Spielberg fecha trilogia alienígena em Dia D, revela Josh O’Connor

Josh O’Connor revelou que Dia D funciona como o terceiro filme de uma trilogia temática envolvendo Steven Spielberg e a ficção científica alienígena — após Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. – O Extraterrestre. O ator, que interpreta um denunciante em fuga na produção, explicou em entrevista à GamesRadar+ como enxerga a conexão entre os projetos, mesmo que separados por décadas.

Como Josh O’Connor vê Dia D como parte de uma trilogia?

Segundo O’Connor, existe um fio condutor que une os três filmes além de simplesmente envolver extraterrestres. O ator afirmou: “Não quero falar por Steven, mas acho que existe um elemento de ele ser o terceiro de uma espécie de trilogia: Contatos Imediatos, E.T. e este. Obviamente, Guerra dos Mundos também entra nessa conversa, mas Steven já falou sobre esses três.” A leitura do ator sugere que Spielberg retorna a um território temático que o define — não invasões brutais, mas encontros que transformam a percepção humana sobre o desconhecido.

Essa interpretação é interessante porque coloca Dia D não como uma sequência direta, mas como um eco temático. Spielberg nunca tratou esses filmes como universo compartilhado — cada um existe em seu próprio contexto narrativo. O que O’Connor identifica é a obsessão do diretor com a revelação do alienígena como catalisador emocional, seja através do maravilhamento (Contatos Imediatos), da empatia (E.T.) ou, no caso de Dia D, do caos e da possessão.

Cena do filme Dia D com atores em cenário de desembarque, trilogia alienígena de Spielberg
(Reprodução / Estúdio)

O que muda em Dia D em relação aos clássicos de Spielberg?

Dia D marca um desvio visual e tonal significativo. Enquanto Contatos Imediatos priorizava a fascinação e E.T. a ternura, o novo filme parece explorar o lado perturbador do fenômeno. As cenas divulgadas mostram Emily Blunt possuída por uma entidade desconhecida, com comportamentos fora de controle — sugerindo que o tom é mais próximo a um thriller de possessão do que um drama humanista.

O elenco reflete essa mudança de atmosfera. Além de Blunt, participam Josh O’Connor (seu personagem Daniel Kellner é um denunciante em fuga), Colin Firth e Colman Domingo. A presença desses atores em papéis de paranoia e segredo corporativo indica que Spielberg está menos interessado em maravilhamento infantil e mais em conspiração estatal — um reflexo de preocupações contemporâneas com governo encoberto.

Por que Dia D chega em um momento tão específico?

O timing da produção não é coincidência. Dia D estreia em 11 de junho em meio a uma retomada real do debate sobre objetos voadores não identificados. Recentemente, o Congresso dos Estados Unidos realizou audiências sobre fenômenos aéreos não identificados, e o Pentágono divulgou novos documentos sobre o tema. O’Connor reconheceu essa convergência: “É uma coisa surreal. É uma coisa realmente estranha. Mas é legal que exista essa sensação em torno do filme.”

O roteirista David Koepp já se apressou em negar que o projeto faria parte de algum plano real para revelar informações sobre extraterrestres — mas o fato de precisar negar isso mostra como a ficção e a realidade se entrelaçaram em torno do lançamento. Isso pode funcionar como vantagem de marketing: o filme não apenas entretém, mas toca uma ferida cultural aberta por relatórios oficiais e depoimentos congressionais recentes.

Josh O'Connor em cena de Dia D, terceiro filme da trilogia alienígena de Spielberg
(Reprodução / Estúdio)

Qual é a relevância de Spielberg retornar ao tema alienígena agora?

A carreira de Spielberg nos últimos 15 anos se afastou de ficção científica pura. Seus últimos projetos foram dramas históricos (Lincoln, Os Fabelmans) e thrillers políticos (O Espião), deixando o gênero de ficção científica em segundo plano. Dia D pode representar um retorno consciente a um território que o tornou lenda — mas com a maturidade de um diretor que agora questiona, ao invés de maravilhar-se.

A trilogia que O’Connor identifica também revela evolução. Contatos Imediatos (1977) era otimista sobre comunicação intergaláctica. E.T. (1982) humanizava o alienígena, tornando-o vítima. Dia D pode estar explorando o pior cenário: alienígenas não como amigos ou vítimas, mas como invasores silenciosos que infiltram a sociedade. É o Spielberg do século 21 — desconfiado de instituições, atencioso com conspirações, e menos inocente sobre a natureza do desconhecido.

Dia D chega aos cinemas brasileiros em 11 de junho.

Fonte: observatoriodocinema.com.br

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