Crítica | O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights): a adaptação de 2026 entrega romance turbulento e visual marcante

Crítica. A versão cinematográfica de O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), dirigida por Emerald Fennell e lançada em fevereiro de 2026, aposta em estética arrojada e humor ácido para contar a história de Cathy e Heathcliff, vividos por Margot Robbie e Jacob Elordi. O resultado divide opiniões: o longa emociona em certos momentos, mas esbarra em ritmo irregular e na química hesitante do casal central.
A versão cinematográfica de O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), dirigida por Emerald Fennell

Enredo concentra foco na juventude dos protagonistas

A narrativa acompanha Cathy, filha de um fazendeiro alcoólatra que, em um gesto impulsivo, leva um garoto abandonado para casa. Batizado de Heathcliff, o menino cresce ao lado de Cathy, formando com ela um laço tão intenso quanto conturbado. A trama de Fennell enfatiza a tentativa de “civilizar” o forasteiro e o impacto dessa dinâmica na vida adulta dos dois.

No primeiro ato, a diretora estende a convivência infantil para explicar a origem do afeto e da revolta dos personagens. Apesar da intenção, a longa permanência nessa fase compromete o ritmo e adia conflitos mais complexos, criando sensação de demora até que o drama romântico engrene.

Problemas de ritmo e química enfraquecem a experiência

O principal obstáculo da produção é o descompasso narrativo. A construção inicial, embora detalhada, não gera a urgência necessária para justificar a paixão arrebatadora que virá depois. Quando a fase adulta começa, o público ainda busca elementos que sustentem a intensidade do vínculo amoroso.

A diferença de idade entre Margot Robbie e Jacob Elordi fica evidente em tela e, aliada a pequenas oscilações de sotaque da atriz, afeta a verossimilhança do casal. A química exibida em entrevistas de divulgação não se repete nas cenas mais passionais, deixando momentos decisivos com leve sensação de constrangimento.

Pontos altos: direção de arte, humor e tensão dramática

Mesmo com falhas, o filme exibe qualidades notáveis. A direção de arte privilegia cores vibrantes para marcar fases e estados emocionais: tons vermelhos acompanham as explosões de desejo, enquanto verdes surgem com o personagem Edgar Linton (Shazad Latif). A estética anacrônica lembra a ousadia visual de antologias que brincam com temporalidade e reforça o caráter autoral da cineasta.

Há também espaço para humor inesperado. Sequências como a polêmica “cena dos ovos” mostram a predileção de Fennell por choques visuais, semelhante ao tom irreverente visto em “Promising Young Woman”. Esse contraste entre riso e dor amplia o impacto emocional, sobretudo no segundo ato, quando o romance se converte em tragédia.

O elenco juvenil, liderado por Charlotte Gibson (Cathy jovem) e Owen Cooper (Heathcliff jovem), impressiona pela naturalidade. Os dois entregam inocência e crueldade em igual medida, estabelecendo a base psicológica que faltará a seus equivalentes adultos.

Comparações e contexto entre adaptações

A produção de 2026 surge pouco depois de outra releitura do livro que alcançou 71% de aprovação no Rotten Tomatoes — fato destacado na matéria sobre o “novo O Morro dos Ventos Uivantes”. A proposta de Emerald Fennell, porém, distancia-se do realismo gótico tradicional para abraçar um olhar adolescente, assumidamente inspirado na própria leitura da diretora aos 14 anos.

Essa chancela autoral explica escolhas como a inversão racial entre Heathcliff e Linton e o figurino propositalmente fora de época. A liberdade criativa, contudo, pode afastar quem procura fidelidade histórica ou tom mais sóbrio.

Veredicto da crítica

Sem chegar ao nível de tensão urbana de títulos como “Salve Geral: Irmandade”, o longa demonstra talento para equilibrar drama, humor e imagens impactantes. Ainda assim, os problemas de ritmo e a química irregular limitam o alcance emocional da história.

No balanço final, O Morro dos Ventos Uivantes versão 2026 oferece experiência visualmente estimulante e surpreendentemente divertida, mas não conquista todo o poder trágico que o material de origem permite. A crítica atribui 3 de 5 estrelas — recomendação moderada para quem aceita uma visão pop de um clássico literário.

Perguntas frequentes

Quem dirige a adaptação de 2026 de O Morro dos Ventos Uivantes?

A direção é de Emerald Fennell.

Quais atores interpretam Cathy e Heathcliff?

Margot Robbie vive Cathy na fase adulta, enquanto Jacob Elordi interpreta Heathcliff.

O filme segue fielmente o romance de Emily Brontë?

Não totalmente; a diretora faz escolhas autorais, como figurinos anacrônicos e mudança racial de personagens.

Qual é o principal ponto fraco apontado pela crítica?

O ritmo desigual e a falta de química convincente entre os protagonistas adultos.

Qual a nota atribuída ao longa nesta crítica?

Foram concedidas 3 de 5 estrelas.

Toni Morais
Toni Moraishttps://www.linkedin.com/in/toni-morais/
Toni Morais Ferreira - editor do Gossip Notícias e atua na cobertura de entretenimento, cinema, séries, celebridades e cultura pop. Desde 2021, acompanha lançamentos do streaming, bastidores da televisão e tendências do audiovisual, com foco no público brasileiro.

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