A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou nesta quarta-feira (24) seus 529 convidados para integrar seu quadro de membros em 2026, e sete deles são brasileiros. Mas além de simplesmente ampliar números, o anúncio revela algo mais profundo: a instituição segue convidando profissionais que nem sempre ganham suas próprias categorias — e isso importa para entender como Hollywood está repensando quem tem poder de voto.
Resumo rápido
- 529 convidados no total para integrar a Academia em 2026
- Adolpho Veloso (diretor de fotografia de Sonhos de Trem), Gabriel Domingues (diretor de elenco de O Agente Secreto) e Marcelo Caetano (diretor de Baby) entre os brasileiros
- 42% de mulheres, 56% de comunidades sub-representadas, 53% de 60 países fora dos EUA
- 95 indicados ao Oscar e 21 vencedores entre os 529
- Os profissionais passam a integrar o grupo de votantes em futuras edições do Oscar
## A paradoxo de convidar quem não venceu
Gabriel Domingues, diretor de elenco de O Agente Secreto, perdeu para Uma Batalha Após a Outra na categoria de Melhor Direção de Elenco — e isso foi há apenas três meses. Ele ainda estava na cerimônia do Oscar 98, ouvindo o resultado que não veio. Agora, nem bem terminou a temporada de premiações, a Academia o convida a fazer parte do grupo responsável por votar nas futuras edições do Oscar.
Isso não é coincidência. A lógica por trás do convite não é prêmio de consolação — é política institucional. A Academia segue critérios profissionais definidos pelos diferentes ramos, e neste ano, 56% dos convidados pertencem a comunidades sub-representadas. O que isso significa na prática? Significa que a instituição está transformando indicados e perdedores em votantes, criando uma base mais ampla e internacionalizada para as próximas edições. Gabriel Domingues não ganhou a estatueta, mas ganhou voto.
A presença de diferentes departamentos do filme reforça a projeção internacional da produção. Não é apenas Gabriel — foram sete brasileiros ligados principalmente a O Agente Secreto e a produções nacionais recentes que passam a fazer parte da Academia. O Brasil aparece entre os destaques da lista graças à presença de profissionais ligados a O Agente Secreto.
## Quando o Brasil finalmente entra pela porta dos fundos de Hollywood
Os sete convidados brasileiros representam uma mudança silenciosa na forma como a Academia escolhe seus membros. Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e a produtora Emilie Lesclaux já eram membros da Academia. Agora, profissionais que trabalharam com esses nomes ganham acesso ao mesmo sistema.
A lista destaca o diretor de fotografia Adolpho Veloso, indicado ao Oscar 2026 por Sonhos de Trem, e profissionais ligados a O Agente Secreto, como o diretor de elenco Gabriel Domingues, a figurinista Rita Azevedo, os montadores Matheus Farias e Eduardo Serrano, a chefe de cabelo e maquiagem Marisa Amenta e o diretor de arte Thales Junqueira.
Fora do nome da produção de Kleber Mendonça Filho, estão também o diretor Marcelo Caetano, conhecido por trabalhos como Baby, o diretor de fotografia Adolpho Veloso, e o profissional de som Bernardo Uzeda. Cada um deles representa uma camada diferente da indústria cinematográfica brasileira — desde os diretores consagrados até os profissionais técnicos que raramente ganham spotlight nas premiações internacionais.
## O efeito cascata da inclusão na Academia
A mudança não é estética. Entre os convidados deste ano, há 95 indicados ao Oscar, incluindo 21 vencedores. Quando você adiciona 529 pessoas em um ano e mais de metade vem de fora dos Estados Unidos, você muda estruturalmente quem tem poder de decisão nas próximas cerco edições.
Isso é particularmente relevante para a categorização de filmes internacionais e para áreas técnicas que historicamente recebem menos reconhecimento. Gabriel Domingues não ganhou a estatueta de Melhor Direção de Elenco — mas agora será ele quem ajudará a escolher quem ganha nos próximos anos. Agora, com cerca de 160 diretores de elenco como membros da Academia, o Oscar passará a reconhecer o trabalho desses profissionais.
## O que isso significa
A notícia parece simples: Brasil cresce na Academia. Mas o que está acontecendo é mais complexo. A instituição não está apenas celebrando êxito — está criando uma estrutura onde profissionais que não venceram ganham poder de voto imediato. É uma forma de diluir o domínio americano sem admitir explicitamente que estava reconhecendo apenas uma fração da indústria cinematográfica global.
Para os sete brasileiros, é uma vitória diferida. Eles não ganharam no palco do Dolby Theatre, mas conquistaram algo potencialmente mais valioso: um assento na mesa onde as futuras decisões serão tomadas.
Fonte principal: rollingstone.com.br. Informações complementares: Terra, Portal Tela, CNN Brasil, BH Az, Pipoca Moderna.