Diretor de cinema cult e celebridade do cinema de rua, John Waters tem fama de dizer coisas que nenhum outro diretor ousa. Mas de tudo o que ele disse em sua aparição no podcast Las Culturistas no dia 13 de maio, a mais inesperada foi sobre por que Eminem não é homofóbico — e a prova virou lenda entre fãs de cultura pop. Trata-se de uma história que circula desde 2017, quando Elton John a revelou, mas que ganhou nova potência na boca de Waters: dois anéis de ouro para os genitais, enviados para o casamento de Elton John e David Furnish em dezembro de 2014.
O defensor mais improvável que Eminem poderia ter
Waters chegou ao podcast para falar de cinema e de sua recém-completada oitava década de vida, mas quando os apresentadores Matt Rogers e Bowen Yang perguntaram sobre o que ele ainda espera fazer, a resposta foi inesperada: conhecer Eminem. Ele afirmou que Eminem é a única pessoa que ainda quer encontrar, mencionando que tinha dito isso por dois anos. Quando questionado sobre qual seria o “problema” do rapper, Waters fez sua defesa.
O que chamou atenção não foi apenas a opinião de Waters, mas o argumento que escolheu: um presente de casamento que funciona como símbolo de uma amizade genuína. Quando Elton John e David Furnish se casaram em 2014, Eminem enviou anéis com diamantes em caixas de veludo, e Elton reconta a história frequentemente como prova do senso de humor do rapper e da profundidade de sua amizade improvável.
A origem de uma amizade que desmentiu preconceitos
A história entre Eminem e Elton John começa em 2001, em um contexto muito diferente do de hoje. No Grammy Awards de fevereiro de 2001, Eminem era divisivo porque suas letras eram consideradas discurso de ódio, particularmente por grupos de direitos que o acusavam de ideias homofóbicas. Uma performance conjunta parecia impensável.
Mas apesar dos protestos no local da cerimônia, os artistas entregaram uma versão inesquecível de “Stan”, e no final da música levantaram as mãos em demonstração de unidade e se abraçaram em um momento que se propagou pelo mundo. Segundo o comentarista Steve Gottlieb, artistas como Elton conseguem diferenciar a arte ou a letra de sua opinião pessoal.
Waters vê essa performance de maneira similar. Para ele, a controvérsia em torno das palavras que Eminem usa em suas músicas não traduz misoginia pessoal — trata-se de performance, provocação e um estilo de rap que quebrou barreiras. “Rap God” e “The Real Slim Shady” geraram críticas pesadas por suas letras, mas Waters vê a escolha de palavras do rapper através da lente da performance e provocação ao invés de preconceito, dizendo “Ele estava apenas causando problemas”.
Um detalhe que Waters conhece bem: a canção Puke
O que tornaria Waters e Eminem verdadeiramente conectados, segundo o próprio diretor, não é apenas a defesa contra acusações de homofobia. Waters afirmou que gosta dos discos de Eminem e costumava frequentar um bar redneck em Baltimore onde homens brancos vestidos como rappers se reuniam, e toda vez que ele entrava, tocavam “Puke” de Eminem como tributo a ele.
A música de 2004 do álbum Encore ganhou uma vida paralela na vida de Waters — funcionando como uma espécie de música de entrada pessoal em um bar específico. Essa conexão, embora absurda, revela algo que Waters parece apreciar em Eminem: a capacidade de criar arte que não pede permissão e não teme ofender.
Kevin, Prime Video e o lugar de Waters no streaming
John Waters faz a voz do personagem Armando, um gato persa, na série animada Kevin do Prime Video. A série centra-se no personagem titular — um gato de smoking dublado por Jason Schwartzman — que se vê ajustando-se à vida após a separação de seus donos humanos. Trata-se de um projeto que coloca Waters novamente em conversas de cultura contemporânea, criando um espaço onde sua voz e sensibilidade podem atingir nova audiência.
O que fica em aberto
Embora muitos fãs esperem um encontro público entre os dois, Waters explicou que preferiria algo muito mais privado e genuíno, “apenas em privado, sem explorar”. A defesa de Waters não é apenas sobre Eminem — é sobre compreender que a arte provocadora e a pessoa por trás dela podem não ser a mesma coisa, e que amizades genuínas frequentemente nascem de lugares inesperados.
Fonte principal: rollingstone.com.br. Informações complementares: Billboard, Complex, The Source, iHeart, Yahoo Entertainment, Attitude.

