Momona Tamada e Thalia Tran retornam como Ty Lee e Mai, dois personagens cuja 2ª temporada finalmente lhes dá espaço para respirar. A 2ª temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar estreia na Netflix em 25 de junho de 2026, e com ela vem a oportunidade de aprofundar as tenentes de Azula além do papel de coadjuvantes. A atriz canadense, que possui formação em dança competitiva desde os 4 anos de idade, precisou reinventar a coreografia do chi-blocking — a técnica icônica de Ty Lee na série animada — para o live-action, e fez isso não através de simulação de combate tradicional, mas da aplicação de sua própria expertise em acrobacias e flexibilidade.
Dança acrobática como fundação da reinvenção técnica
Desde os 4 anos, Tamada foi dançarina competitiva, e essa bagagem não foi apenas aproveitada pelos roteiristas — foi estruturante. A adaptação live-action enfrentava um desafio central: transformar a graça quase mágica dos movimentos desenhados de Ty Lee em física real. Diferentemente de personagens que dependem de efeitos para criar credibilidade (como os waterbenders ou earthbenders), chi-blocking exigia que a atriz personificasse a técnica através do movimento corporal.
O que a entrevista revela é que a equipe não escolheu coreografia genérica de artes marciais. Em vez disso, aproveitou exatamente aquilo que Ty Lee — e Momona — sabiam fazer melhor: tumbling, acrobacias de circo, flexibilidade extrema. Gordon Cormier retorna como Aang, Kiawentiio como Katara, Ian Ousley como Sokka, Dallas Liu como Zuko, Elizabeth Yu como Azula, Paul Sun-Hyung Lee como Iroh, Daniel Dae Kim como Fire Lord Ozai, Momona Tamada como Ty Lee, e Thalia Tran como Mai. Mas Ty Lee, diferentemente dos outros, existe em coreografia — não em poder elemental.
Entre a 1ª e a 2ª temporada, Tamada é uma dançarina premiada e vem competindo desde os quatro anos, mas realizou treinamento adicional em artes marciais. Isso marcou uma mudança crucial: não era mais sobre “executar movimentos que parecem bons na câmera”, mas sobre “executar movimentos que sentem bons no corpo”. Essa intencionalidade transformou a confiança da atriz na segunda temporada.
Chi-blocking como linguagem de poder que não depende de dobra
A série animada nunca explicou em detalhe técnico como o chi-blocking funciona — apenas que Ty Lee consegue paralisar ou impedir a dobra. O live-action teve de preencher essa lacuna com precisão científica (ou ao menos lógica coerente). A diferença entre não-dobradores e dobradores no chi-blocking funciona de forma hierárquica.
Para não-dobradores, o chi-blocking causa paralisia completa. Sokka, que não dobra água ou fogo, fica imobilizado. Mas para dobradores como Katara, o efeito é parcial — eles perdem capacidade de dobrar, mas mantêm movimento corporal. Isso cria uma dinâmica de jogo única: Ty Lee não derrota através de força bruta ou poder, mas através de precisão anatomicamente situada. Ela mapeia o corpo do inimigo e conhece exatamente onde pressionar.
É um tipo de poder que não exige herança especial, dotes mágicos ou treinamento de nação — exige observação obsessiva e compreensão íntima da fisiologia. Para uma personagem que cresceu entre seis irmãs idênticas, que precisou se reinventar como indivíduo, chi-blocking se torna sua assinatura não apenas tática, mas identitária. Ela não é dobradora. É algo que a animação nunca permitiu explorar plenamente — e é exatamente isso que a 2ª temporada do live-action promete.
O que separa Ty Lee de Azula, além da lealdade
A narrativa simplista sobre Ty Lee é que ela segue Azula porque tem medo de morrer. Mais realista — e mais perturbador — é considerar que Ty Lee segue Azula porque Azula, pela primeira vez em sua vida, a vê como indivíduo. Azula e Mai oferecem algo que seus pais e irmãs nunca permitiram: espaço para ser si mesma, e não parte de um conjunto.
Essa dinâmica ganha camadas na 2ª temporada. A série foi renovada para duas temporadas, o que significa que os roteiristas — agora Christine Boylan e Jabbar Raisani como executive producers, após Albert Kim sair do cargo de showrunner — têm clareza de quem Ty Lee é e para onde vai. A 1ª temporada a apresentou como coadjuvante brilhante. A 2ª temporada pode explorá-la como personagem com agência moral real.
A animação original reservou esse aprofundamento para Book 3: Fire — quando Ty Lee questiona Azula, quando reconhece o abuso emocional, quando escolhe se afastar. O live-action está em posição de antecipar ou recontextualizar essas decisões já em Book 2: Earth. O desempenho desta temporada deve influenciar diretamente a decisão sobre um eventual Livro Três – Fogo, que fecharia a trilogia.
Por que Ty Lee importa agora
Momona Tamada e Thalia Tran retornam como Ty Lee e Mai, dois personagens cujas arcs na 2ª temporada finalmente lhes dão espaço para respirar. Mas não é apenas respirar — é transformar. A 2ª temporada estreia em um momento em que adaptações live-action de propriedades animadas estão sob pressão para justificar sua existência além da nostalgia. Avatar: O Último Mestre do Ar fez isso com sucesso na 1ª temporada (41.1 milhões de visualizações nos primeiros 11 dias), mas a pergunta real é se consegue repetir mantendo fidelidade narrativa.
Ty Lee é o teste disso. Ela é personagem suficientemente amada para justificar investimento, mas poucos a veem como central. É personagem que pode funcionar como coadjuvante brilhante OU como protagonista de arco próprio. A escolha que os roteiristas fizerem aqui — se aprofundam sua dimensão psicológica ou a mantêm como aliada tática de Azula — define se esta adaptação entende que personagens secundários podem carregar peso narrativo real. Ty Lee não é o Avatar. Mas pode ser quem nos obriga a questionar o que Azula está realmente fazendo à sua própria lealdade.
Fonte: thedirect.com
