claramente evoca O Poderoso Chefão, com trilha sonora alusiva ao filme de Coppola.
Este tipo de parceria — onde um ator faz um henchman de caráter moral questionável e o outro faz o antagonista potencial — nunca funcionaria no MCU. A estrutura heroica do universo Marvel exige que Ruffalo mantenha o Hulk como um Vingador, ainda que complexo. Em Gatto, ele pode explorar um personagem preso em um sistema que o explora, sem as amarras de ser parte de um time de salvadores do mundo. Fishburne, por sua vez, ganha espaço para caracterizar um vilão sem precisar resolver arcos de redenção futura, já que está fora do universo expandido de Marvel.

A volta de Veneza como estranheza criativa na Pixar
A escolha de ambientar Gatto em Veneza, Itália, com iconografia de crime organizado, é radicalmente diferente do repertório recente da Pixar. O diretor Enrico Casarosa, responsável por Luca — que também usava Itália como cenário — parece estar experimentando tons mais adultos e sombrios aqui. A sinopse revela que Nero questiona “se viveu as vidas certas” e está “em dívida com Rocco”, sugerindo uma narrativa sobre propósito, redenção pessoal e alinhamento moral num contexto de corrupção sistêmica.
Este é um salto criativo ousado para um estúdio que se consolidou com histórias sobre brinquedos, monstros e emoções abstratas. Gatto traz misoginia, hierarquia criminal, subordinação e culpa como temas centrais — tudo embrulhado em corpos de gatos. A presença de Ruffalo e Fishburne funciona não apenas como marketing, mas como sinal de que a Pixar está apostando em diálogos densos e performances vocais que exigem atores com peso narrativo acumulado.
O contexto de talentos crescentes na voz de animação
A Pixar acelerou recentemente o recrutamento de estrelas consolidadas para seus projetos. Meryl Streep e Dave Franco foram anunciados para Hoppers este ano, sinalizando que o estúdio não vê mais a voz de animação como um complemento de carreira, mas como espaço legítimo de atuação. Ruffalo e Fishburne seguem esta tendência, mas com um diferencial: ambos trazem história de superhero franchises, o que adiciona uma camada de ironia à escolha de deixá-los em um projeto completamente alheio ao universo Marvel.
Gatto estreia em 5 de março de 2027, depois de Toy Story 5, que chega neste verão. O filme será a chance de a Pixar consolidar uma nova frente criativa: animações com tonalidade adulta, elencos de peso, e roteiros que tratam seus personagens como moralmente ambíguos, não como arquétipos heroicos.
Fonte: thedirect.com