Os quatro filmes dos Beatles dirigidos por Sam Mendes não serão variações de um mesmo roteiro — cada um terá identidade visual e narrativa própria, refletindo o tom individual de cada membro da banda, segundo revelou o ator Adam Pally em entrevista exclusiva. A produção de Sony Pictures, que chega aos cinemas em abril de 2028, é descrita como um experimento teatral sem precedentes no cinema moderno, comparable ao lançamento do MCU em 2008.

Como os 4 filmes dos Beatles vão ser diferentes um do outro?
Segundo Adam Pally, que interpreta Allen Klein (o controverso gerente da banda), cada filme é “totalmente diferente” e construído para refletir a essência pessoal de cada Beatle. “As maneiras como os Beatles eram individualmente totalmente diferentes, e os filmes refletem o tom de cada Beatle”, explicou o ator. A estratégia vai além de simplesmente contar quatro histórias paralelas — os roteiros parecem ser pensados para funcionar tanto como produtos independentes quanto como uma experiência coesa quando assistidos juntos. “Eles todos se encaixam lindamente, e então também são todos individualmente perfeitos dessa forma”, completou Pally.
O desafio de Sam Mendes é garantir que Harris Dickinson como John Lennon, Paul Mescal como Paul McCartney, Joseph Quinn como George Harrison e Barry Keoghan como Ringo Starr tenham traços narrativos distintos, apesar de compartilharem o mesmo diretor, cinematógrafo e equipe técnica. Isso é particularmente complexo porque as filmagens estão acontecendo simultaneamente na Inglaterra.
Qual é o risco de lançar 4 filmes no mesmo mês?
A liberação de todos os quatro filmes em abril de 2028 — aparentemente no mesmo fim de semana — é uma aposta calculada, mas arriscada. Há o perigo evidente de que as figuras mais icônicas da banda (Lennon e McCartney) ofusquem os dois integrantes menos mitificados (Harrison e Ringo) na bilheteria. Sony já prometeu durante a CinemaCon 2025 que vai “dominar a cultura naquele mês” com a estratégia de quatro lançamentos paralelos, mas a realidade comercial é que nem todo Beatle tem o mesmo peso na memória coletiva do público.
A promessa de Pally — que cada filme é “individualmente perfeito” — é uma tentativa de contornar esse desequilíbrio. Se os roteiros conseguirem captar a singularidade de cada um de forma convincente, o projeto inteiro pode funcionar. Se falharem em criar identidades visuais e narrativas verdadeiramente distintas, corre-se o risco de parecer um exercício de repetição comercial disfarçado de ambição criativa.
Quem mais está no elenco dos filmes?
- Saoirse Ronan — papéis ainda não divulgados na distribuição de personagens
- Anna Sawai — integra o elenco de suporte do projeto
- Aimee Lou Wood — participação confirmada em um ou mais dos quatro filmes
- James Norton — papéis a definir na narrativa geral
- David Morrissey — integrante do elenco expandido
- Adam Pally como Allen Klein — o gerente polêmico da banda de 1969 a 1973
Adam Pally é mais conhecido pelos papéis em Sonic: O Filme, The Mindy Project e Happy Endings. Seu papel como Klein — figura polêmica que entrou em conflito com os Beatles durante a dissolução do grupo — oferece uma perspectiva externa sobre a dinâmica interna da banda em seus últimos anos.
O que Sam Mendes já dirigiu antes?
Sam Mendes é diretor de Skyfall (2012) e 1917 (2019), dois filmes que demonstram domínio técnico de produção de alto orçamento e narrativa visual sofisticada. Sua experiência em contar histórias pessoais em larga escala (como em 1917, que usa um plano-sequência fictício) sugere que ele compreende como criar intimidade dentro de uma produção espetacular — exatamente o que o projeto dos Beatles exige.
A Sony descreve o lançamento como a “primeira experiência teatral bingeável” — uma frase que tenta posicionar os quatro filmes como uma série de cinema em vez de uma franquia tradicional. A linguagem importada do streaming (binge, experiência contínua) aplicada a uma experiência teatral é reveladora: Sony está consciente de que o público moderno pensa em conteúdo em blocos, não em eventos isolados.
Por que este projeto importa para o cinema em 2028?
Os filmes dos Beatles representam o maior experimento narrativo do cinema comercial desde o lançamento do MCU — não em termos de crossovers ou universos expandidos, mas em termos de estrutura de lançamento. Ao invés de uma franquia tradicional com personagens recorrentes, você tem quatro obras que dividem o mesmo universo diegético (a história da banda) mas potencialmente nenhuma sobreposição de cenas.
O sucesso ou fracasso dessa abordagem definirá como os estúdios pensam em projetos de múltiplos filmes. Se funcionar, abre a porta para biografias paralelas de outras figuras culturais ou grupos. Se falhar — seja artisticamente ou comercialmente — marca o fim de uma era de experimentação narrativa arriscada no cinema de orçamento alto.
A confirmação de Adam Pally de que os filmes são “totalmente diferentes” é menos um elogio genérico e mais uma garantia necessária: a Sony sabe que o público vai questionar se merece gastar quatro ingressos para ver essencialmente a mesma história quatro vezes. A resposta esperada é: não, você vai ver quatro histórias distintas que, juntas, formam um mosaico de uma das maiores bandas da história.
Fonte: thedirect.com