Cópia de Super Mario Bros. de 1986 é vendida por 660 mil dólares e quebra recorde de videogame

Uma cópia selada do Super Mario Bros. original para Nintendo Entertainment System (NES) foi vendida por 660 mil dólares em leilão realizado pela Heritage Auctions em abril de 2021, quebrando o recorde anterior de 114 mil dólares estabelecido em julho de 2020. O que torna essa venda extraordinária não é apenas o preço astronômico, mas a história improvável por trás do cartucho: um presente de Natal esquecido numa gaveta por 35 anos em perfeito estado de fábrica.

O presente que virou relíquia de um videogame que quase ninguém jogou

A origem dessa peça colecionável é prosaica. Um comprador adquiriu dois cartuchos de Super Mario Bros. no final de 1986 como presente de Natal, mas descobriu que precisava apenas de um. Em vez de devolver o excedente à loja—algo impraticável no período—simplesmente guardou a cópia intacta numa gaveta de escrivaninha. Lá permaneceu durante 35 anos, sem ser aberta, manuseada ou jogada por qualquer pessoa.

Esse detalhe é crucial para entender o valor. Valarie McLeckie, diretora de videogames da Heritage Auctions, explicou que cartuchos desse período em condição de fábrica original são extraordinariamente raros. O exemplar foi certificado com a nota máxima de Wata 9.6 A+ pela Wata Games, a principal agência de classificação de videogames do mundo. A nota 9.6 refere-se ao estado impecável da caixa em uma escala de 10; o A+ indica que o lacre de fábrica permanece intacto e em excelentes condições.

Por que uma cópia esquecida vale mais que um carro de luxo

A razão pela qual este exemplar específico atingiu 660 mil dólares está em detalhes de produção que a maioria dos colecionadores nunca notaria. O cartucho foi manufaturado no final de 1986 com características que desapareceram rapidamente: embalagem em plástico encolhido (plastic shrink wrap) em vez do adesivo de lacre tradicional, e uma aba de papelão perfurado para pendurar na loja na parte traseira. Esse design foi produzido por um período muito curto antes que Nintendo mudasse a formatação novamente em 1987.

Essa janela temporal de produção extremamente restrita é o que transforma o que seria um cartucho comum em um artefato museal. Encontrar uma cópia dessa série de produção específica em perfeito estado de fábrica é equiparável a localizar uma gota em um oceano, conforme descreveu McLeckie.

O mercado de videogames retrô aqueceu significativamente após esse leilão. Em julho de 2021, uma cópia de The Legend of Zelda de 1987 alcançou 870 mil dólares. Meses depois, o recorde seria superado dramaticamente: Super Mario 64 foi vendido por 1,56 milhão de dólares, consolidando-se como o videogame mais caro já vendido. Esses sucessivos recordes refletem a tendência de colecionadores tratarem cartuchos raros como ativos de investimento com potencial de valorização contínua.

O que a história do Super Mario esquecido revela sobre coleta moderna

A decisão de manter o cartucho lacrado foi estratégica. Cartuchos abertos e jogados, por mais bem preservados que estejam, valem significativamente menos. Um exemplar jogado pode valer um décimo do preço de um lacrado em condição de fábrica. Essa dinâmica cria um paradoxo: quanto menos alguém usou um videogame, mais vale. O produto foi designed para ser experiência, mas o mercado premium o transformou em objeto de contemplação estática.

Esse fenômeno ultrapassou o nicho dos colecionadores hardcore. Grandes editoras reconhecem agora que produtos lançados décadas atrás podem gerar receita secundária substancial através de resgates e reedições. O sucesso dessa venda sinaliza que versões lacradas de clássicos dos anos 1980 e 1990 passaram a funcionar como classe de ativo, com rentabilidade previsível para quem adquire cópias em estado de museu.

A trajetória do cartucho—de presente esquecido a ativo de sete dígitos—também documenta uma mudança cultural profunda. Produtos que custavam originalmente 25 dólares em uma loja agora são disputados por colecionadores que entendem que artefatos digitais raros possuem o mesmo tipo de escassez que motiva a coleta de arte, moedas ou selos históricos. O Super Mario Bros. de 1986, portanto, não é apenas um videogame. É evidência de que a indústria dos anos 1980 produzia itens que transcenderam sua função original e se tornaram documentos históricos valiosos.

Fonte: observatoriodocinema.com.br

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