Backrooms: Um Não-Lugar alcançou US$ 212,6 milhões em bilheteria global, tornando-se o maior lançamento de toda a história da A24, superando o recorde anterior de Marty Supreme. O filme arrecadou US$ 135 milhões apenas no mercado americano, permanecendo em terceiro lugar nas bilheterias dos EUA em seu segundo fim de semana com US$ 25,9 milhões.
Como Backrooms virou o filme A24 mais lucrativo de todos os tempos?
O fenômeno começou brutal. Na estreia, o longa quebrou o recorde de abertura para filme de terror original, arrecadando US$ 81 milhões em seu primeiro fim de semana nos EUA. Mesmo com queda de 70% na semana seguinte — algo esperado em lançamentos de grande escala — o filme continua acumulando cifras impressionantes e consolidando sua dominância nas bilheterias. Para uma distribuidora conhecida por filmes de nicho e prestígio, esses números são historicamente anormais.
A durabilidade do longa é o fator mais relevante aqui. Muitos filmes de horror têm picos violentos de abertura seguidos de colapso rápido. Backrooms mantém sua força porque conseguiu conquistar tanto o público de fã da franquia original do YouTube quanto espectadores que desconhecem totalmente a propriedade intelectual. Isso sugere que o filme funciona como experiência de terror puro, não como adaptação direcionada exclusivamente para fãs.
Por que Backrooms superou todos os lançamentos anteriores da A24?
A A24 historicamente prospera em um nicho específico: cinema independente de qualidade, horror inteligente, drama artístico. Seus maiores sucessos — Hereditary, Midsommar, Everything Everywhere All at Once — combinam reconhecimento crítico com apelo comercial moderado. Backrooms inverte essa equação: é o primeiro lançamento da distribuidora que se comporta como blockbuster genuíno.
Três fatores explicam isso. Primeiro, Kane Parsons, criador da série The Backrooms no YouTube, trouxe uma base de fãs já cultivada há anos em plataforma digital. Segundo, o timing de lançamento coincide com crescente apetite por horror em plataformas de streaming e social media — o gênero está novamente em favor cultural. Terceiro, a premissa é simples e visceral o suficiente para justificar a produção de maior orçamento sem perder a atmosphère que define o universo Backrooms.
Qual é a história de Backrooms: Um Não-Lugar?
O filme acompanha Clark, personagem de Chiwetel Ejiofor, dono de uma loja de móveis que descobre uma passagem para os Backrooms — um espaço paralelo de horror inescapável — dentro de seu próprio prédio. Após desaparecer, sua terapeuta, Dra. Mary Kline, interpretada por Renate Reinsve, entra nesse espaço perturbador na tentativa de localizá-lo e trazê-lo de volta.
O elenco complementar inclui:
- Mark Duplass — traz presença cômica e humanidade ao filme
- Finn Bennett — personagem que ancora a narrativa secundária
- Lukita Maxwell — papel de suporte na dinâmica de sobrevivência
- Avan Jogia — integra o elenco em sequência narrativa significativa
O que significa esse recorde para o futuro da A24?
A A24 construiu sua reputação em independência artística e rejeição ao modelo blockbuster convencional. Backrooms não rompe com essa identidade — mantém horror genuíno, direção coerente, e não sacrifica visão criativa por lucro. Mas prova que a distribuidora pode competir em escala sem perder credibilidade.
Isso abre questionamento legítimo: se horror de qualidade pode gerar US$ 212 milhões globalmente, por que a A24 manteve postura tão conservadora em orçamentos antes? Uma interpretação possível é que a inflação de custos, combinada com aceitação maior do cinema de horror pós-pandemia, finalmente viabilizou esse tipo de investimento.
A continuação de Backrooms já está em desenvolvimento, segundo fontes da distribuidora. Isso sinaliza que a A24 planeja expandir a propriedade intelectual além do primeiro filme — movimento historicamente raro para a empresa.
Backrooms ainda está em cartaz?
Sim, Backrooms: Um Não-Lugar permanece em cartaz nos cinemas, conquistando a posição de terceiro lugar nas bilheterias americanas em seu segundo fim de semana. Dada sua força contínua nas bilheterias mesmo com queda esperada, o filme provavelmente mantará presença em salas por mais 3-4 semanas antes de ceder espaço para novos lançamentos.
Fonte: observatoriodocinema.com.br