O Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira 2026 coloca Cazuza no centro da 33ª edição em homenagem que reúne gerações de artistas em interpretações inéditas de seus clássicos. A cerimônia acontece amanhã, 10 de junho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com transmissão ao vivo pelo YouTube, e marca a primeira vez que a premiação dedica uma noite inteira ao legado de um único criador.
Por que Cazuza foi escolhido homenageado do Prêmio BTG 2026?
A escolha foi aprovada por unanimidade pelo Conselho do Prêmio, formado por nomes como Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Karol Conká e Antônio Carlos Miguel. O anúncio foi feito à mãe do artista, Lucinha Araújo, em telefonema coletivo dos conselheiros. A decisão reconhece que a obra de Cazuza — com clássicos como “Exagerado”, “O Tempo Não Para”, “Codinome Beija-Flor” e “Brasil” — atravessou gerações e permanece viva na música e na sociedade brasileira. Segundo o criador do prêmio, Zé Maurício Machline, “celebrar Cazuza é celebrar a coragem, a liberdade e a potência de uma obra que segue necessária”.
Quais artistas vão interpretar Cazuza na cerimônia?
Doze artistas de estilos distintos subirão ao palco do Theatro Municipal para performances inéditas do repertório de Cazuza:
- Seu Jorge — intérprete de samba e música brasileira que traz legitimidade e alcance generacional
- Ney Matogrosso — ícone da música brasileira e membro do Conselho do Prêmio
- Chico Chico — artista da cena pop contemporânea
- Ludmilla — representante do funk e da cultura urbana
- Lazzo Matumbi — produtor e artista eletrônico
- BNegão — voz consolidada da música experimental brasileira
- Luedji Luna — artista pop que mescla tradição e contemporaneidade
- Maneva — músico de reggae com alcance nacional
- Marina Sena — cantora de sertanejo pop
- Zizi Possi — intérprete tradicional da música brasileira
- Luísa Sonza — pop star da geração mais jovem
- Simone — artista clássica do pagode e samba
A curadoria busca criar encontros inéditos entre vozes de diferentes gêneros — do samba ao funk, do reggae ao sertanejo — a partir da obra do homenageado. O objetivo é demonstrar que Cazuza permeia múltiplas linguagens da música brasileira contemporânea, não apenas um único nicho.
Como será a estrutura da cerimônia?
Além das homenagens a Cazuza, a noite também revelará os vencedores das 18 categorias do prêmio, que reconhecem excelência em segmentos como axé, samba, funk, sertanejo, rap, rock, reggae, MPB, instrumental, pop e raízes. A cerimônia será apresentada por Débora Bloch e Alice Wegmann, com direção geral de Giovanna Machline e Zé Maurício Machline, direção musical de Pretinho da Serrinha, e cenografia de Nídia Aranha e Luisa Annik.
O evento reafirma a vocação do Prêmio BTG Pactual em “celebrar o passado, reconhecer o presente e impulsionar o futuro da música brasileira”, transformando Cazuza em ponto de encontro entre memória, emoção e contemporaneidade. A transmissão ao vivo permite que o público acompanhe em tempo real as apresentações e revelação dos vencedores.
Quem está indicado nas principais categorias?
Entre os artistas indicados na 33ª edição estão nomes consolidados e em ascensão na cena brasileira:
- MPB: Djavan, Dori Caymmi, Marisa Monte, Mateus Aleluia, Mônica Salmaso
- Samba: Alcione, Jorge Aragão, Moacyr Luz, Péricles, Xande de Pilares
- Sertanejo: Ana Castela, Bruna Viola, Chitãozinho & Xororó, Lauana Prado, Yasmin Santos
- Rap/Trap: Baco Exu do Blues, BK’, Don L, Emicida, Negra Li
- Rock: Black Pantera, Fresno, Mateus Fazeno Rock, Selvagens à Procura de Lei, Terno Rei
- Pop: BaianaSystem, Lenine, Luedji Luna, Marina Sena, Os Garotin
- Funk: Deize Tigrona, Enme, Mac Júlia, MC Kevin o Chris, O Kannalha
- Canção Popular: João Gomes, Joelma, Lucy Alves, Peninha, Simone Mendes
A lista reflete a diversidade da produção musical brasileira no último ano, abrangendo desde artistas que acompanham tendências globais até nomes que resgastam tradições regionais. Alguns indicados, como Marina Sena e João Gomes, também participarão da homenagem a Cazuza no palco.
Por que esta homenagem importa agora?
Cazuza faleceu em 1990, aos 32 anos, deixando um legado que permanece referencial na música brasileira e além. Ao escolher sua obra como tema central da cerimônia de 2026, o Prêmio BTG Pactual não apenas reverencia o passado, mas afirma que suas composições — marcadas pela poesia lírica, pela crítica social e pela sensibilidade — continuam pertinentes. A estratégia de reunir artistas de estilos radicalmente diferentes interpretando suas canções reforça essa permanência: não há gênero que Cazuza não tenha tocado, direta ou indiretamente.
Para gerações que não vivenciaram sua morte ou que o conhecem apenas pelos arquivos históricos, essa noite oferece um encontro renovado com sua obra. Para fãs consolidados, é uma celebração que confirma o lugar inconteste que Cazuza ocupa na cultura brasileira, ao lado de poucos nomes que ultrapassaram seu contexto de origem e se tornaram universais.
Fonte: rollingstone.com.br