“Unfamiliar” chegou à Netflix em 5 de fevereiro de 2026 prometendo um suspense de espionagem centrado em dois ex-agentes que vivem sob identidades falsas na Alemanha. Ao longo de oito episódios, a produção criada por Paul Coates alterna passado e presente para revelar o que aconteceu em uma missão mal-sucedida na Bielorrússia e como esse evento volta a assombrar o casal protagonista. Apesar da boa dose de ação, a temporada encerra sem conclusão definitiva, sugerindo continuação.
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Trama volta a 16 anos atrás
Simon e Meret, ex-operativos de um serviço de inteligência europeu, abandonaram o ofício depois que uma operação em Bielorrússia desandou há 16 anos. Desde então, os dois vivem em Berlim como um chef de restaurante e uma terapeuta alternativa, enquanto mantêm em segredo uma clínica clandestina que presta socorro médico a agentes feridos.
O passado torna a persegui-los quando Josef Koleev, oficial russo envolvido na antiga missão, decide “eliminar pontas soltas” para não atrapalhar a carreira diplomática da esposa, Valeria, prestes a assumir a embaixada russa na capital alemã. Para isso, Koleev contrata mercenários para localizar Simon, Meret e o antigo controlador deles, Gregor.
- Missão fracassada em 2010 na Bielorrússia liga todos os personagens.
- Koleev teme que detalhes vazem e prejudiquem a futura embaixadora russa.
- Casal vive com nome falso e dirige clínica secreta para espiões feridos.
- Filha Nina desconhece o passado dos pais e vira peça central quando o perigo se aproxima.
- Entrada de um “paciente” misterioso expõe o paradeiro dos ex-agentes.
Família em xeque e dilemas morais
A dinâmica entre Simon, Meret e a adolescente Nina sustenta boa parte da tensão. O casal reconhece erros cometidos, mas tenta proteger a filha de uma vida marcada por mentiras e violência. Quando a jovem começa a suspeitar do comportamento dos pais, a série explora o choque entre o cotidiano aparentemente pacato e a realidade de tiroteios e perseguições.
Esse retrato de protagonistas moralmente ambíguos dialoga com outras produções que se afastam de heróis tradicionalmente “puros”. A estratégia lembra, por exemplo, a opção de “Steal” ao expor falhas de caráter para humanizar seus personagens.
Ritmo irregular e narrativa fragmentada
“Unfamiliar” adota saltos temporais constantes, exibindo o evento-chave apenas em flashes até a reta final. A escolha mantém o mistério, mas o vai-e-vem cronológico às vezes causa estranhamento e atrasa revelações importantes. Alguns trechos estendem conflitos além do necessário, sensação reforçada quando fica claro que as pontas soltas são preparativo para uma segunda temporada.
O problema de ritmo não é incomum em thrillers seriados. Em 2025, o suspense “Vanished” também foi criticado por alongar tramas secundárias para justificar retorno futuro.
Fotografia sombria e ação bem coreografada
Visualmente, a produção aposta em paleta fria e iluminação baixa, recurso já consagrado no gênero. Embora contribua para a atmosfera de paranoia, o excesso de sombras pode cansar quem acompanhou sucessivos thrillers com estética similar.
Por outro lado, as cenas de confronto e perseguição — especialmente a invasão ao apartamento do casal e o tiroteio num galpão industrial — exibem coreografias competentes que compensam pausas mais lentas. Quando o enredo acelera, a relação entre política internacional e dramas pessoais mantém o interesse até o desfecho.
Revelação do informante decepciona
Um dos ganchos centrais é a existência de um espião infiltrado no BND, serviço de inteligência alemão. Contudo, a série apresenta apenas duas possibilidades palpáveis, e pistas entregues com antecedência tornam a solução previsível. A personagem Julika, ligada ao órgão, surge pouco desenvolvida, ponto que o roteiro deve aprofundar nos próximos capítulos.
- Identidade do agente duplo é insinuada antes da metade da temporada.
- Consequências desse vazamento ficam para o próximo ano.
- Arco de Julika carece de informações básicas sobre passado e motivações.
Apesar de falhas, “Unfamiliar” reúne elementos capazes de agradar fãs de espionagem que buscam ação direta e conflitos familiares carregados de culpa. Quem prefere finais fechados talvez se frustre com o gancho para a continuação, estratégia recorrente em serviços de streaming — tendência igualmente vista na elogiada série “The Beauty”.
Todos os oito episódios de “Unfamiliar” estão disponíveis globalmente na Netflix desde 5 de fevereiro de 2026. Ainda não há confirmação oficial sobre a data de estreia da segunda temporada.


