Milly Alcock sugeriu que sua versão de Supergirl é “provavelmente bissexual” durante a divulgação do filme, mas a atriz não confirmou oficialmente que Kara Zor-El tenha essa orientação sexual no novo DCU. O filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026. A declaração gerou confusão porque, como frequentemente ocorre com personagens de super-heróis, a comunidade LGBTQIA+ encontrou espaço para ver a si mesma em uma heroína construída para estar fora dos padrões heteronormativos — mas isso não significa que o filme tenha canonizado a orientação de Kara.
Resumo rápido
- Milly Alcock apoiou interpretações queer do personagem, mas sem confirmação oficial da DC
- Supergirl (2026) não centra a narrativa em interesse amoroso de qualquer natureza
- A comunidade LGBTQIA+ há anos vê potencial queer em diferentes versões de Supergirl nos quadrinhos e na série Supergirl da CW
- Nos quadrinhos alternativos, existem versões lésbicas comprovadas da personagem
O que Milly Alcock realmente disse
Em declaração ao site Variety durante a semana do Mês do Orgulho LGBTQIA+, Alcock afirmou que pensa que Supergirl é “uma representação genuína do que uma mulher moderna pode ser” e que ama como o filme “não gira em torno de nenhum tipo de amor ou romance”. A frase que circulou amplamente — “ela provavelmente é bi” — reflete a interpretação pessoal da atriz sobre o caráter, não uma decisão criativa confirmada no roteiro.
Quando perguntada por que tantos fãs queer se veem em Kara, Alcock respondeu: “Acho que é porque ela não vive dentro do binário do que pensamos que uma mulher deveria ser”, e acrescentou que ela própria “teve esse tipo de interpretação também” sobre o personagem. Mas também é importante notar: Alcock deixou claro que não discutiu isso com os roteiristas, então não é algo que possa ser tecnicamente considerado canônico ou garantido em futuras aparições.

Por que Supergirl virou ícone queer
A conexão entre Supergirl e a comunidade LGBTQIA+ não começou com o filme de 2026. Fans da série Supergirl da CW desempenharam um papel massivo em interpretar queer o relacionamento entre Kara Danvers e Lena Luthor ao longo de toda a série, a ponto de chamar parte da escrita de “queerbaiting”. A série inteira operava em um espaço onde a comunidade queer enxergava um subtexto buscado e intencionalmente ignorado pelos criadores.
Nos quadrinhos, a personagem tradicional não é abertamente bissexual, tendo, na maioria das vezes, relacionamentos com homens, especialmente com o Brainiac 5. Mas a DC criou, ao longo dos anos, versões alternativas que exploram explicitamente a sexualidade de Kara de forma diferente. Em “The Dark Knights of Steel”, uma releitura medievalista de personagens DC, Supergirl foi colocada em um relacionamento romântico com a Mulher-Maravilha.
Nessa série limitada, uma versão de Supergirl chamada Zala-El, que se parece um pouco com Power Girl, é estabelecida como estando em um relacionamento amoroso com a Princesa Diana. Zala é uma guerreira formidável da Casa de El e namorada da Princesa Diana, e sua interpretação de Supergirl subiu ao topo das listas de popularidade graças ao seu design tomboyish de princesa e ao fato de ser um ícone LGBTQ+.
A diferença entre interpretação e canonização
A questão central que o feed original obscurecia é esta: não há confirmação oficial de que Kara Zor-El, no DCU 2026 dirigido por Craig Gillespie, é bissexual. O que existe é uma atriz dizendo que ela, pessoalmente, pensa que o personagem teria essa potencialidade — uma diferença crucial. No filme, Supergirl viaja pela galáxia em uma busca de vingança, e nada disso envolve romance de qualquer tipo.
A interpretação de Alcock funciona mais como reconhecimento da agência da comunidade queer: ela está dizendo que compreende por que pessoas LGBTQIA+ se identificam com um personagem que não segue padrões impostos às mulheres. Supergirl, nessa lógica, é queer não porque tenha um relacionamento com outra mulher confirmado no filme, mas porque recusa o script tradicional do que uma heroína “deve” ser. É subtexto como comportamento, não como romance.
O que isso significa para o futuro
James Gunn confirmou em maio de 2026 que Alcock teria um papel importante no futuro do DCU além de seu retorno em “Um Novo Dia” (Man of Tomorrow, 2027). Isso deixa abertura teórica para que a sexualidade de Kara seja explorada canonicamente em futuros projetos — mas, por enquanto, nenhuma decisão criativa oficial foi comunicada. A resposta honesta é: a orientação sexual de Supergirl segue indefinida no novo Universo DC, e as sugestões de Alcock refletem mais uma solidariedade com a comunidade queer do que um anúncio de mudança narrativa.
Fonte: observatoriodocinema.com.br

