“Melania”, documentário de Brett Ratner sobre a ex-primeira-dama dos EUA, abriu o fim de semana com US$ 8,1 milhões e cravou o maior lançamento de um documentário na última década. Mesmo assim, o valor representa apenas uma fração dos US$ 75 milhões investidos em distribuição e marketing, colocando em dúvida a viabilidade financeira da produção.
- Abertura de US$ 8,1 milhões em 3 dias nos EUA
- Orçamento de distribuição + marketing: US$ 75 milhões
- Recorde de melhor estreia para documentário em 10 anos
- Nota A no CinemaScore e 99% no Popcornmeter
- Apenas 6% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes
- Estimativa: precisa arrecadar cerca de US$ 150 milhões para empatar
Recorde histórico, mas atrás de dois filmes de terror
Segundo projeções divulgadas no sábado pela manhã, “Melania” ficou em 3º lugar na bilheteria norte-americana, atrás dos lançamentos de terror “Send Help” e “Iron Lung”. O resultado supera o recorde anterior de “After Death”, que somou US$ 5 milhões em 2023, e estabelece o melhor fim de semana de estreia para um documentário desde então.
O desempenho foi obtido com uma média de US$ 4.556 por sala. O número é robusto para o segmento, mas inferior às médias registradas por grandes documentários do passado, como “Fahrenheit 9/11” (US$ 27.558) e “March of the Penguins” (US$ 34.373).
Orçamento elevado pressiona meta de bilheteria
A Amazon MGM Studios pagou US$ 40 milhões pelos direitos de distribuição e desembolsou mais US$ 35 milhões em campanhas de divulgação. Com os cinemas retendo cerca de metade da receita bruta, especialistas calculam que o longa precisa chegar a US$ 150 milhões no mundo para não dar prejuízo.
Apenas dois documentários não musicais já superaram essa barreira, como mostra o ranking abaixo:
- “Grand Canyon: The Hidden Secrets” (1984) – US$ 239 milhões no mundo
- “Fahrenheit 9/11” (2004) – US$ 221,1 milhões
- “March of the Penguins” (2005) – US$ 133,3 milhões
- “Everest” (1998) – US$ 128 milhões
- “Space Station” (2002) – US$ 126,5 milhões
- “To Fly!” (1976) – US$ 120,7 milhões
- “Earth” (2009) – US$ 116,8 milhões
Dessas produções, várias começaram em circuito limitado com média de público bem superior à obtida por “Melania”.
Divisão entre crítica e público
No Rotten Tomatoes, o filme recebeu apenas 6% de aprovação de críticos, mas conquistou 99% no Popcornmeter, medido a partir de mais de cem avaliações de usuários, além de nota A no CinemaScore. A forte discrepância reflete a polarização em torno do tema e indica que o longa atrai principalmente espectadores alinhados a Melania e Donald Trump.
Essa capacidade de engajamento doméstico reproduz o fenômeno visto em outros títulos recentes; um exemplo parecido ocorreu com o filme psicológico para maiores que virou sucesso na HBO Max apesar de desempenho tímido nos cinemas.
Comparação com “After Death” e riscos de queda rápida
A referência mais próxima é o documentário cristão “After Death”, que terminou a carreira com US$ 20,2 milhões, sendo 97% desse montante arrecadado nos EUA. Se “Melania” seguir trajetória semelhante, é improvável que ultrapasse a marca de US$ 30 milhões globais.
A desaceleração costuma ser ainda mais acentuada em temas políticos norte-americanos, pois o interesse internacional costuma ser limitado. Para analistas de bilheteria, a curva de audiência deve ficar clara nas próximas duas semanas, período crítico para medir retenção de público.
Mercados internacionais apontam baixa demanda
Relatos de sessões com venda de ingressos em números de um dígito no Reino Unido sugerem fraca repercussão fora dos EUA. Situações parecidas já ocorreram com títulos de forte viés cultural americano, como projetos ambientados no universo do Batman em desenvolvimento por Sam Raimi, que também enfrentam desafios para converter notoriedade doméstica em renda global.
Sem expectativa de grande expansão internacional, a produção dependerá quase exclusivamente da bilheteria norte-americana para atingir o ponto de equilíbrio, algo que raramente acontece com documentários de alto custo.
Próximos passos
A estratégia do estúdio inclui manter o filme em cartaz em mais de 1.700 salas pelo menos até o feriado do Dia do Trabalho, ampliar exibições em cidades médias e reforçar ações de marketing voltadas a comunidades conservadoras. Caso a sustentação não seja suficiente, eventuais acordos de streaming deverão ser fundamentais para amenizar eventuais perdas.
A direção de 104 minutos foi produzida por Fernando Sulichin, Brett Ratner, Melania Trump e Marc Beckman, com aparições de Donald Trump. O desempenho nas próximas semanas definirá se a obra entrará para a lista dos documentários mais rentáveis ou se reforçará o risco de orçamentos inflados no gênero.


