
Em Lindas e Letais, a diretora Vicky Jewson orquestra um balé de brutalidade e beleza, onde cinco bailarinas se veem forçadas a lutar por suas vidas. Apesar de sequências de luta inventivas e um elenco feminino carismático, o filme, que estreou no SXSW Festival de 2026 e chega ao Prime Video em 25 de março, tropeça em um roteiro que se perde em detalhes desnecessários, sacrificando a substância em prol do entretenimento sangrento.
A produção, que traz a assinatura de David Leitch (John Wick) na produção, entrega coreografias de luta impactantes, mas a trama superficial impede que Lindas e Letais alcance o potencial de um clássico do gênero.
Uma premissa promissora: bailarinas em fúria
A trama de Lindas e Letais acompanha cinco bailarinas americanas que se preparam para uma importante competição em Budapeste. Bones (Maddie Ziegler), a garota pobre que luta para se destacar; Princess (Lana Condor), a riquinha arrogante; as irmãs Chloe (Millicent Simmonds) e Zoe (Iris Apatow), com a dinâmica complexa imposta pela surdez de Chloe; e Grace (Avantika), a religiosa do grupo. Quando o ônibus que as transporta quebra na Hungria, elas buscam ajuda em uma estalagem isolada, o Teremok Inn, de propriedade de Devora Kasimer (Uma Thurman), uma ex-bailarina com um passado sombrio. Após a morte da instrutora, Ms. Thorna (Lydia Leonard), as jovens percebem que a única saída é lutar por suas vidas.
A força está nas coreografias de luta
O ponto alto de Lindas e Letais reside nas sequências de ação. As bailarinas, encurraladas em espaços confinados, improvisam armas e usam seus movimentos de dança para enfrentar os brutamontes húngaros. Um exemplo notável é a utilização de lâminas de barbear entre os dedos dos pés, transformando passos de balé em golpes letais. As lutas, diretas e intensas, compensam a fragilidade da narrativa, garantindo momentos de puro deleite para os fãs do gênero.
Elenco feminino entrega o show
O elenco de Lindas e Letais, liderado por Maddie Ziegler como a determinada Bones, esbanja carisma e entrega performances convincentes. Iris Apatow e Millicent Simmonds trazem nuances de emoção à relação entre as irmãs Zoe e Chloe. Avantika, a exemplo de seu papel em Mean Girls (2024), rouba a cena com seu talento para o humor. Já Uma Thurman, embora competente, não consegue salvar as explicações desnecessárias sobre o passado da estalagem e seus frequentadores.
Onde Lindas e Letais tropeça?
Apesar dos méritos nas coreografias e no elenco, Lindas e Letais derrapa no excesso de explicações e na trama intrincada que envolve o passado de Devora e seus capangas. O filme se beneficia quando foca na luta pela sobrevivência das bailarinas, mas se perde quando tenta aprofundar a história de fundo, que se mostra desnecessária e arrastada. A ambientação, embora com potencial, não é totalmente explorada, limitando-se a cenários escuros e pouco inspiradores.
Vale a pena assistir Lindas e Letais?
Se você busca um filme de ação com sequências de luta criativas, um elenco feminino forte e não se importa com um roteiro superficial, Lindas e Letais pode ser uma boa opção para uma sessão de 90 minutos no Prime Video. No entanto, não espere uma trama complexa ou reviravoltas surpreendentes.
A estreia de Lindas e Letais no Prime Video solidifica a plataforma como um espaço para filmes de ação com protagonistas femininas, um nicho que vem ganhando cada vez mais destaque na indústria cinematográfica.
