Evil Dead Wrath não será apenas um filme sobre origens. Confirmado por Francis Galluppi, o sétimo capítulo funcionará como prelúdio para A Morte do Demônio, com narrativa ambientada em 1972, décadas antes dos eventos do filme clássico de 1981 estrelado por Bruce Campbell. O que torna isso significativo não é apenas ir para trás — é que o filme toma lugar chronologicamente antes da chegada de Ash Williams à cabana, e até anterior ao meio medieval de Uma Noite Alucinante 3, tornando-se o ponto zero da mitologia Deadite na tela.
Por que a franquia escolheu retroceder agora
A trama acompanhará uma mulher francesa vivendo nos Estados Unidos durante um casamento conturbado, enfrentando abusos do marido e descrença constante da família dele. Mas o cenário de 1972 não é meramente nostálgico. Produtor Rob Tapert descreve Galluppi como um cineasta que trabalha de forma “muito Tarantino-esque, muito deliberada”, em contraste total com Sébastien Vaniček, que “filma tudo em lente handheld, sempre se movendo, sempre balançando”. A diferença não é estilística apenas — é narrativa.
A Morte do Demônio em 2026 continua com Em Chamas, que mantém a energia frenética e visual explosiva da série recente. Quando Wrath chegar em 2028, a franquia oferecerá seu oposto: precisão sob pressão, tensão contida, horror que não grita mas que machuca. Tapert chama Wrath de “muito Tarantino-esque, muito deliberado”, lembrando que Galluppi dirigiu The Last Stop in Yuma County, que também se passa nos anos 1970.
Uma dinâmica de storytelling que fractal a mitologia
O filme se torna cronologicamente o primeiro da franquia, acontecendo antes da chegada de Ash Williams e seus amigos à cabana. Isso muda fundamentalmente como a franquia narra o Livro dos Mortos. A série original (1981-1993) viu o caos pelo olho de personagens que descobriam os efeitos. Em Chamas oferece horror familiar através de possessão progressiva. Agora, Wrath vai atrás — para um tempo em que a maldição ainda era estrangeira, sem nome, sem contexto conhecido.
A mulher francesa não conhecerá Ash, não saberá do Livro, não terá referências. Seu horror será absoluto e intraduzível, contido numa casa com sogros que se transformam sem que ela entenda por quê. É uma narrativa de isolamento anterior ao próprio vocabulário do medo que a série estabeleceu.
Resumo rápido
- Lançamento: 7 de abril de 2028
- Diretor e roteirista: Francis Galluppi
- Período: 1972
- Elenco confirmado: Charlotte Hope, Jessica McNamee, Zach Gilford, Josh Helman, Ella Newton, Elizabeth Cullen, Ella Oliphant
- Produção: Sam Raimi e Robert Tapert como produtores, Ghost House Pictures
Antes de Wrath, Em Chamas chega este mês
A Morte do Demônio: Em Chamas estreará nos cinemas do Brasil em 9 de julho, com Souheila Yacoub, Hunter Doohan, Luciane Buchanan e Tandi Wright como elenco central. O filme “desencadeia a jornada mais selvagem e aterrorizante da franquia”, com a protagonista descobrindo que votos matrimoniais “continuam vivos mesmo após a morte”.
A diferença entre os dois filmes é instantânea: Em Chamas oferece possessão como fenômeno visível, gore como espetáculo. Wrath oferecerá a escuridão anterior, quando ninguém sabia ainda que existia nada a temer.
O que fica em aberto
A ida para 1972 levanta uma pergunta central: por que Evil Dead agora precisa voltar? A série cresceu em sequências e spin-offs (reboot 2013, série Ash vs Evil Dead 2015-2018, Evil Dead Rise 2023) que frequentemente ignoravam a continuidade original. Com Wrath, há uma aposta diferente — não em novos personagens que encontram o Livro, mas em gente que nunca soube que ele existia, e cujas histórias nunca serão conhecidas além daquele casarão isolado.
É possível que Francis Galluppi e Sam Raimi estejam reescrevendo a escala da franquia: não mais sobre o que sobrevive depois, mas sobre o que é perdido antes. Uma mulher francesa em 1972, seus sogros do inferno, nenhuma salvação — apenas o vazio anterior à lenda de Ash Williams.
Fonte: observatoriodocinema.com.br

