A crítica especializada já chegou a um veredito: Dia D é o melhor filme de Steven Spielberg em duas décadas. Após as primeiras sessões de imprensa, jornalistas e críticos de cinema divulgaram suas reações nas redes sociais e o consenso é claro: estamos diante de uma obra que retoma Spielberg ao seu melhor período de criatividade, aquele em que o diretor não tinha medo de misturar gêneros e ousava narrativamente sem abrir mão da emoção. O longa chega aos cinemas brasileiros em 11 de junho e já promete ser uma das surpresas do cinema de blockbuster em 2025.
O que diferencia Dia D no catálogo recente do diretor é justamente aquilo que a crítica mais destaca: uma abordagem que abandona o realismo histórico que marcou seus últimos trabalhos para mergulhar em ficção científica densa e genuinamente estranha. O jornalista Bill Bria capturou essa essência ao escrever que o filme “é o mais estranho que Spielberg já fez, de forma positiva”. A descrição vai além: o crítico elogia as “composições impressionantes”, o “roteiro de David Koepp que mistura Arquivo X com a Bíblia” e destaca a trilha sonora de John Williams como “a melhor em anos”. Isso importa porque Williams tem trabalhado com Spielberg por décadas, e quando um compositor desse calibre entrega seu melhor trabalho recente, estamos falando de um filme que mexe profundamente com a narrativa visual.
O que torna Dia D diferente do último Spielberg que você viu?
Germain Lussier descreveu o projeto como “uma montanha-russa densa que mistura perseguição, romance e mistério, tudo envolvido em ficção científica”. A combinação parece calculada para apelar tanto ao público que quer ação quanto àquele que busca profundidade emocional. Mas é a comparação de Lussier que realmente define o momento: afirmar que este é “o melhor filme de Spielberg em 20 anos” significa reconhecer que o diretor, apesar de manter um nível elevado de produção, havia se afastado daquele tipo de risco criativo que o consagrou nos anos 1970 e 1980.
Por que Emily Blunt é o grande destaque nas reações iniciais?
Grande parte da aclamação converge para a performance de Emily Blunt como protagonista. A atriz interpreta uma apresentadora de tempo que, em determinado momento, é possuída por uma entidade desconhecida, aparecendo “visivelmente fora de controle”. Steven Weintraub foi direto: “Emily Blunt está incrível. Sei que grandes blockbusters normalmente não recebem atenção em premiações, mas quando as pessoas virem o que ela faz aqui…” A afirmação é reveladora porque sugere que a performance transcende o esperado para o gênero. Drew Taylor foi além ao descrever a atuação como “emocionante, engraçado, profundamente emocional e impecavelmente atuado”.
A razão pela qual a crítica destaca tanto Blunt reside no fato de que ela carrega boa parte da carga emocional do filme. Seu personagem não é apenas a vítima de uma possessão — ela é a âncora que conecta o público a um fenômeno que aparentemente vai além do pessoal. Os acontecimentos estranhos que a afetam se estendem para animais selvagens, freiras e supostamente o globo inteiro. Isso significa que a atriz precisa transmitir tanto o horror da possessão individual quanto a escala épica de uma invasão ou catástrofe global. Weintraub o reconhece quando espera que, após ver o filme em larga escala, o grande público também entenderá por que ela merecia estar em conversas de prêmios.
Como Dia D se conecta com o legado de invasão alienígena de Spielberg?
Dia D representa muito mais do que um novo filme no catálogo do diretor: é um retorno consciente aos temas que o consagraram. Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T. o Extraterrestre e Guerra dos Mundos são filmes que definiram como Hollywood aborda o encontro com o alienígena. Cada um deles oferece uma perspectiva diferente — maravilhamento, afeição familiar, invasão apocalíptica — mas todos compartilham aquela qualidade Spielbergiana de equilibrar o fantástico com o humano. Dia D parece retomar essa tradição, mas com a sofisticação narrativa que apenas um diretor com décadas de experiência poderia oferecer.
O fato de que a crítica especificamente destaca a mistura de Arquivo X com elementos bíblicos sugere que Spielberg não está simplesmente refazendo sua fórmula clássica. Há uma camada de complexidade temática aqui — questões de fé, mistério, desejo de verdade — que transformam a ficção científica em algo mais próximo do thriller psicológico ou do drama filosófico. Essa é a razão pela qual o filme não é apenas “estranho” no sentido de ser diferente, mas estranho de forma inteligente, com propósito narrativo.
O elenco complementar inclui Josh O’Connor, Colin Firth e Colman Domingo, todos atores de alta calibre que raramente aparecem em blockbusters de ficção científica. Sua presença, combinada com o roteiro de David Koepp (que trabalhou em sucessos como Homem-Aranha: Sem Volta para Casa), reforça a impressão de que Dia D é um projeto que reuniu talento de primeira ordem com a intenção clara de criar algo memorável, não apenas comercialmente viável.
Quando uma frase como “melhor filme de Spielberg em 20 anos” circula entre críticos de cinema — não como opinião isolada, mas como consenso — estamos diante de um momento que pode redefinir como o público enxerga o diretor. Dias em que Spielberg voltou a ser Spielberg são raros. Este parece ser um deles.
Fonte: observatoriodocinema.com.br
