Por que Garth tranca Becka no quarto no final de The Testaments e como diverge do livro

No final da 1ª temporada de The Testaments, Garth tranca Becka em um quarto após sua cerimônia de casamento forçada, um gesto que parece perturbador na superfície, mas revela-se uma tentativa de proteção diante de seu estado emocional frágil. A série do spinoff de The Handmaid’s Tale transformou completamente a trajetória de Becka em relação ao romance de 2019 de Margaret Atwood, criando uma narrativa onde a contenção física funciona como um ato de salvaguarda em um sistema totalitário, não como aprisionamento cruel.

A decisão de Garth é crucial para entender não apenas o destino de Becka, mas também a complexa dinâmica entre os personagens e a resistência Mayday contra Gilead. O que parecia ser uma cena perturbadora na série contém camadas de significado que o livro nunca explorou, porque o Garth da série é fundamentalmente diferente do que Atwood concebeu.

Garth trancando Becka no quarto em cena de The Testaments
(Reprodução / estúdio)

Por que Garth realmente tranca Becka no quarto no final de The Testaments?

Garth tranca Becka no quarto como proteção contra ela mesma, não como punição ou controle. Becka chegou àquele momento em um estado psicológico devastado, tendo cometido assassinato (matou Dr. Grove), presenciado a execução de sua mãe adotiva (que confessou o crime para salvá-la), e sido sedada durante o próprio casamento. Seu estado mental no episódio anterior mostrava sinais de possível psicose, com ela restrita em uma cela de prisão e visualmente em desespero extremo.

Agnes, sua amiga, foi quem pressionou Garth e a resistência Mayday para salvá-la através do casamento — a única alternativa legal para evitar que Becka fosse marcada como uma “caída”, uma mulher descartada por Gilead que perde todos os direitos reprodutivos e é forçada à escravidão sexual. Ao concordar com o casamento, Garth estava cumprindo um papel dentro da resistência, mas também se tornou responsável por manter Becka segura durante sua frágil recuperação. Trancar a porta era, portanto, uma medida de harm reduction em um sistema que não oferecia outras opções.

Como a adaptação de The Testaments muda completamente a história de Becka do livro?

No romance original, Becka tinha agência. Ela recusava casamento não por sedação ou trauma, mas por princípio — não queria ser definida pelas expectativas de Gilead sobre mulheres como esposas e mães. Essa negação vinha de sua própria experiência de abuso nas mãos de Dr. Grove, que a havia violentado. Quando pressionada para casar, Becka tentava suicídio cortando os pulsos, um ato final de autonomia — escolher sua morte em vez de sujeitar-se ao sistema.

Aunt Lydia intervinha oferecendo um caminho alternativo: Becka poderia se tornar uma Aunt, encontrando novo propósito em Ardua Hall e trabalhando para a resistência Mayday de dentro. Esta versão de Becka então ajudava Daisy a escapar com informações cruciais, mas eventualmente escolhia se afogar em uma cisterna para proteger membros da resistência de captura — um sacrifício voluntário que reafirmava sua capacidade de decisão mesmo diante de Gilead.

A série de Hulu inverteu essa estrutura fundamentalmente. Becka não é a vítima de abuso de Dr. Grove — Agnes e outras meninas da academia são. Becka mata Dr. Grove por vingança em nome delas, não por defesa própria. Ela é sedada no casamento, não consciente dele. Ela é trancada por proteção, não acorrentada por punição. A série transforma uma narrativa de resistência ativa em uma de contenção compassiva, sugerindo que até atos bem-intencionados dentro de Gilead perpetuam o aprisionamento das mulheres.

Becka trancada no quarto em cena de The Testaments
(Reprodução / estúdio)

O que a mudança em Becka revela sobre a direção de The Testaments para a 2ª temporada?

Essa divergência do livro não é acidental — ela prepara o terreno para arcos muito mais complexos na 2ª temporada. A série está explorando um triângulo emocional entre Agnes, Becka e Garth que não existia no romance. No episódio final, Agnes e Becka semi-consciente compartilharam um beijo carregado de tensão romântica, cementing feelings mútuos entre elas. Garth, por sua vez, aparece como um homem preso entre sua lealdade à resistência e seu papel emergente como marido/protetor de Becka.

O fato de Garth estar ligado à Mayday — e não ser um vilão — muda tudo. Ele não é um opressor de Gilead, mas um resistente forçado a usar as mesmas estruturas de Gilead para salvar alguém. Essa ironia é devastadora e define a verdadeira prisão de The Testaments: não são apenas as paredes que prendem Becka, mas o sistema inteiro que as rodeia, até mesmo aqueles que querem libertá-la.

A 2ª temporada provavelmente explorará como Becka se recupera emocionalmente desse casamento forçado, como Agnes navega seus sentimentos por alguém que agora pertence a Garth legalmente, e como a resistência mantém suas operações enquanto seus membros estão pessoalmente entrelançados. O quarto trancado é o símbolo perfeito dessa dinâmica: proteção e prisão são indistinguíveis em Gilead, mesmo quando os guardiões possuem as melhores intenções.

Qual é o maior impacto dessa mudança na narrativa geral de The Handmaid’s Tale?

A escolha de fazer Becka passiva em vez de ativa representa uma mudança temática em como a série aborda resistência dentro de regimes totalitários. O livro de Margaret Atwood enfatizava a capacidade das mulheres de encontrar saídas — suicídio dignificado, integração na resistência, sacrifício voluntário. A série de Hulu está dizendo algo mais sombrio: mesmo quando as pessoas certas querem salvá-lo, você ainda fica preso. A resistência não é garantia de liberdade; é apenas uma versão diferente da mesma jaula.

Isso conecta-se diretamente ao que The Testaments tentava explorar como spinoff — o que acontece com as pessoas que conseguem escapar de Gilead? A série está argumentando que talvez a verdadeira fuga seja impossível enquanto você ainda estiver dentro de suas estruturas, mesmo que alguém compassivo esteja do outro lado da porta.

Fonte: thedirect.com

Últimas Notícias

Dia D é o melhor Spielberg em 20 anos, diz crítica após primeiras reações

A crítica especializada já chegou a um veredito: Dia D é o melhor filme de Steven Spielberg em duas décadas. Após as primeiras sessões...

Bugonia: por que Yorgos Lanthimos escolheu este título perturbador para o filme com Emma Stone

Bugonia não é apenas um título estranho — é uma escolha deliberada de Yorgos Lanthimos para codificar toda a filosofia sombria de seu novo...

Anitta estrela filme de romance dos Estúdios Globo com gravações no Rio

Anitta será a protagonista de um novo filme de romance produzido pelos Estúdios Globo, com gravações marcadas para começar em 1º de junho no...

Sebastian Stan pode não ser Duas-Caras em Batman: Parte 2, aponta teoria de fãs

Uma teoria crescente entre fãs da DC sugere que Sebastian Stan pode não interpretar Harvey Dent (Duas-Caras) em Batman: Parte 2, mas sim Thomas...

Backrooms: um Nao-Lugar revela como horror psicologico vence sustos faceis no cinema

O fenômeno dos Backrooms na internet — aquele conceito viral de não-lugares infinitos e desconfortáveis — finalmente ganhou uma adaptação cinematográfica que entende por...

Natal Amargo mostra Almodóvar refletindo sobre o preço de transformar vidas em cinema

Pedro Almodóvar raramente faz cinema sobre o próprio cinema, mas quando faz, entrega reflexão que poucos diretores conseguem. Natal Amargo é exatamente isso: um...

O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim chegou na Netflix quase em segredo com a história que a trilogia não contou

O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim entrou no catálogo da Netflix nesta quinta-feira praticamente sem aviso prévio, e esse silêncio diz muito...

Andrew Rannells explica por que nao volta como William na 4a temporada de Invincivel

Andrew Rannells confirmou que deixou o elenco de voz de Invincivel na 4a temporada por causa de uma "reestruturacao" na producao, revelando em entrevista...