The Cure voltou aos palcos no Primavera Sound de Barcelona com um show de 29 músicas que resgatou faixas raras não tocadas há anos, marcando seu primeiro show em 18 meses e sinalizando uma transição para nova fase da banda após o lançamento de Songs of a Lost World.
A apresentação na Espanha funcionou como um laboratório criativo para Robert Smith e companhia — enquanto o setlist preservou sucessos consagrados, a banda aproveitou o palco principal do festival para explorar um repertório esquecido pelos fãs, quebrando a rotina dos últimos shows e criando aquele clima de “você estava lá?” que torna festivais memoráveis.
Quais músicas raras o The Cure trouxe de volta em Barcelona?
O destaque foi “2 Late”, lado B de “Lovesong”, que não era tocada ao vivo desde 2019. A surpresa continuou com “alt.end” e “Mint Car”, do álbum Wild Mood Swings, apresentadas ao vivo pela primeira vez desde 2018 e 2016, respectivamente. Durante o bis, veio mais uma: “Wrong Number”, que retornou ao setlist após cinco anos de ausência (último toque em 2019).
Essa estratégia de resgatar profundidades do catálogo aponta para algo que merecia mais atenção da crítica: bandas veteranas nem sempre repetem as mesmas 15 músicas. O The Cure tem décadas de material e, quando escolhe revolver o baú, cria um incentivo real para aparecer em um festival específico — não é apenas “mais um show do The Cure”, é uma ocasião única.
Como ficou o setlist entre sucessos e novidades?
Embora o show tenha resgatado raridades, a estrutura manteve equilíbrio. Apenas duas músicas de Songs of a Lost World — o álbum lançado em novembro de 2024 — entraram no setlist: “Alone” e “End Song”. Isso sugere uma transição deliberada: o banda está saindo da fase de promoção do disco anterior e sinalizando movimento em direção ao próximo álbum.
A escolha é inteligente do ponto de vista narrativo. Songs of a Lost World foi tratado como um retorno monumental quando lançado (seu primeiro álbum em 16 anos), mas Barcelona mostrou que The Cure não quer ficar preso àquele disco — quer movimentar-se, explorar, preparar o terreno para o que vem adiante. É a resposta musical para quem esperava uma banda estagnada.
O que o show diz sobre um possível novo álbum do The Cure?
Embora o grupo não tenha anunciado oficialmente um novo disco, os rumores circulam. O repertório do Primavera Sound, com sua ênfase em profundidades do catálogo e apenas duas músicas do álbum mais recente, deixa implícito que há movimento de composição acontecendo nos bastidores.
Outra pista: Robert Smith está no próximo álbum dos Rolling Stones, intitulado Foreign Tongues. Sua participação indica que The Cure permanece criativo e colaborativo, não apenas rodando em ciclos de turnê. O envolvimento com projetos paralelos costuma preceder períodos produtivos para bandas experientes.
A coincidência de datas também é relevante: Olivia Rodrigo anunciou uma apresentação surpresa no Primavera Sound no mesmo fim de semana — e seu próximo álbum inclui a faixa “Drop Dead”, que cita The Cure pelo nome, além de “The Cure” (sim, uma música intitulada com o nome da banda). A influência de Smith sobre a geração mais jovem permanece ativa e mensurável.
Quais são os próximos shows europeus do The Cure?
- Rock Werchter — Bélgica, verão 2025
- Roskilde — Dinamarca, verão 2025
- Pinkpop — Holanda, verão 2025
- Isle of Wight — Reino Unido, verão 2025
A sequência de festivais europeus consolida The Cure como atração essencial do circuito de verão. Diferente de bandas que fazem turnês estruturadas com datas fixas em cidades, The Cure mantém uma presença festival-cêntrica — o que significa que seus shows tendem a ser ocasiões, não rotina.
Por que o show em Barcelona importa além do setlist?
Depois de 18 meses sem tocar, The Cure poderia ter optado por um show seguro, previsível. Em vez disso, escolheu um palco principal em Barcelona para fazer experimentos de repertório. Isso revela confiança: a banda não tem medo de não tocar os hits, porque sabe que sua relevância transcende um ou outro single.
O público que compareceu esperava o The Cure como instituição histórica — e ganhou The Cure como banda ainda curiosa sobre seu próprio catálogo, ainda disposta a surpreender. Raramente as duas coisas convivem em shows de veteranos, tornando Barcelona um momento raro mesmo entre raros shows de The Cure.
Fonte: rollingstone.com.br
