Baterista piracicabano vence concurso do Metallica com percussão de rua

Marcelo Seghese é baterista profissional com mais de 28 anos de carreira e formação em música, nascido em Piracicaba, São Paulo, que começou seus estudos de bateria aos 12 anos. Mas foi com uma tábua de lavar e uma galinha de borracha que o músico venceu um concurso promovido pelo Metallica. A vitória aconteceu porque Seghese participou da categoria não tradicional do desafio #GetTheReLoadOut, exatamente a que pede por criatividade sem filtro.

Quem é Marcelo Seghese além do viral

O que diferencia esta história de um meme isolado é o currículo por trás. Seghese é conhecido mundialmente por fazer um solo no leito seco do rio de Piracicaba, performance que o colocou em evidência regional. Mais recentemente, estudou na Universidade Livre de Música Tom Jobim com mestres como Lauro Lellis e Arismar do Espírito Santo, e formou-se em Licenciatura em Música pela Universidade Metodista de Piracicaba. Seu histórico competitivo também marca presença: em 2012, participou do Roland V-Drums Championship na etapa nacional, ficando em terceiro colocado do Brasil.

O ponto é que quando Marcelo pegou em uma tábua de lavar e uma galinha de borracha para gravar sua versão de “Attitude”, isso não foi improviso de amador. O humor não esconde o trabalho musical: há arranjo, deslocamento rítmico, criatividade e domínio suficiente para transformar a brincadeira em performance.

O desafio criativo que aceitou uma percussão não convencional

O Metallica lançou a segunda rodada do concurso #GetTheReLoadOut para comemorar o relançamento de “ReLoad” com uma nova segunda categoria: além das covers mais tradicionais, artistas performáticos e visuais também estão convidados a participar. O músico apresentou um arranjo original de “Attitude”, faixa do álbum “Reload”, de 1997, e acabou escolhido em uma das disputas ligadas às comemorações pelo relançamento do disco.

“Attitude” não é uma faixa obscura da banda. É a décima segunda música do álbum ReLoad, escrita por James Hetfield e Lars Ulrich, com duração de 5:16. Quando Marcelo a transformou, segundo sua própria descrição, a música virou salsa, “não tem nada a ver com a original” — e foi exatamente isso que o concurso procurava.

O concurso propõe desafios semanais baseados nas músicas de “Reload”, com Marcelo participando na categoria não tradicional, voltada justamente para versões próprias e abordagens menos convencionais.

O que a vitória representa além dos prêmios

O pacote de premiação incluiu camisetas e CDs, mas o reconhecimento mais chamativo veio de outro jeito: o vídeo foi publicado como colaboração no perfil oficial do Metallica no Instagram. Para um fã da banda, esse tipo de exposição tem um valor que vai além do pacote de brindes.

“Fiquei muito feliz mesmo. Sou fã da banda Metallica e gosto muito de rock. Comecei tocando bateria aprendendo rock”

Marcelo Seghese, ao G1

A resposta é simples, mas revela o que realmente importa para um músico que passou décadas construindo sua carreira em uma cidade do interior: o reconhecimento direto da banda que o inspirou. O Metallica não escolheu a versão mais técnica ou a que mais se aproximava do original. Escolheu a que tinha coração.

O contexto do relançamento que trouxe o concurso

O relançamento de “ReLoad” chega em 26 de junho, via Blackened Recordings, o selo próprio da banda — a data que justamente coincidia com esta notícia no Brasil. Uma faixa diferente do álbum será destacada a cada semana durante a competição, culminando com dois vencedores do Grande Prêmio, cada um levando para casa uma “ReLoad Remastered Limited Edition Deluxe Box Set” autografada pelo Metallica.

A estratégia do Metallica não é apenas reviver um álbum controverso dos anos 1990. Temas como “Fuel” e “The Memory Remains” tornaram-se peças habituais dos concertos da banda, e o que em 1997 soava a derivação estilística lê-se hoje como um capítulo de transição audaz. O concurso está em linha com esse resgate: convidando versões que desafiem a original, o Metallica está dizendo que “Reload” é material vivo, pronto para ser reinterpretado.

Para um baterista de Piracicaba que começou a carreira em bailes com o pai e que virou conhecido por tocar em um rio seco, ter seu trabalho reconhecido pela banda que definiu sua trajetória musical é mais que um prêmio. É confirmação.

Fonte principal: rollingstone.com.br. Informações complementares: Whiplash.Net, Big Rock N Roll, Rolling Stone Brasil, Universal Music Brasil.

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