Minions & Monstros estreou há apenas dois dias no Brasil e já quebrou uma das regras mais importantes da narrativa de franquias: conquistou as melhores críticas de toda a série ao se tornar, tecnicamente, o filme mais antigo da timeline. O longa recebeu 91% no Rotten Tomatoes, melhor pontuação que qualquer outro título de Despicable Me ou Minions, e isso não é coincidência — é uma declaração editorial.
Resumo rápido
- Lançamento no Brasil: 2 de julho de 2026
- Crítica: 91% no Rotten Tomatoes (melhor da franquia)
- Cronologia: 1920s Hollywood — o filme mais antigo da série
- Público: A- CinemaScore e $14,2M no primeiro dia nos EUA
- Bilheteria global: já passou $62 milhões em 48h
O paradoxo criativo que a Illumination resolveu
A premissa de Minions & Monstros é desarmante em sua simplicidade: Minions chegam a Hollywood em 1920 para virar estrelas de cinema, mas perdem tudo quando os filmes falados (talkies) dominam a indústria porque falam apenas Minionês. Dois deles, James e Henry, recusam-se a desistir e tentam fazer seu próprio filme de monstros. Não há Gru. Não há roubo de lua. Não há redemção dramática pré-fabricada.

Isso é radical para uma série que passou 16 anos construindo sua identidade em torno de um vilão que se torna pai. O universo de Despicable Me tradicionalmente segue a evolução dos Minions desde sua origem primordial até sua progressão com Gru, da fase de vilania para a vida de pai de família. Mas Minions & Monstros não quer replicar esse arco. Quer questionar como uma série pode evoluir se estiver presa à sua própria mitologia.
A resposta que a Illumination encontrou foi simples e brilhante: volte para um momento em que a própria indústria (Hollywood em 1920) estava se reinventando. Use isso como metáfora. Deixe os Minions lidar com fracasso, não redenção.
O ponto de partida mais criativo da franquia
A trama coloca James e Henry em busca de criaturas reais para seu filme de monstros, e com a ajuda de um livro de feitiços e da criatura Goomi, eles despertam verdadeiros horrores. Entre elas, Irene, uma criatura de lodo gigante com apetite infinito que ameaça engolir o planeta.
O cenário é deliberado. Hollywood em 1920 não é apenas nostalgia; é o momento exato em que o cinema passou de mudo para sonoro. O filme presumivelmente se passa entre 1927 e 1929, quando filmes com som começaram a ser regularidade. Há até um anacronismo intencional: um Minion faz drama de detetive estilo noir, quando o gênero noir só se tornaria popular nos anos 1940. Isso sugere que Minions & Monstros sabe exatamente o que está fazendo — tratando Hollywood 1920s como um espaço onde diferentes gêneros coexistem fora do tempo linear.

É criativa porque recusa a narrativa vitoriosa. O crítico da Variety, Guy Lodge, chamou “Minions & Monsters” de “um pico claro para a série”, observando que é “mais inteligente, mais selvagem e mais engraçado do que a sétima entrada em qualquer franquia de animação tem direito de ser”. Isso é um elogio não apenas ao filme, mas à decisão de a Illumination recusar a segurança.
Um elenco que valoriza o bastidor criativo
O elenco original inclui Zoey Deutch, Christoph Waltz, Jeff Bridges, Allison Janney, Jesse Eisenberg, Trey Parker e Bobby Moynihan. Nenhum deles é um rosto — todos são construidores de mundo. Waltz traz tensão. Bridges traz gravitas. Parker, que é director.writer, traz sarcasmo de gênero (ele faz a voz de Goomi, a criatura que ativa a conspiração).
O filme foi dirigido e narrado por Pierre Coffin, que responsável por diversos sucessos da franquia e retorna para conduzir a história, misturando humor, aventura e referências ao universo do cinema clássico. Mas dirigir é só metade. Pierre Coffin também dubla os Minions, emprestando sua voz a centenas deles — cada um é uma variação de uma linguagem que ele inventou.
O que a volta no tempo revela sobre o futuro
Aqui está a tensão real: se Minions & Monstros é cronologicamente o primeiro capítulo da saga (antes até do Minions original de 2015), e recebeu a melhor recepção crítica, isso significa o quê?
O filme tem cenas pós-crédito importantes para fins de cronologia, pulando para a era de Gru, sugerindo que Illumination sabe que seu público quer conexão narrativa. Mas a qualidade crítica deste prequel indica que a franquia não precisa de Gru para funcionar — precisa apenas de ideias que desafiem o status quo.
Minions & Monstros tem projeção de estreia global de mais de US$ 170 milhões, enquanto a saga Meu Malvado Favorito acumula US$ 5,6 bilhões nas bilheterias mundiais. Essa bilheteria será confirmada em poucos dias, mas o que importa já foi medido: crítica legitimou um experimento que poderia ter fracassado.
Porque a Illumination fez algo que franquias raramente fazem — permitir que o prequel seja não apenas narrativamente importante, mas criticamente superior. Isso não é sobre derrotar os filmes anteriores. É sobre abrir o universo, não fechá-lo.
Fonte: thedirect.com

