Bruce Springsteen voltou ao palco do OceanFirst Bank Center em Monmouth, Nova Jersey, na sexta-feira para a segunda noite do concerto Music America: The Songs That Shaped Us, celebrando 250 anos da musica americana e inaugurando o Bruce Springsteen Center for American Music. O show reuniu em duetos unicos alguns dos maiores nomes da musica, incluindo Jon Bon Jovi, Public Enemy, Jackson Browne e Sheryl Crow, com Springsteen aparecendo em diversos momentos para homenagear artistas que moldaram a historia do rock e do soul.
Quais foram os momentos mais memoraveis da noite?
A primeira aparicao de Springsteen foi para homenagear seu herói musical original, Elvis Presley, com interpretacoes energeticas de “Jailhouse Rock” e “Burnin’ Love”. Bob Santelli, diretor do Bruce Springsteen Center for American Music, explicou ao publico: “Elvis Presley criou um som e um momento que mudariam para sempre não apenas a historia do rock and roll, porque ela ainda nem existia, mas também a cultura americana e a historia da musica americana.”
Depois, Springsteen se uniu a Sheryl Crow para cantar “I Shall Be Released”, composicao de Bob Dylan. O momento ganhou peso extra com a presenca do guitarrista Larry Campbell, que tocou essa musica diversas vezes com Dylan quando integrou sua banda de apoio entre 1997 e 2004. Foi a primeira vez que Springsteen cantou essa composicao das famosas sessoes de Basement Tapes de 1967 — coincidentemente, apenas uma noite depois de Dylan iniciar sua turnê de verão resgatando uma das musicas mais obscuras dessas gravacoes.
O guitarrista Gary Clark Jr. acompanhou Springsteen em “Further Up The Road”, de Bobby “Blue” Bland, que também faz parte do repertorio atual de Dylan. O momento ganhou uma brincadeira hilaria do Boss: “Cara, você não pode tocar depois do Public Enemy. Esquece. Jesus pode voltar à Terra, mas ele não vai voltar depois do Public Enemy.”
Como foi o finale coletivo com Jon Bon Jovi e Public Enemy?
Perto do fim da noite, diversos artistas retornaram para uma jam session memoravel de “Raise Your Hand”, de Eddie Floyd, musica que faz parte do repertorio ao vivo de Springsteen desde os anos 1970. Public Enemy, Jon Bon Jovi, Jackson Browne e outros se uniram ao palco, com Flavor Flav roubando a cena ao cantar diretamente no microfone de Springsteen e abraca-lo ao final.
O momento mais notavel foi quando todos permaneceram para “I Don’t Want to Go Home”, de Southside Johnny. Springsteen, Jon Bon Jovi e Steve Van Zandt dividiram os vocais principais, chegando ate mesmo a compartilhar um unico microfone em determinado momento. Flavor Flav não resistiu à tentacao de participar, consolidando sua reputacao como o maior hype man do hip-hop — nenhum outro artista da historia do genero consegue chegar perto de suas habilidades para animar um publico e se apropriar de um palco.
Como Springsteen encerrou o evento Music America?
A noite foi finalizada com Springsteen tocando “Land of Hope and Dreams”, sua composicao original. Foi a unica ocasiao ao longo das duas noites de evento em que ele apresentou uma composicao propria em lugar de um cover. Antes da musica, o Boss se dirigiu ao publico com reflexao genuina: “Meu Deus. Aos 19 anos, eu estava neste campus… não estudando. Mas toquei aqui nos degraus daquele prédio grande ali. Se alguém tivesse me dito, em 1969, que algo assim aconteceria algum dia, eu teria respondido: ‘Você está completamente maluco, meu amigo’. Eu realmente não sei o que dizer.”
O encerramento reforçou o proposito central do Music America: conectar gerações de musicos e celebrar como composicoes de artistas como Elvis Presley, Bob Dylan, Eddie Floyd e Bobby “Blue” Bland moldaram não apenas o rock and roll, mas toda a cultura musical americana. A noite provou que, aos 75 anos, Springsteen continua sendo o guardiao vivo dessa historia, capaz de homenagear suas influências enquanto colabora com artistas de gerações distintas em momentos de pura magia musical.
Fonte: rollingstone.com.br