O novo Street Fighter acaba com dois fracassos do cinema: coloca Ryu como protagonista real pela primeira vez e o trata como o jogo sempre fez. Takayuki Nakayama, diretor de Street Fighter V e VI e consultor da adaptação pela Capcom, confirmou que Andrew Koji recebeu instruções claras para construir um Ryu fiel à série, e o ator respondeu com pesquisa genuína sobre o personagem.
Como os filmes anteriores conseguiram erra em Ryu
O problema começou em 1994. Jean-Claude Van Damme ganhou espaço central como Guile enquanto Ryu virou figurante com uma versão irreconhecível: um vigarista envolvido em negociações ilegais, sem nenhuma semelhança com o lutador de rua humilde e disciplinado dos jogos. Não era só questão de tela — era questão de identidade.
Em 2009, Street Fighter: A Lenda de Chun-Li nem tentou. Ryu sequer apareceu na trama principal, reduzindo o personagem-símbolo da franquia a ausência num filme que deveria celebrá-lo. Quando você ignora quem é o rosto da série nos games, o resultado é um filme que não sabe quem está adaptando.
O tratamento que Koji construiu para o novo protagonista
A mudança começa pelo método. Segundo Nakayama, Koji não decorou diálogos — internalizou o personagem. A frase que resume a abordagem apareceu em entrevista à Game Informer: “O que Ryu faria?” O ator pensava nessa pergunta antes de cada cena. Isso é o oposto do que Van Damme fez em 1994, quando construiu uma versão hollywoodiana de um personagem que não existia nos games.
O novo filme, dirigido por Kitao Sakurai (Twisted Metal) e roteirizado por Dalan Musson (Capitão América: Admirável Mundo Novo), apresenta Ryu como campeão aposentado do Torneio Mundial dos Guerreiros que sai da inatividade para enfrentar uma conspiração liderada por M. Bison. É narrativa simples, mas é narrativa que o coloca no centro, não à margem.
O elenco carrega o peso de uma franquia que merecia respeito há 30 anos
Noah Centineo como Ken, Callina Liang como Chun-Li, Jason Momoa como Blanka e David Dastmalchian como M. Bison formam um elenco que sinaliza investimento real. Adicione Roman Reigns como Akuma e Cody Rhodes como Guile — wrestling e cinema em um projeto que precisa provar que videogame adaptado não precisa ser piada. A Legendary e Paramount não colocam esse calibre de atores em um refilme descuidado.
O projeto ainda promete cerca de 100 referências aos jogos segundo os atores envolvidos — easter eggs que funcionam como contrato com fãs: “Nós conhecemos o que você ama.” Em 1994 e 2009, essa conversa nunca aconteceu.
Por que agora é diferente
A diferença material entre esses filmes é uma: o consultor da Capcom no set. Quando um desenvolvedor de jogos está no estúdio durante a produção, a adaptação deixa de ser especulação de roteirista sobre “o que o público quer” e passa a ser orientação direta do criador original sobre “quem esses personagens realmente são.” Nakayama não está lá para aprovar, está lá para corrigir desvios.
Ryu não será Van Damme. Não será invisível. Será o que deveria ter sido desde o início: o lutador que aprende com a derrota, que respeita os adversários e que luta por razões maiores que ganho pessoal. Se a adaptação entregar isso com Koji no centro da tela, terá acertado onde 30 anos de cinema erraram.
Street Fighter estreia nos cinemas em 15 de outubro.
Fonte: observatoriodocinema.com.br


