O cantor americano Oliver Tree, 32 anos, morreu neste domingo, 14 de junho, em uma colisão entre dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Além dele, outras cinco pessoas morreram no acidente: Lucas Vignale, Gaspar Prim, Lucas Brito Chaves, Alexandre Souza e Charles Marsillac. A investigação ficou a cargo da Força Aérea Brasileira e da Polícia Civil do Rio.
O acidente marca o fim súbito de uma trajetória que começou a decolar durante a pandemia de Covid-19, quando Tree conquistou milhões com hits como “Miracle Man”, “Alien Boy” e “Hurt”. Seu disco de estreia, Ugly is Beautiful, consolidou um estilo visual e sonoro inconfundível — uma mistura de indie pop eletrônico com uma estética provocadora que o transformou em fenômeno das redes sociais.
Um artista que construía tudo sozinho, do palco à produção
Tree não era apenas um cantor. Ele coreografava seus próprios shows, produzia as músicas e controlava cada detalhe da apresentação — uma característica rara no pop contemporâneo. Em entrevista recente à Rolling Stone Brasil, poucos dias antes de sua morte, ele descreveu esse processo com a irreverência que o marcava: “Cada passo de dança que você vê, tudo o que eu digo e tudo o que eu faço vem tudo da minha cabeça”.
Essa abordagem autoral, que lembrava mais um performer experimental do que um cantor de pop convencional, construiu uma comunidade de fãs dedicados. O público acompanhava não apenas a música, mas o universo visual e performático que ele criava — algo que o diferenciava de seus contemporâneos em uma indústria cada vez mais padronizada.
O retorno ao Brasil e os planos interrompidos
Tree estava no Brasil para uma turnê latino-americana que o havia levado ao México, Argentina e Chile antes. Seu show em São Paulo aconteceu no dia 6 de junho — a primeira apresentação do cantor na cidade em quatro anos, após um cancelamento anterior que havia marcado seus fãs brasileiros.
Na conversa com a Rolling Stone Brasil três dias antes da tragédia, ele revelou entusiasmo genuíno com o país: “Sou muito ‘time Brasil’, sou mais ‘time Rio’ porque gosto de praia. Mas São Paulo também é um lugar realmente insano e bonito — caos, um caos bonito”. Ele planejava ficar no Rio para gravar músicas inéditas, explorando uma direção experimental que poucos conheciam: funk bilíngue em português e espanhol, com gravações nas favelas.
Essas sessions no Rio nunca acontecerão. A turnê europeia que começaria em julho — passando por Portugal, Espanha, Itália e outras cidades — também foi interrompida. Os planos que ele carregava com entusiasmo viraram parte de uma história inconclusa.
De Santa Cruz ao fenômeno da pandemia
Nascido em 29 de junho de 1993 em Santa Cruz, Califórnia, Tree teve uma formação musical precoce. Estudou piano na infância e depois passou por cursos de administração na Universidade Estadual de São Francisco e Tecnologia Musical no Instituto de Artes da Califórnia — uma educação formal que contrastava com a liberdade criativa que depois demonstraria.
Seu ascenso aconteceu quando redes como TikTok ampliavam o alcance de artistas independentes. Tree aproveitou esse espaço para construir sua própria linguagem visual e sonora, sem ceder à pressão por conformidade que caracteriza o pop mainstream. Isso o tornou referência para uma geração de artistas que tentava encontrar autenticidade em plataformas pensadas para descartabilidade.
O acidente e as investigações
O acidente envolveu duas aeronaves — uma com cinco pessoas, incluindo Tree, e outra com apenas um piloto. A colisão ocorreu no ar na manhã de domingo. Equipes do Corpo de Bombeiros, CET-Rio, Comlurb e da Polícia Militar isolaram a área. A Força Aérea Brasileira, através do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), foi acionada para conduzir a investigação das circunstâncias que levaram à tragédia.
Fonte: rollingstone.com.br
