
Em meio a uma crescente onda de filmes de ação que tentam equilibrar sequências eletrizantes com comentários sociais relevantes, “Agente Zero” se destaca, infelizmente, por não conseguir entregar nem um nem outro. Lançado em formato digital e VOD em 13 de março de 2026, o filme dirigido por Guillaume de Fontenay ambiciona ser uma versão moderna de clássicos como “A Identidade Bourne“, mas peca na execução, resultando em uma experiência superficial e pouco memorável.
A trama acompanha Badh (Marine Vacth), uma ex-agente da DGSE (serviço secreto francês) que busca uma vida tranquila no Marrocos, até que um atentado contra seu marido a força a retornar ao mundo da espionagem. Apesar de levantar questões importantes sobre terrorismo, colonialismo e a atuação de governos ocidentais, “Agente Zero” se perde em um roteiro simplista e coreografias de luta pouco inspiradas.
Roteiro e personagens: onde “Agente Zero” mais decepciona?
Grande parte da culpa recai sobre o próprio de Fontenay, que também assina o roteiro. A narrativa carece de profundidade, com personagens mal desenvolvidos e reviravoltas previsíveis. A premissa inicial, que remete à criação de uma unidade de elite para eliminar “inimigos da França” em 1985, logo se transforma em uma trama de vingança sem grande impacto emocional.
Ainda que a motivação da protagonista seja compreensível – a busca por justiça após seu marido ser baleado –, a forma como ela se envolve na trama parece artificial e pouco convincente. Em vez de agir por princípios ou tomar consciência do papel de seu país no cenário do terrorismo global, Badh é movida por um desejo de vingança que não se traduz em uma jornada pessoal transformadora.
Questões políticas relevantes, mas mal exploradas
Um dos poucos pontos positivos de “Agente Zero” reside na sua tentativa de abordar temas complexos como a hegemonia europeia e o legado do colonialismo. O filme sugere que governos ocidentais frequentemente apoiam diferentes formas de terrorismo para justificar suas ações e manter seu poder, levantando questionamentos importantes sobre a ética e a moralidade na política internacional.
No entanto, essas ideias não são exploradas de forma satisfatória. O filme acaba perpetuando estereótipos problemáticos sobre o “perigo” do Sul global, com uma representação datada do ISIS que não contribui para uma reflexão aprofundada sobre o tema. Para quem busca narrativas mais complexas sobre o tema, a minissérie Godless, também disponível na Netflix, oferece uma abordagem mais interessante ao subverter clichês do faroeste.
Ação sem emoção: o que falta nas cenas de luta?
Apesar do esforço de Marine Vacth em entregar boas performances nas cenas de ação, a coreografia e a direção de fotografia não ajudam. As lutas são genéricas e pouco inspiradas, sem a tensão ou o impacto visual que se espera de um filme de espionagem e ação. A experiência de ver uma mercenária altamente qualificada derrubando um grupo de vilões se torna, assim, decepcionante.
“Agente Zero” vale a pena?
Em última análise, “Agente Zero” se revela um filme medíocre que não cumpre suas ambições. Apesar de levantar questões políticas relevantes, o roteiro fraco, os personagens superficiais e as cenas de ação pouco inspiradas o impedem de se destacar no gênero. Para quem busca filmes de ação com tramas mais envolventes e personagens complexos, há opções mais interessantes disponíveis no mercado.
Com a estreia de “Agente Zero” em plataformas digitais, fica evidente a crescente demanda por filmes de ação que, além de entreter, provoquem reflexões sobre o mundo contemporâneo. No entanto, para alcançar esse objetivo, é fundamental que a execução esteja à altura das ideias propostas, algo que, infelizmente, não acontece neste caso.
