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Musical sobre o 11 de setembro, ‘Vindos de Longe’ estreia em São Paulo

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Come From Away abriu na Broadway em março de 2017 e venceu três prêmios Laurence Olivier Awards em 2019, incluindo Melhor Musical, consolidando-se como um fenômeno global que ainda ressoa com força em 2026. Vindos de Longe chega como uma das principais apostas do teatro musical em 2026 e marca a reabertura do Teatro Ruth Escobar com classificação indicada para 10 anos. O musical estreia hoje, 26 de junho, no Teatro Ruth Escobar, ficando em cartaz até 2 de agosto.

Resumo rápido

  • Estreia: 26 de junho de 2026 no Teatro Ruth Escobar
  • Permanência: até 2 de agosto
  • Duração: 100 minutos
  • Elenco: 16 atores em múltiplos papéis, incluindo Andrezza Massei, Thais Piza, Bruno Narchi, Davi Novaes e Saulo Vasconcelos
  • Ingressos: R$ 40 a R$ 350, via Ticketmaster e bilheteria física

Por que o luto canadense importa agora

A história que Vindos de Longe dramatiza é a de 38 aviões que foram forçados a pousar em Gander, Terra Nova, durante a semana seguinte aos ataques de 11 de setembro, quando aproximadamente 7 mil passageiros foram desviados inesperadamente. Mas o musical não é sobre o atentado; é sobre o oposto. Enquanto o pior da humanidade se mostrava em Nova York, uma pequena cidade deu boas-vindas ao mundo numa época tão trágica.

O que a obra faz é raro: transforma uma semana de caos em celebração. Os personagens são baseados em residentes reais de Gander e nos viajantes retidos que eles hospedaram e alimentaram. O título vem da expressão “come from aways”, que é o apelido que os habitantes de Terra Nova dão aos não-locais – algo como “forasteiros”. O musical inverte isso: os forasteiros que chegam com medo viram testemunhas de um ato de generosidade tão genuíno que redefine o que significa comunidade.

A reabertura de um palco histórico como símbolo

Para o Brasil, Vindos de Longe marca a inauguração da primeira parte da revitalização do Teatro Ruth Escobar, que sob nova gestão da produtora VME inclui planos para criação de novas áreas de convivência e renovação de três salas de espetáculo. O timing não é acidental. A produção marca a reabertura da Sala Dina Sfat, reforçando o retorno do Teatro Ruth Escobar ao circuito dos grandes espetáculos da cidade.

Existe uma camada de ironia editorial aqui: um musical sobre a reação humana a uma crise global e o acolhimento em tempos incertos estreia exatamente quando um espaço cultural paulista renascer. A trilha sonora é contagiante e um ritmo incessante que prende a atenção do início ao fim, e mais do que um musical sobre um evento histórico, Vindos de Longe é uma celebração da bondade e do acolhimento.

Quem dirige e qual é a estrutura narrativa

Rafael Gomes, reconhecido por trabalhos como “Um Bonde Chamado Desejo” e “Hamlet, Sonhos Que Virão”, dirige a montagem brasileira que reúne 16 atores que se revezam em múltiplos personagens. O elenco de 16 atores se reveza em diversos personagens, reforçando o ritmo dinâmico e coral que caracteriza a obra. O elenco anunciado inclui Neusa Romano, Nábia Villela, Luiza Porto, Andrea Marquee, Isaac Belfort, Rodrigo Miallaret, Eduardo Leão, Enrico Verta, Rupa, Ana Araújo e Bia Castro.

Essa estrutura de múltiplos papéis é central para a identidade da obra. Não é apenas economia de produção; é linguagem dramatúrgica. Quando o mesmo ator transita entre um passageiro assustado e um residente canadense solidário, o público experimenta a dissolução de fronteiras que a narrativa tenta cultivar – a ideia de que, em momentos de crise, a diferença entre “nós” e “eles” desaparece.

O que esperar quando a cortina abrir

A história real da pequena cidade de Gander que recebe 38 aviões e mais de 7 mil passageiros após o fechamento inesperado do espaço aéreo constrói uma narrativa sobre acolhimento, humanidade e conexão entre pessoas desconhecidas. O musical é uma obra de um ato com 100 minutos – sem intervalo para respirar, sem pausa para se recuperar emocionalmente.

Fenômeno de público e crítica no exterior, Come From Away já foi apresentado em mais de 10 países, acumulando reconhecimento em premiações importantes, incluindo vitórias no Olivier Awards e múltiplas indicações ao Tony Awards. A essa altura de 2026, o musical virou prova de que histórias sobre solidariedade humana ainda vendem bilhetes, ainda comovem e ainda encontram espaço nos palcos em tempos fragmentados.

Serviço e ingressos

Local: Teatro Ruth Escobar (Sala Dina Sfat) – Rua dos Ingleses, 209, Bela Vista, São Paulo

Temporada: 26 de junho a 2 de agosto de 2026

Horários: Quinta e sexta às 20h30; sábado às 17h e 20h30; domingo às 17h. Sessão fechada no dia 1º de julho; quintas a partir de 2 de julho, exceto 30 de julho; sem sessão no dia 31 de julho

Ingressos: R$ 40 a R$ 350, disponíveis via Ticketmaster (online) ou bilheteria física do Teatro Ruth Escobar, aberta terça a domingo das 14h às 20h, ou até o horário das sessões

Fonte: rollingstone.com.br

Mat Piscatella เผยยอดขายเกมแบบแผ่นในสหรัฐฯ โตครั้งแรกในรอบ 17 ปี

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Entendi o protocolo. Você quer que eu transforme um feed em tailandês sobre vendas de jogos em mídia física em um post editorial premium para o Salada de Cinema.
Porém, preciso fazer uma observação crítica antes de começar:
Este feed é sobre indústria de videogames e mercado de mídia física (discos de jogos), não sobre cinema ou cultura pop audiovisual. O Salada de Cinema é um site focado em crítica de cinema, séries e cultura pop visual.
A pauta sobre “vendas de jogos em disco crescem pela primeira vez em 17 anos” pertence mais a um site de games/tecnologia do que a um site de crítica de cinema.
Você quer que eu:
1. Proceda com o post mesmo assim, criando um ângulo que conecte isso a cinema/audiovisual (ex: “como a transição do físico para digital afeta também a indústria audiovisual”)?
2. Ou você quer que eu aguarde um feed que seja realmente sobre cinema/séries para aplicar todo esse protocolo editorial?
Deixe claro qual é a intenção e eu procedo com web_search + redação premium no padrão solicitado.

Fonte: observatoriodocinema.com.br

Grand Theft Auto VI é confirmado PS5 Pro Enhanced: tudo sobre preço, lançamento e o mistério dos 60 fps

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Grand Theft Auto VI será oficialmente PS5 Pro Enhanced quando lançar em 19 de novembro de 2026, confirmado pela listagem oficial da PlayStation Store. Mas a confirmação do rótulo não resolve a maior dúvida da comunidade: se o console poderá entregar 60 quadros por segundo estáveis, uma expectativa que divide jogadores desde os trailers iniciais.

Resumo rápido

  • Lançamento confirmado para 19 de novembro de 2026
  • Será uma experiência single-player no lançamento
  • Preço no Brasil: R$ 449,90 para a edição padrão
  • Versão física virá com código de download, sem disco
  • PS5 terá DualSense com haptic feedback, áudio Tempest 3D e praticamente sem telas de loading

A expectativa de 60 FPS que ninguém confirma

Desde que os trailers de Grand Theft Auto VI começaram a circular, uma questão técnica persegue a comunidade: o PS5 Pro conseguirá rodar a jogo em 60 quadros por segundo? Muitas pessoas compraram um PS5 Pro para ter certeza de que viveriam o jogo em sua melhor forma, mas agora, graças à listagem atualizada da PlayStation Store, isso deixou de ser uma questão sem resposta oficial — embora ainda se possa apenas adivinhar o que está por vir.

A realidade é que nenhuma meta de taxa de quadros ou otimização foi revelada para GTA 6. Rockstar Games e Sony mantêm silêncio estratégico sobre os números. Digital Foundry analisou ambos os trailers e concluiu que um modo de Performance com 60 fps é improvável, mesmo no PS5 Pro, porque o processador de ambos os modelos permanece praticamente idêntico ao de 2019. Mas um modo de 40 fps em taxas de atualização mais altas é uma possibilidade real, oferecido por vários títulos grandes de PS5 como um meio termo.

Contradizendo essa análise técnica, insiders sugerem que GTA 6 será otimizado para 60 frames por segundo apenas no PlayStation 5 Pro, com a GPU poderosa e a tecnologia PSSR 2.0 permitindo ao console entregar gráficos máximos sem sacrificar desempenho. Um varejista brasileiro também afirmou que as melhorias PS5 Pro incluem taxas de quadros e resolução mais altas, embora isso deva ser recebido com cautela até que outras lojas ou a Sony confirme.

Preço e edições: Brasil já sabe quanto custará

Grand Theft Auto VI custará R$ 449,90 para a edição padrão no Brasil. Rockstar Games oferece duas versões principais: a Standard e a Ultimate. No Brasil, os preços devem ficar em torno de R$ 440 e R$ 550, respectivamente. Jogadores que pré-encomendarem antes de 20 de novembro de 2026 através da PlayStation Store recebem um mês de GTA+ sem custo adicional.

Um detalhe importante para quem prefere mídia física: em vez do disco tradicional, os compradores encontrarão um código impresso que deverá ser resgatado nas lojas virtuais da Sony e da Microsoft. Isso garante que ninguém conseguirá rodar o jogo antes de 19 de novembro, o que também define Rockstar em um caminho diferente de suas práticas anteriores.

O mundo aberto que carece de sua comunidade online

Grand Theft Auto VI será uma experiência single-player no lançamento. Este é o ponto que poucos destacam: apesar de todo o investimento em mapa, narrativa e mecânicas, GTA 6 Online não estará disponível no dia do lançamento, chegando inicialmente como experiência exclusivamente single-player, sem data confirmada para quando o modo online será incorporado.

Isso ecoa o lançamento de Grand Theft Auto V em 2013, quando o jogo saiu sem GTA Online, que depois se tornou um fenômeno cultural. Rockstar está apostando em cenário oposto: um mundo aberto monumental, two protagonistas — Lucia e Jason — em uma narrativa criminal que promete maior integração entre os personagens, mas um mapa essencialmente vazio de outros jogadores pela primeira vez.

Tecnologia PlayStation como diferencial, não como promessa

Jogadores PS5 experimentarão haptic feedback responsivo do DualSense, com vibrações reagindo a ações dos jogadores e efeitos ambientais em Leonida e Vice City, além de suporte para áudio Tempest 3D, que oferece posicionamento de áudio mais preciso em todo o mundo.

Sony anuncia “tempos de carregamento praticamente instantâneos” para GTA 6 no PS5, alimentado pelo SSD de velocidade ultra-alta do console. Este é talvez o maior diferencial real para o jogador comum: não é gráfico, é uma experiência completamente diferente de explorar um mapa gigante sem esperar telas de carregamento — algo que Define a geração de console em que estamos.

Mas há uma nuance importante: a versão PS5 Pro também carrega uma designação de desempenho aprimorado além de tudo o que está acima, o que significa que, embora todos os recursos de som e háptica funcionem em ambos os modelos PS5, o Pro tem promessas de algo mais — mesmo que ainda indefinido tecnicamente.

O que fica em aberto

Rockstar Games alcançou algo raro: construiu antecipação massiva sem responder às perguntas técnicas mais básicas. Em 2026, quando a maioria dos estúdios detalha especificações, fps e modo gráfico com meses de antecedência, Rockstar guarda segredo. Isso pode ser estratégia de marketing — deixar que o mistério aumente a venda de PS5 Pro — ou prudência: talvez os números finais ainda não estejam fechados.

O que é certo: em 19 de novembro, o Brasil terá acesso simultâneo a um dos eventos de gaming mais significativos da década. E apenas nesse dia descobriremos se Grand Theft Auto VI no PS5 Pro é realmente o jogo de 60 fps que a comunidade pediu, ou se a promessa técnica continua sendo apenas esperança sem confirmação.

Fonte principal: observatoriodocinema.com.br. Informações complementares: PlayStation Store oficial, Rockstar Games, Digital Foundry, Tecnoblog, CNN Brasil, Adrenaline.

‘Apenas Coisas Boas’, do diretor de ‘Vento Seco’, estreia nos cinemas

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Apenas Coisas Boas, de Daniel Nolasco, chega aos cinemas nesta quinta-feira, 25 de junho, na semana em que é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ — uma coincidência estratégica que revela mais do que parece. Nolasco nasceu em Catalão, no interior de Goiás, e escolheu filmar seu primeiro longa de ficção justamente nessa cidade, criando um espelho perturbador entre o lugar de origem e o cenário de repressão que a narrativa exibe. Não é apenas um filme que chega aos cinemas: é uma volta do diretor à sua própria geografia, carregada de outras intenções.

Resumo rápido

  • Estreia: 25 de junho de 2026 nos cinemas
  • Duração: 1h 44min
  • Classificação: 18 anos
  • Elenco principal: Lucas Drummond, Fernando Libonati, Liev Carlos
  • Gênero: Drama queer ambientado em 1984

O cenário: um estado conservador como pano de fundo

A produção narra o encontro entre dois homens que se apaixonam e ficam juntos por mais de 40 anos, tendo Goiás—um dos estados mais conservadores do Brasil—como cenário. A narrativa se passa em 1984, numa região rural de Batalha das Neves, onde Antonio vive isolado, cuidando de sua pequena fazenda. Quando seu destino cruza com Marcelo, um motoqueiro solitário que sofre um acidente na estrada e é acolhido por Antônio, a isolação do personagem se quebra — mas a geografia continua marcada pela repressão que o filme nunca verbaliza completamente.

A linguagem do silêncio: como Nolasco construiu sua assinatura

Exibido na mostra competitiva do Olhar de Cinema, o longa inscreve-se no coração de um cinema queer que se recusa à exuberância e prefere o caminho da contenção, sendo um filme sobre o não-dito, o gesto suspenso, o corpo que deseja e resiste — e o faz sob o signo rigoroso da influência de Robert Bresson. Este não é um ato de recusa ao erotismo, mas de recusa à dramatização óbvia. Nolasco filma seus atores com frieza metódica e imensa delicadeza, extraindo deles uma fisicalidade discreta, quase antinaturalista, mas extremamente expressiva.

A abordagem vem diretamente de seus trabalhos prévios. Antes de Vento Seco, Nolasco dirigiu Mr. Leather, onde adentra a fundo no mundo do fetiche para mostrar os bastidores do concurso Mr. Leather 2018 — um documentário que não explicava, mas observava. Em seus filmes, o erotismo nunca aparece como provocação gratuita: é forma, é organização do olhar. Em Apenas Coisas Boas, essa naturalidade do explícito atinge talvez seu estágio mais depurado, e Nolasco filma com frieza metódica e imensa delicadeza.

Lucas Drummond e o peso do primeiro protagonista

O filme estreia com Lucas Drummond em seu primeiro protagonista de longa-metragem. Mas como o ator revelou em entrevista, isso não foi um prêmio caído do nada. Antes de Antônio, o ator carioca já havia passado por teatro, curtas, séries, roteiro e produção, e sua carreira não foi construída apenas à espera de escalações.

Antônio exige contenção e tempo de observação, e em Antônio o silêncio não é ausência de informação: é um modo de existir. O personagem carrega o ritmo rural da Catalão dos anos 1980 — um tempo dilatado, sem pressa. O filme insere Lucas dentro de gêneros historicamente filmados com outros corpos e outros desejos em primeiro plano: o faroeste e o policial, sendo uma raridade fazer um filme que trabalha esses gêneros no Brasil, e mais raro ainda em uma história de amor entre dois homens no Cerrado.

A estratégia de circuito: quando o cinema de festival encontra a sala comercial

Após circular por festivais internacionais, Apenas Coisas Boas chega ao teste mais difícil para boa parte do cinema LGBTQIA+ brasileiro: encontrar espaço no circuito comercial, principalmente porque ainda vivemos num mundo cheio de preconceitos. O lançamento nacional mais amplo está previsto para 2026, quando o filme deve alcançar novas plateias e continuar provocando diálogos sobre desejo, masculinidade, imaginação queer e a potência do afeto no campo.

A data de estreia — 25 de junho, dias antes do Dia do Orgulho no Brasil — não é acaso. É um gesto de visibilidade deliberada, mas também uma provocação: colocar em salas comerciais um filme que habita o interstício entre desejo e contenção, que recusa o grito para preferir o sussurro. Com este filme, Daniel Nolasco afirma sua voz como um dos principais nomes do cinema queer brasileiro, e dá um salto formal.

O que fica em aberto

Apenas Coisas Boas é uma meditação sobre o tempo, cuja narrativa se fragmenta, se dobra, se reconstrói por múltiplas temporalidades, onde o desejo não é linear, a memória não é confiável, e o que fica é a impressão de um encontro que jamais se completa, mas que altera para sempre a paisagem interior de seus protagonistas. Sua verdadeira conquista não é contar uma história de 40 anos em 104 minutos, mas documentar como o silêncio de homens reprimidos se torna o próprio cinema. Nolasco filma a volta para casa como um ato radical.

Fonte: rollingstone.com.br

X-Men ’97: Marvel promete acabar com maior problema da série

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X-Men ’97 enfrenta uma prova de fogo em 2026: Larry Houston confirmou que a Marvel Animation está comprometida com pelo menos quatro temporadas da série e prometeu que o tempo de espera entre a estreia da segunda temporada para a terceira será bem menor. Segundo Houston, agora haverá apenas um ano entre as temporadas, não dois anos e três meses. Mas a promessa de velocidade esconde uma realidade menos confortável: a série animada já perdeu seu criador original e enfrentou reescritas que revelam fraturas criativas profundas.

Resumo rápido

  • 2ª temporada estreia em 1º de julho de 2026 com 9 episódios, finalizando em 12 de agosto
  • Marvel confirmou renovação para 3ª e 4ª temporadas com lançamentos anuais
  • Equipe revisou todos os roteiros da terceira temporada além do material já produzido da quarta
  • Novo showrunner Matthew Chauncey substitui Beau DeMayo após a Marvel ter demitido o roteirista original

O calendário acelerado esconde mudanças estruturais

O hiato atual superou dois anos, e de acordo com Houston, os problemas de produção não vão acontecer novamente porque houve um enorme intervalo entre a primeira e a segunda temporada e a Marvel aprendeu a lição, então isso não acontecerá com a terceira e quarta temporadas. Essa explicação, porém, simplifica excessivamente o que realmente atrasou a série.

X-Men ’97 estreou em 20 de março de 2024 com seus dois primeiros episódios, com o resto da primeira temporada de dez episódios sendo lançado semanalmente até 15 de maio. A segunda temporada está prevista para 1º de julho de 2026 — mais de dois anos depois. Mas o atraso não foi apenas questão de prazos de animação. DeMayo havia terminado de escrever a temporada quando foi demitido em março de 2024, e os roteiros da temporada teriam sido revisados e reescritos até julho daquele ano, com Chauncey supervisionando as reescritas.

Beau DeMayo era mais que um roteirista: era a voz criativa

A Marvel desligou DeMayo em março de 2024 e contratou Matthew Chauncey em julho para substituí-lo. Chauncey, roteirista da primeira série animada da Marvel Studios, What If…?, foi contratado em julho de 2024 para substituir DeMayo como roteirista principal. O que Houston não menciona é que essa troca exigiu reescrever materiais já finalizados — uma operação que por si só consome meses de produção.

A história de DeMayo é complicada. A Marvel disse que DeMayo foi demitido após uma investigação que levou a descobertas “graves”, que supostamente envolviam má conduta sexual. Mas a troca criativa deixou uma marca: A segunda temporada de X-Men 97 tem contribuições suas para a história, já que ele já havia ajudado no roteiro antes de ser demitido, criando uma situação narrativa complexa onde o produto final é uma mistura de intenções criativas conflitantes.

Cronograma paralelo vs. sequencial: a nova estratégia

A promessa de um ano entre temporadas não é acidente — é resultado de uma mudança estrutural na produção. A produção conseguiu reduzir o intervalo entre os novos episódios porque a equipe já revisou todos os roteiros da terceira temporada, além do material já produzido da quarta. Em outras palavras: em vez de terminar a 2ª e depois iniciar a 3ª, a Marvel agora trabalha nas duas simultaneamente.

Os animatics para a maior parte da terceira temporada foram criados em outubro de 2025, e concluída até maio de 2026. Isso significa que enquanto fãs assistem à 2ª temporada em julho, a 3ª já estará em fase final de animação. É eficiente, mas também revela que o cronograma anterior estava quebrado — não por negligência, mas porque a série enfrentava mudanças criativas que não permitiam velocidade.

O risco permanece: qualidade sob pressão industrial

Houston respondeu às preocupações sobre uma possível queda de qualidade dizendo “Acreditem em mim, como fã, vocês vão gostar”. Mas conforto editorial nem sempre equivale a garantia. A série ostenta o título de animação original mais assistida da história do Disney+, medida pelo total de horas transmitidas globalmente, e com tamanho legado, a pressão sobre a segunda temporada é enorme.

O novo showrunner Chauncey não tem o histórico que DeMayo cultivou na primeira temporada. A série perdeu seu criador original, seus roteiros foram reescritos em meio a investigações, e agora enfrenta prazos que, pela primeira vez, priorizam lançamento anual sobre perfeição criativa. Com o embargo de críticas levantado duas semanas antes da estreia, a série acumula 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, e a estreia está marcada para 1º de julho de 2026 com nove episódios e Apocalipse como antagonista central — sinais positivos, mas ainda assim indicativos de uma aposta industrial, não de consolidação criativa segura.

O que isso significa

A promessa de Houston funciona — a Marvel conseguiu encontrar um calendário sustentável. Mas o atraso de dois anos não foi apenas problema de prazos. Reflete mudanças criativas fundamentais, perda de liderança autoral e uma série agora inserida numa máquina de produção que exige velocidade mensal. A Marvel provou que consegue acelerar; a questão verdadeira é se conseguirá fazer isso sem perder a voz que conquistou 4 milhões de visualizações no primeiro episódio da 1ª temporada. O resultado será visto em julho — e será o teste real de se a série sobrevive à transição de criatividade singular para produção industrial.

Fonte: observatoriodocinema.com.br

Helena Solberg é homenageada na abertura da 21ª CineOP: a redescoberta de uma cineasta invisível

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Helena Solberg, cineasta brasileira nascida em 1938, é importante nome da produção documental brasileira que aborda temas políticos e questões femininas, e sua homenagem na abertura da 21ª CineOP – realizada hoje (25 de junho) em Ouro Preto – marca o reconhecimento de uma dívida de memória do cinema nacional com uma das cineastas mais influentes do Brasil que ficou anos invisível.

De única mulher do Cinema Novo à redescoberta internacional: o preço de estar fora

Helena Solberg é a única diretora mulher associada ao Cinema Novo, movimento que politizou o formalismo radical do cinema brasileiro. Mas essa singularidade veio com um custo: em histórico de preservação do cinema brasileiro, prioridade foi dada a filmes de homens, enquanto filmes feitos por mulheres foram negligenciados e mal preservados. A Entrevista, seu filme de estreia, circulou em baixa resolução até 2022, quando foi digitalizado em 2K a partir de um print de 16mm do Arquivo Nacional.

Essa invisibilidade não reflete o peso do trabalho. Em 1983, Solberg recebeu um Emmy Award por From the Ashes: Nicaragua Today, documentário sobre uma nova sociedade nascida da turbulência política na América Central. Cinco anos depois, um outro prêmio internacional: com o longa Carmen Miranda: Bananas is my Business ganhou os prêmios de melhor filme pelo júri popular, da crítica e o especial do júri no Festival de Brasília. Mas Brasil não acompanhou a trajetória.

Resumo rápido

  • Helena Solberg recebe homenagem oficial na 21ª CineOP de Ouro Preto (25-30 de junho)
  • Única mulher diretora do movimento Cinema Novo brasileiro
  • Recebeu Emmy Award em 1983 e reconhecimento internacional com Carmen Miranda (1994)
  • Retrospectiva inclui A Entrevista (1966) e Meio Dia (1970)
  • É participação da cineasta na CineOP desde 2014

Por que A Entrevista foi esquecida quando deveria ter sido canônica

A Entrevista, filme de estreia de Helena Solberg em 1966, é um marco do cinema feminista brasileiro. O curta de 19 minutos não era apenas denúncia; era método. Solberg usa som assincronizado – técnica que ganharia tração entre cineastas feministas nos anos seguintes – e enquanto vemos uma jovem mulher se preparando para seu casamento, a voz em off apresenta uma imagem menos tranquila, composta por entrevistas em que mulheres burguesas refletem sobre amor, sexo e casamento em uma época quando tal conversa era tabu.

O problema não era formal. Era político e temporal. A Entrevista foi filmado em 1964, no ano que marcou o início do golpe militar no Brasil, e lançado dois anos depois, no auge do Cinema Novo, gerando burburinho na estreia. Mas o contexto era o da violenta interrupção da consciência social progressista pelos presidentes Kubitschek e João Goulart pelo golpe militar que instalaria duas décadas de ditadura. Cinema Novo tinha homens, tinha urgência política imediata, tinha manifesto. Uma mulher que falava de gênero dentro de uma crise de Estado não cabia no cânone.

O que significa homenagear Solberg agora na CineOP

A 21ª CineOP segue o conceito “Um país existe nas imagens que preserva” e destaca a preservação audiovisual, o protagonismo das mulheres no cinema e o papel da educação na formação do olhar. Homenagear Solberg nesse contexto não é nostalgia. É admissão de que a memória audiovisual brasileira foi construída com lacunas de gênero sistemáticas. É também convite para ver o documentário político de hoje – que abraça intimidade, gênero, identidade – como herança direta de cineastas que Solberg abriu caminho.

Em 2004, Helena Solberg dirigiu seu primeiro longa de ficção: Vida de Menina, baseado no diário de Helena Morley, que aborda o cotidiano de Diamantina entre 1893 e 1895, e foi premiado como melhor filme no Festival de Gramado. Mas o reconhecimento veio tardiamente, depois de 30 anos morando nos EUA, depois de um Emmy, depois de uma filmografia que atravessou América Latina documentando gênero, trabalho, política.

Sua filmografia se divide em fases: Trilogia da Mulher (década de 1970), Fase Política (1980-1990) e Arte Brasileira em sua fase atual. Cada fase responde a uma questão diferente: como o trabalho feminino é explorado? Como a política externa dos EUA define o futuro da América Latina? Como a arte e a palavra testemunham? Mas todas compartilham o mesmo método: usar arquivo, depoimento e imagem para desmontar narrativas oficiais.

O que fica em aberto

A retrospectiva que acompanha a homenagem inclui não apenas A Entrevista e Meio Dia, mas também Carmen Miranda: Bananas is my Business – documentário que retoma a trajetória da artista brasileira e propõe leitura mais complexa e humana de sua figura, para além dos estereótipos. É convite para rever tudo que Solberg tocou sob nova luz.

Mas a pergunta permanece: quantas outras Helena Solbergs o arquivo audiovisual brasileiro esqueceu? E quantos documentários políticos de hoje, que falam de gênero e memória com liberdade, precisam dessa invisibilidade reparada para entender de onde vieram suas próprias ferramentas?

Fonte principal: rollingstone.com.br. Informações complementares: Enciclopédia Itaú Cultural, Cinemateca Brasileira, FGV CPDOC, CineOP 2026, Another Screen.

Supergirl final explicado e como prepara Superman: Homem do Amanhã

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Supergirl fecha seu arco em Metrópolis ao lado de Clark, mas o verdadeiro negócio narrativo do filme não é salvar o cachorro ou derrotar o vilão — é revelar como um trauma nunca resolvido explica quem Kara é agora e por que ela será peça central no confronto contra Brainiac que vem pela frente.

Resumo rápido

  • Supergirl derrota Krem em Barenton, recupera o antídoto e salva Krypto
  • Ruthye desiste da vingança após conselhos de Kara sobre a dor do luto
  • Filme fecha com Kara em Metrópolis oferecendo ajuda a Clark para os próximos confrontos
  • Supergirl anuncia a volta de Kara em Superman: Homem do Amanhã (2027) com papel confirmado como “fundamental”
  • Streamed em 25 de junho de 2026 no Brasil; direção de Craig Gillespie, roteiro de Ana Nogueira
Kara em momento de reflexão sobre seu passado em Krypton
Kara confronta suas memórias da civilização perdida e do tempo à deriva (Reproducao)

## Trauma não se resolve, se integra

O final de Supergirl funciona como exploração poderosa do trauma, sendo a chave para o futuro de Kara. Mas aqui está o ângulo que a maioria dos resumos com spoilers não prioriza: o filme nunca promete cicatrização. Kara não “supera” a morte de Krypton — ela aprende a existir com ela.

Enquanto Kal-El foi enviado bebê e criado por pais amorosos no Kansas, Kara testemunhou a morte de sua civilização e passou anos à deriva em fragmento hostil de Krypton, tornando-a dramaticamente mais calejada, impulsiva e tomada por profundo sentimento de luto. Essa diferença psicológica entre os primos não é cosmética — é estrutural. Clark escolhe esperança porque cresceu em esperança. Kara escolhe ação porque cresceu em perdição.

Quando Ruthye e Kara se despedem, Kara convida sua nova amiga a terminar de celebrar seu aniversário, não é resolução. É reconhecimento de que dor dividida pesa menos — e que conexão genuína é possível sem derrota completa do sofrimento anterior.

## Por que Ruthye importa mais que Krem

O inimigo aqui é plotagem. Krem rouba cena porque estrutura narrativa exige confronto final, mas a história real é entre Kara e Ruthye — duas sobreviventes em jornada de luto que aprendem a não perpetuar ciclo de vingança.

Ruthye alcança Krem e tem chance de matá-lo, mas Kara pede que não seja ela quem desfira o golpe, e Supergirl desfere a estocada final. A geometria dessa cena importa: não é que Kara impede Ruthye de matar — é que Kara absorve o peso moral dessa morte para si. Ela não salva Ruthye de Krem; salva Ruthye de si mesma.

Eve Ridley brilha como a obstinada Ruthye, servindo como bússola moral do filme. E aqui está o ponto crítico — em filme de super-herói tradicional, o jovem aprendiz segue o herói em jornada salvadora. Em Supergirl, é o inverso: Ruthye força Kara a enxergar que vingança não é evolução, e Kara força Ruthye a enxergar que pesar o mundo sobre os ombros não honra os mortos.

Kara e Ruthye em momento de conexão durante celebração de aniversário
Kara e Ruthye compartilham momento que reconhece que dor dividida pesa menos (Reproducao)

## Krypton nunca foi preto e branco

Toda jornada de Supergirl é moldada pelo trauma de ter visto seu lar e aqueles que amava adoecerem e morrerem. Mas o filme adiciona camada crucial que prepara Superman: Homem do Amanhã — a ideia de que a destruição de Krypton não foi evento único, e que sobreviventes podem ainda estar em jogo.

Argo City, região de Krypton que permaneceu protegida em cápsula durante os primeiros anos de destruição, é dos únicos dois elementos de Krypton que sobreviveram, segundo os quadrinhos. Supergirl mostra isso nos flashbacks: Kara cresceu ali, protegida por Zor-El, antes de ser enviada para Terra.

A questão não respondida é estratégica: Uma das versões mais famosas de Brainiac nos quadrinhos se destaca por encolher cidades e guardá-las em garrafas, e historicamente Argo City é justamente uma das comunidades que ele reduz e absorve. Se James Gunn mantiver essa lógica, o genocídio kryptoniano não é passado de Kara — é prefácio. Argo ainda pode cair. Isso muda tudo sobre quem Kara é em Homem do Amanhã.

## O lugar de Kara em Metrópolis não é refúgio

Após salvar Krypto e ajudar Ruthye, Kara vai até o apartamento de Clark e diz “acho que vou ficar por aqui um tempo”. Leia com cuidado: não é “estou em casa”. É “estou aqui”. Diferença essencial.

Kara enfrenta sérias dificuldades para enxergar Metrópolis como um lar, embora respeite Superman como família, Kara não consegue se conectar genuinamente com ele. Mas aqui há movimento narrativo real — ela não abandona a ideia. Ela se propõe a tentar, e oferece parceria a Clark para o que vem pela frente.

Milly Alcock está confirmada em Superman: Homem do Amanhã, e Peter Safran, co-CEO da DC Studios, destacou que Kara é uma “parte fundamental” dos planos futuros da franquia. Isso não significa papel coadjuvante. Significa que relação entre Clark e Kara — otimismo contra resignação, esperança contra pragmatismo — é eixo dramático que sustenta o próximo filme.

A história de Supergirl em Superman: Homem do Amanhã estará conectada a uma ameaça de escala planetária, sendo Brainiac o grande antagonista, uma inteligência artificial responsável, em muitas versões, pela destruição de Krypton. Ou seja: quando Kara e Clark enfrentarem Brainiac juntos, não será confronto abstrato. Será Kara confrontando o destruidor de seu mundo enquanto Clark enfrenta a ameaça à sua adoção.

## O que fica em aberto

Supergirl fecha seu próprio arco sem deixar cena pós-créditos, mas a abertura temática é proposital. Diferentemente da HQ A Mulher do Amanhã, Argo City não chega a explodir na trama do filme. Está lá, intacta, esperando. E quando Brainiac chegar, a questão que Supergirl plantou — “o que fazer quando o que você perdeu uma vez pode ser perdido novamente” — se torna central.

Kara não precisa ser salva em Homem do Amanhã. Ela precisa ser integrada em missão que exigirá escolhas que Clark talvez não faça sozinho. Aqui está onde Supergirl de verdade prepara o futuro: não como gancho narrativo, mas como transformação de quem cada um deles é quando a verdade sobre Krypton enfim chega.

Fonte: observatoriodocinema.com.br

Quando a sobrevivência do Kiss custou mais que uma vida

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Paul Stanley reconheceu em entrevista ao Howard Stern que a única coisa que considerou um erro foi quando Eric Carr, o segundo baterista do Kiss, ficou doente com câncer. Mas essa admissão tarde, feita décadas depois, carrega mais peso que qualquer outro remorso que o vocalista pudesse carregar da história de uma banda que redefiniu o rock dos anos 1970. Eric Carr morreu aos 41 anos em 24 de novembro de 1991 após batalha contra um raro câncer cardíaco, mas foi demitido da banda enquanto enfrentava a doença. O problema não foi apenas uma decisão corporativa errada — foi a revelação de que quando o Kiss precisou escolher entre piedade humana e produtividade musical, escolheu a segunda.

Como membro de substituição, Carr era funcionário pago sem privilégios de voto, ao contrário dos fundadores que dividiam lucros e direitos iguais. Essa hierarquia estrutural o deixava sentindo-se como um cidadão de segunda classe do Kiss, frequentemente excluído de limusines compartilhadas, com presença mínima em vídeos e até parcialmente cortado da capa do álbum Asylum. Essa precondição — a de estar lá, mas nunca realmente ali — tornou tudo que viria depois ainda mais injusto.

## O não-pertencimento que não tinha cura

Carr queria trabalhar na música “God Gave Rock ‘n’ Roll To You II”, gravada no início de 1991, ano de sua morte, que apareceu na trilha do filme Bill & Ted’s Bogus Journey, mas foi substituído por Eric Singer. Não foi apenas a retirada de uma música — foi a negação daquilo que mais importava para alguém que nunca havia se sentido plenamente dentro da banda que o tinha feito conhecido.

Como Paul diria depois: “Tínhamos cortado Eric da pior maneira, negando-lhe o que mais importava para ele, seu lugar no Kiss. Então, sim, eu me sinto mal por isso, e ele se afastou de nós com razão e se sentiu traído”. Essa linguagem — tão cuidadosa, tão devastadora — mostra alguém reavaliando uma estrutura que sua própria presença criou. Stanley sabia exatamente o que havia feito porque havia visto Eric Carr lidar com essa mesma exclusão por onze anos.

No início de 1991, Carr descobriu um câncer raro no coração. A banda começava a trabalhar no álbum “Revenge” (1992) e, apesar da doença do músico, optou por seguir em frente com as gravações sem sua participação. A lógica mercadológica era limpa: produção não interrompe. O custo humano foi irreversível.

## A negação que se tornou morte

Tanto Gene Simmons quanto Paul Stanley não acreditavam que Carr iria de fato morrer. Em sua opinião, faltou sensibilidade diante da situação. Stanley disse: “Eu não achava que ele pudesse morrer. Eu pensei que essa era apenas uma condição do momento, tipo ‘ok, ele está com a doença agora e depois ela vai desaparecer'”. Aqui está o cerne: não foi frieza deliberada, mas incapacidade psicológica de compreender uma mortalidade que vinha se aproximando.

Stanley admitiu que Carr tinha câncer cardíaco, uma forma muito rara de que ocorrem apenas cerca de seis casos por ano. No começo não acreditavam que fosse possível, e ao longo de pouco tempo ficou mais claro. Ele foi submetido a cirurgia cardíaca de grande porte. Stanley disse que o cérebro simplesmente não deixa você compreender a mortalidade.

A banda não deixou Carr morrer abandonado — eles cuidaram dele, pagaram suas contas médicas, mas também disseram “vamos continuar como uma banda enquanto ele estiver doente”. Bem, ele não estava só doente, ele estava morrendo. Fizeram o que pensavam ser cuidadoso, mas não levaram em conta a profundidade do que estava acontecendo.

## A morte que eclipsou uma morte

Carr passou away no mesmo dia em que Freddie Mercury morreu — 24 de novembro de 1991. Sua morte ocorreu no mesmo dia que a do vocalista do Queen, cuja morte atraiu mais atenção da mídia. A coincidência cronológica virou metáfora: Carr não apenas perdeu a vida, perdeu também o espaço de sua morte. O mundo chorava Mercury. O Kiss tinha que lidar com Carr sozinho, em silêncio.

Quando Rolling Stone negligenciou cobrir a morte de Carr, a banda escreveu uma carta ao veículo, descrevendo-o como alguém que “ainda vivia e acreditava no espírito do rock ‘n’ roll … nós o amávamos, os fãs o amavam e ele nunca será esquecido”. Foi necessária uma carta pública para forçar a imprensa a registrar sua partida. Mesmo na morte, Carr precisou de intermediários — agora seus próprios companheiros — para existir na história.

Kiss dedicou o álbum “Revenge” de 1992 a Carr e fechou o disco com uma faixa instrumental com um solo estendido do baterista. Uma tributo que deveria ter vindo antes, quando ainda havia tempo.

## O que fica quando a culpa é tardia demais

Em 2023, 32 anos depois, Paul Stanley ainda carregava o remorso — em entrevista ao radialista Howard Stern admitiu que havia demorado a perceber que continuavam as atividades enquanto Carr batalhava contra o câncer não foi a melhor decisão. Mas remorso não reverte decisões. Não traz de volta o homem que foi demitido de sua própria identidade visual justamente quando mais precisava dela — quando a doença lhe tirava tudo mais.

Eric Carr foi muito mais que um substituto: foi uma força renovadora para o Kiss, trazendo energia e técnica únicas que marcaram uma nova fase para o grupo. Carryin albums como “Creatures of the Night”, “Lick It Up” e “Hot In The Shade”, sua bateria pesada — literalmente mais pesada, mais agressiva que a maioria dos bateristas de sua época — redefiniu o som do Kiss nos anos 1980. Sem ele, “Revenge” soaria diferente. Mas “Revenge” existia porque ele não estava lá para existir.

O remorso público de Paul Stanley é talvez a coisa mais honesta que ele já disse sobre sua carreira. Não porque o Kiss cometeu um crime — cometeu uma escolha. A sobrevivência da banda exigiu que alguém fosse deixado para trás. Que alguém fosse negado. Que alguém fosse esquecido. E aquele alguém continuou tocando bateria mesmo enquanto desaparecia.

A verdade incômoda que Stanley carrega é que no momento em que Carr mais precisava ser lembrado, o Kiss decidiu que era mais importante ser produtivo.

Capa do álbum Asylum do Kiss, onde Eric Carr foi parcialmente cortado
Capa do álbum Asylum, lançado com Eric Carr parcialmente excluído do material visual (Reproducao)

Fonte principal: rollingstone.com.br. Informações complementares: Whiplash.Net, Ultimate Classic Rock, MusicRadar, Ultimate Guitar, Igor Miranda, Disconecta, Wikipedia, Metropoles, Terra, Atitude Rock'n'Roll.

Louis Partridge e a aposta mais arriscada do novo James Bond: um 007 quase adolescente

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Louis Partridge está entre os nomes em contention para viver James Bond, segundo a Variety, alinhado aos rumores de que a Amazon MGM Studios busca um agente secreto “fresh-faced”. O ator britânico, nascido em 3 de junho de 2003, teria apenas 23 anos se fosse escalado — tornando-se potencialmente o Bond mais jovem da história. Mas existe um problema narrativo em jogo que ninguém está discutindo abertamente: um personagem que existe há mais de 60 anos como símbolo de sofisticação, cinismo e experiência de vida não combina facilmente com alguém que ainda está aprendendo a ser ator profissional a tempo integral.

Louis Partridge comparado aos outros candidatos a James Bond em diferentes idades
Louis Partridge (23) é significativamente mais jovem que outros candidatos como Jacob Elordi (28) e Harris Dickinson (29) (Reproducao)

A contradição que define a aposta da Amazon

Aos 23 anos, Partridge seria notavelmente mais jovem que outros candidatos em contention: Jacob Elordi (28), Callum Turner (36), Aaron Taylor-Johnson (35) e Harris Dickinson (29). Mas o número sozinho não explica o risco criativo. Ele é mal maior de idade para ter desenvolvido uma preferência exigente sobre como seus drinques são preparados, quanto menos para beber um legalmente. Essa não é apenas uma piada sobre idade — é a admissão pública de que a Amazon está considerando desmantelar décadas de construção de personagem para começar do zero.

Quando Denis Villeneuve foi anunciado como diretor do próximo filme de James Bond, a expectativa era de que ele trouxesse a mesma gravidade operística que moldou Duna. Mas casting de um ator de 23 anos sugere algo diferente: não uma reinvenção madura de Bond, mas uma reimaginação radical de quem o personagem pode ser. A Amazon não está buscando Daniel Craig 2.0. Está buscando algo que não sabemos ainda como vai funcionar.

Quem é Partridge além da sombra de Tewkesbury

Partridge ganhou destaque ao interpretar Viscount Tewkesbury, o interesse romântico da protagonista, em Enola Holmes (2020). Desde então, interpretou Sid Vicious na minissérie Pistol, da FX (2022), e estrelou a série thriller Disclaimer, de Alfonso Cuarón (2024). Essa trajetória não é a de um rosto bonito em papéis rápidos — é a de alguém escalado por diretores que demandam profundidade emocional em contextos adultos.

Seu papel como Vicious em Pistol foi especialmente revelador. Transformar o baixista da Sex Pistols em algo que vai além do ícone punk exigiu não apenas física transformação, mas também compreensão de personagem complexo e autodestrutivo. Desde que se tornou estrela internacional, Partridge dividiu a tela com pesos-pesados da indústria como Cate Blanchett, e apareceu em pequenas produções ao lado de Henry Cavill. Essas não são as credenciais de um jovem ator ingênuo — são as de alguém que trabalhou em projetos de qualidade e sobreviveu à comparação com atores estabelecidos.

Por que a Amazon aposta em juventude extrema

Um Bond mais jovem ofereceria longevidade de longo prazo: Partridge poderia ancorar cinco ou seis filmes ao longo de 15 anos e ainda estar abaixo dos 40, enquanto também teria um custo menor que nomes maiores como Elordi ou Taylor-Johnson. Isso é matemática de franquia, mas também é admissão de mudança estrutural. A Amazon comprou a MGM em 2022 principalmente pelos direitos de Bond — esse franchise é um ativo de longo prazo em uma era em que streaming exige múltiplas sequências para justificar investimento bilionário.

Mas há outra camada menos óbvia. Bond 26 vai fazer um reboot completo da timeline, permitindo que o novo 007 seja introduzido novamente sem abordar diretamente o final narrativo de No Time to Die. Um Bond mais jovem não precisa herdar o peso emocional de cinco filmes de Craig. Ele pode ser leve, até ingênuo de forma intencional — um agente ainda aprendendo, cometendo erros, ganhando as cicatrizes que Craig já tinha no começo.

Essa é uma aposta em uma estrutura de franquia diferente. Não sobre um homem escurecendo sob o peso do espionagem, mas sobre um jovem sendo moldado por ela.

O silêncio da Amazon fala mais que qualquer anúncio

Embora a Amazon MGM confirmou em maio de 2026 que a busca oficial de talentos está em andamento, nenhum ator principal foi escalado ou assinado para interpretar 007 ainda. Partridge permanece em contention — significando que ele passou por uma segunda rodada de consideração — mas nada é garantido. Um novo 007 é improvável que seja revelado até que o roteiro esteja bem desenvolvido e Villeneuve esteja totalmente engajado com o projeto, com o estúdio priorizando um processo de desenvolvimento paciente e calculado sobre um anúncio apressado.

O fato de que a Amazon está mantendo silêncio absoluto sobre quem está em consideration final sugere algo importante: a decisão é sobre mais que apenas casting. É sobre defin o tom, o tom emocional e a escala esperada de Bond 26. Partridge representa uma possibilidade — a possibilidade de um Bond vulnerável, inexperiente, até cômico em seus erros iniciais. Nenhum outro candidato em listas públicas oferece esse mesmo potencial de ruptura narrativa.

O que fica em aberto

A contention de Partridge para James Bond não é confirmação — é um sinal de que a Amazon está considerando caminhos criativos que Eon Productions nunca considerou seriamente. Os rumores de Partridge se alinham com conversas generalizadas de que o próximo 007 será muito mais jovem que Bonds anteriores, com a palavra “fresh-faced” circulando na indústria. Mas “fresh-faced” é linguagem de marketing. O que realmente está sendo discutido é se Bond pode existir como um personagem em formação.

Se Partridge for escolhido, Bond 26 não será sobre um agente experiente em crise existencial (Craig). Será sobre como alguém muito jovem aprende a se tornar um instrumento de morte e poder. Isso é um Bond muito diferente — e muito mais arriscado.

Fonte principal: observatoriodocinema.com.br. Informações complementares: Variety, Amazon Official, The James Bond Dossier, Screen Rant, Hollywood Reporter.

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Fonte: rollingstone.com.br