O diretor Adam Marcus publicou críticas severas contra Val Kilmer pouco mais de um ano após a morte do ator em abril de 2025, reavivando uma longa discussão sobre o comportamento problemático de Kilmer nos sets de filmagem. Marcus trabalhou com o ator no filme Conspiração (2008) e utilizou suas redes sociais para desabafar sobre a experiência negativa, antecipando que suas palavras gerariam controvérsia.
O que Adam Marcus disse sobre Val Kilmer?
Adam Marcus descreveu Val Kilmer como “o pior ser humano que já conheci… e isso é dizer muito”, afirmando que o comportamento do ator no set foi intolerável. O diretor também fez um ponto importante sobre a atualidade: segundo Marcus, se Kilmer tivesse repetido suas ações no set hoje em dia, teria sido “cancelado num piscar de olhos”. Marcus antecipou críticas ao falar mal de um falecido, respondendo de forma agressiva: “E para todos vocês que estão revirando os olhos por causa dessa baboseira de ‘não fale mal dos mortos’, que se dane isso.” Posteriormente, todas as postagens do diretor foram apagadas das redes sociais.
Qual era o papel de Val Kilmer em Conspiração?
No longa de 2008, Val Kilmer interpretou William “Spooky” MacPherson, um veterano da Guerra do Iraque com deficiência física que viaja ao Arizona para visitar um antigo amigo. Ao chegar, descobre que o amigo e sua família desapareceram de forma misteriosa, e os moradores locais negam que eles sequer tenham existido. O personagem então desvenda uma conspiração corporativa envolvendo a exploração e abuso de imigrantes ilegais, levando Kilmer a carregar o peso narrativo de grande parte do filme.
Qual é a reputação de Val Kilmer nos sets de cinema?
As críticas de Marcus se alinham a um padrão documentado ao longo de décadas. Joel Schumacher, que dirigiu Kilmer em Batman Eternamente (1995), o chamou publicamente de “infantil e impossível” e um “ser humano psicologicamente perturbado”. O diretor John Frankenheimer foi ainda mais direto: após trabalhar com Kilmer em A Ilha do Dr. Moreau (1996), afirmou que nunca mais colaboraria com o ator, marcando um fim de carreira profissional entre os dois.
Esses relatos não são isolados. Diversos cineastas descreveram ao longo dos anos Kilmer como alguém extremamente difícil de se trabalhar, sugerindo um padrão comportamental que vai além de boatos ou exageros. O que torna as declarações ainda mais significativas é que profissionais de alto calibre, como Schumacher e Frankenheimer, não hesitaram em tornar públicas suas experiências negativas mesmo em uma época em que Hollywood era menos transparente sobre conflitos nos sets.
Como Val Kilmer respondeu às acusações?
Em 2003, durante uma entrevista à Rolling Stone, Val Kilmer abordou as críticas públicas de forma reflexiva. “Fui descuidado com a forma como vi meu negócio. Mas acredito que a verdade é a verdade e uma mentira é uma mentira”, disse na época. Kilmer também respondeu especificamente sobre Frankenheimer: “Frankenheimer, que Deus o tenha, faleceu, mas ele tinha um histórico de ser cruel com as pessoas”, sugerindo que o problema não era unilateral, mas que o diretor também teria contribuído para o conflito.
Já no documentário Val (2021), dirigido por Leo Scott e Ting Poo, o ator ofereceu uma reflexão mais ampla sobre seu comportamento: “Já me comportei mal. Já me comportei bravamente. Já me comportei de forma bizarra com alguns. Não nego nada disso e não me arrependo, porque perdi e encontrei partes de mim que nem sabia que existiam. E sou abençoado.” Essa declaração sugere uma aceitação de suas ações passadas, mas não necessariamente uma mudança de conduta ou pedido de desculpas específicas.
Por que a crítica de Marcus causa impacto agora?
A declaração de Adam Marcus ganha relevância porque rompe com uma espécie de trégua silenciosa que frequentemente ocorre após a morte de celebridades. A morte de Kilmer em 1º de abril de 2025 de pneumonia poderia ter encerrado o debate sobre seu comportamento, mas Marcus escolheu ressuscitar a conversa de forma pública, desafiando a noção de “não falar mal dos mortos”. Essa atitude reflete uma mudança cultural onde profissionais passam a valorizar a verdade sobre a reputação pessoal de uma figura, independentemente de seu falecimento.
O timing das críticas também marca uma divisão geracional e de valores. Marcus sugere que o comportamento de Kilmer seria inaceitável nos padrões atuais de responsabilização, evidenciando como a indústria evoluiu em suas políticas sobre assédio e abuso de poder nos sets. Para Marcus, falar a verdade agora é uma forma de reconhecer que o silêncio prolongado sobre má conduta já não é aceitável, mesmo quando o perpetrador já faleceu.
Fonte: rollingstone.com.br