Stranger Things sempre foi uma carta de amor aos anos 80, à amizade e ao poder das histórias imaginadas por crianças. E no coração disso tudo está Dungeons & Dragons (D&D), o RPG de mesa que abre o piloto da série em 2016 e fecha o ciclo de maneira inesquecível no finale lançado em 31 de dezembro de 2025.
O começo e o fim no porão dos Wheeler
- A série começa com Mike, Dustin, Lucas e Will jogando Dungeons & Dragons, enfrentando o Demogorgon – que logo vira realidade.
- No epílogo do finale (18 meses após a batalha final, em 1989), o grupo – agora adolescentes prestes a se formar no ensino médio, com Max recuperada – se reúne uma última vez no mesmo porão para uma campanha final.
Mike atua como Dungeon Master e narra o “epílogo” da campanha, espelhando a vida real: futuros felizes para Lucas e Max juntos, Dustin na universidade, Will aceito em uma grande cidade. O momento mais emotivo é a história alternativa sobre Eleven: com ajuda de Kali (008), ela criou uma ilusão para fingir sua morte e viver em paz em uma vila remota, longe do governo.
Os irmãos Duffer confirmaram que isso foi planejado desde o início: “A série começa e termina com uma partida de D&D no porão. É o adeus à infância” (entrevista ao Netflix Tudum).
Após guardarem os dados e manuais, o grupo sobe as escadas. Então, Holly Wheeler (irmã de Mike) desce com seus amigos para iniciar sua própria campanha – passando o bastão para a próxima geração.
Os créditos finais são ilustrados no estilo clássico de manuais de D&D, recapitulando a jornada como uma campanha épica.
Por que Dungeons & Dragons em Stranger Things fecha o ciclo de forma perfeita?
Para os Duffer Brothers, D&D é o núcleo da série:
- Simboliza amizade, criatividade e escapismo – o refúgio dos “nerds” contra o mundo adulto.
- Paralelos narrativos: Monstros como Demogorgon, Mind Flayer e Vecna saíram direto do jogo. A batalha final é como o clímax de uma campanha, com cada personagem usando sua “habilidade especial”.
- Tema de crescer: “O porão representa a infância. Fechá-lo é dizer adeus”, explica Ross Duffer.
Sobre Eleven: Seu destino é ambíguo intencionalmente. Ela parece se sacrificar destruindo o Upside Down, mas Mike narra a versão esperançosa (com ilusão de Kali). Os Duffers deixam para nós decidirmos: “Mike escolhe a esperança”.
Vecna é morto definitivamente (Joyce dá o golpe final com um machado, gritando “You fucked with the wrong family”), o Mind Flayer é destruído, e o grupo segue para vidas felizes.
Stranger Things não terminou com tragédia em massa, mas com nostalgia, esperança e um círculo fechado: as aventuras acabam para eles, mas o jogo – e as histórias – continua para sempre.
Um final emocional, fiel às raízes e perfeito para uma série que nos fez acreditar em stranger things.