tick, tick… BOOM! desembarca em São Paulo com aposta arriscada no legado de Larson

O musical tick, tick… BOOM! chega ao Teatro Viradalata, em São Paulo, para uma curtíssima temporada entre os dias 9 e 19 de julho de 2026. Mas não é apenas mais um fim de temporada em rotação nacional — é a consolidação de uma aposta editorial em um clássico que permanece invisível no teatro brasileiro contemporâneo, a despeito do boom cinematográfico que Lin-Manuel Miranda entregou em 2021.

Resumo rápido

  • Temporada: 9 a 19 de julho de 2026, quintas e sextas às 20h, sábados e domingos às 16h e 20h
  • Local: Teatro Viradalata, Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo, SP
  • Elenco: Matheus Boa como Jon, Camille Dutra como Susan e Diego Montez como Michael
  • Ingressos: a partir de R$ 60 pela Sympla
  • Duração: 100 minutos

O que Matheus Boa carrega dessa história que não é apenas sua

tick, tick… BOOM! é inspirada pelos próprios anseios de Jonathan Larson, responsável por Rent, que faleceu antes de testemunhar que, de fato, havia criado um dos maiores musicais dos anos 1990. Essa é a questão central que Larson deixou pendente — e que Matheus Boa, um ator até recentemente desconhecido do grande público, precisa responder por ele.

A trajetória da produção revelou algo importante sobre o mercado de teatro musical brasileiro: apesar do sucesso do filme de Lin-Manuel Miranda, que venceu o Globo de Ouro e chegou a ser indicado ao Oscar, outros artistas ainda não tinham tido interesse em trazer a peça de volta aos palcos brasileiros. O filme é de 2021, mas ninguém havia vindo. Então, o grupo notou que tinham que aproveitar esse momento, porque o filme deu um nome maior para o título. Isso significa que tick, tick… BOOM! no Brasil permanecia um filme visto por streaming, não uma experiência compartilhada em sala de teatro — o lugar onde Larson imaginou ela existindo.

Por que uma banda ao vivo muda tudo em uma história sobre criação urgente

A direção é assinada por Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires, profissionais que acumulam experiências em produções como Beetlejuice, Querido Evan Hansen e a novela Garota do Momento. Essas credenciais importam porque montadores dessa geração entendem que tick, tick… BOOM! não é um retrospectivo — é uma peça sobre tempo correndo, sobre urgência criativa.

A banda ao vivo de quatro músicos não é apenas cenário. O nome da peça representa exatamente isso: tick, tick… BOOM! é o som do tempo correndo, a sensação de estar prestes a explodir com o peso das expectativas e do futuro incerto. Quando instrumentistas estão em cena, cada nota precisa ser decidida naquele instante — não há segurança da gravação, não há retakes. Jon (personagem) e a banda vivem a mesma pressão que o público sente de suas cadeiras.

Temas que se recusam a envelhecer depois de três décadas

Com questões atemporais, como saúde mental, amizade, HIV, diversidade, sonhos e medo de não deixar uma marca no mundo, tick, tick… BOOM! se mantém relevante mais de três décadas após sua criação. Mas em 2026, esses temas ressignificam a peça. Um ator jovem que interpreta um compositor aos 30 anos, cercado de temas de saúde mental e ansiedade profissional, não está apenas recitando o passado de Larson — está devolvendo essas questões ao presente onde vivem.

A data da temporada importa: São Paulo em julho é teatro de meio de ano, época em que o mercado respira antes da correria de agosto. É inteligente. Significa que o público que chegar terá espaço mental para processar uma peça que não oferece respostas fáceis sobre se vale a pena sonhar.

O que essa volta aos palcos significa para o teatro musical brasileiro agora

Temos uma grande responsabilidade por ser a primeira montagem teatral brasileira após o sucesso do filme, explicou Flávio Boa, produtor executivo. Essa responsabilidade não é apenas de fidelidade — é de tradução. A versão cinematográfica de Miranda entregou Andrew Garfield cantando “Boomer Anthem” em Manhattan com fotografia de cinema. Agora, quatro músicos em um palco de intimidade precisam fazer isso ressoar de forma diferente.

Nenhuma montagem de theatre é um replay do filme. Cada uma oferece uma leitura. A encenação aposta na proximidade entre artistas e plateia para transformar o público em parte da jornada de Jon. Isso é crucial. Em teatro, você sente o suor, o cansaço real, a voz que falha sob pressão. Não há close-up que perdoe o ator. Não há trilha sonora que salve a cena. Apenas Matheus Boa e uma questão: vale a pena?

A temporada segue até 19 de julho no Teatro Viradalata, com ingressos a partir de R$ 60. Para quem acompanha teatro musical contemporâneo, é a chance de ver como uma geração inteira de atores brasileiros está conversando com as ansiedades de criar em 2026 — não apenas em 1990.

Fonte principal: rollingstone.com.br. Informações complementares: Alpha FM, Guia do Ator, Rolling Stone Brasil, Woo Magazine, BM Art.

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