Os cinemas americanos transformaram a campanha de lançamento de Toy Story 5 em um torneio de criatividade com baldes de pipoca. Mas essa não é a típica experiência de marketing: AMC, Regal, Cinemark e Disney Parks estão usando os recipientes como objetos colecionáveis sofisticados, com detalhes interativos que rivalizam com brinquedos de verdade. O fenômeno revela uma estratégia que vai além da venda de snacks — é sobre criar razões tangíveis para retornar ao cinema em um momento em que o público procura experiências, não apenas filmes.

Como um simples balde virou motivo para ir ao cinema
A tendência de baldes colecionáveis começou como experimentação das redes de cinema, mas Toy Story 5 amplificou isso para um nível que desafia a categoriação entre merchandise e souvenir. O filme estreia em 19 de junho, e o interesse nos baldes já supera as expectativas típicas de produtos cinema. A razão é simples: esses objetos mantêm a proposta central da franquia — a magia de brinquedos ganharem vida — mas agora fora da tela.
A estratégia funciona porque Toy Story 5 aborda um conflito contemporâneo que ressoa com pais e colecionadores: a competição entre brinquedos tradicionais e tecnologia. No filme, um tablet em forma de sapo chamado Lilypad ameaça substituir os brinquedos antigos na vida de Bonnie. Ironicamente, os baldes de pipoca resolvem esse conflito de forma prática — transformam um ato de consumo passivo (comer pipoca) em posse de um objeto que celebra a materialidade dos brinquedos.
A disputa entre as redes de cinema pela criatividade
A AMC apostou em design minimalista com seu balde Buzz Lightyear inspirado na embalagem original do personagem. O recipiente apresenta um foguete roxo e branco com a figura de Buzz visível pela janela da cabine. Custará entre 30 e 45 dólares. A mesma rede oferece também o combo “Blind Ball”, que referencia a icônica bola azul e amarela da franquia, incluindo pipoca pequena, refrigerante e pinos misteriosos de personagens como Woody, Jessie, Rex e até Lilypad (preço entre 18 e 25 dólares).
A Regal elevou o nível ao integrar funcionalidade ao design: seu balde exclusivo em forma do traje completo de Buzz Lightyear Space Ranger apresenta asas retráteis e capacete aberto-fechável com lâmpada embutida. Comporta 130 onças de pipoca e custa 44,95 dólares na compra online ou 49,99 dólares no balcão. Existe também um Collectible Combo menor por 25,99 dólares com topo de personagem removível.
A Cinemark priorizou variedade em vez de um único destaque: oferece tins (latas) com designs de Woody, Jessie com Bullseye e Forky, além de Lilypad. Um acessório que chama atenção é o copo térmico de Buzz Lightyear por 16,95 dólares com tampa tipo domo. A rede também vende um cobertor com o elenco completo de brinquedos, expandindo a oferta além de comida.

Onde encontrar sem sair de casa
Nem todos os baldes ficam restritos aos cinemas. A Walmart lançou uma versão exclusiva com Buzz Lightyear em 3D por 35 dólares — primeira vez que um balde de pipoca temático da Disney é vendido fora das salas de cinema. Compradores ganham um voucher Fandango de 15 dólares para usar em ingressos de Toy Story 5.
A Disney Parks, por sua vez, não segue o padrão de cinema. Seu Bullseye em forma de balde é uma escultura totalmente articulada com pernas móveis e cauda, abrindo pela área da sela. O design é tão elaborado que colecionadores o descrevem como um brinquedo premium mascarado de recipiente. Estreia no Disneyland Resort em 18 de junho, custando aproximadamente 40 a 45 dólares.
Por que isso importa além da nostalgia
A proliferação de baldes colecionáveis revela uma mudança no mercado de cinema pós-pandemia: salas competem não apenas pela qualidade do filme, mas pela experiência completa de ir ao cinema. Esses objetos físicos funcionam como extensão narrativa — o público leva para casa um pedaço tangível do universo de Toy Story, em vez de apenas memórias.
Para a Pixar, é uma aposta calculada. A franquia sempre esteve sobre a relação emocional com objetos inanimados. Agora, os cinemas transformam essa premissa em razão comercial para retornar às salas — especialmente relevante num momento em que streaming dilui a urgência de presença física. O fato de múltiplas redes oferecerem opções diferentes (design elegante na AMC, interatividade na Regal, acessibilidade na Walmart) sugere que o mercado reconheceu o potencial dessa estratégia e está escalando-a como arma competitiva.
Fonte: thedirect.com