Salvador, nova série espanhola da Netflix com Luis Tosar no papel principal, entrega um suspense de oito episódios marcado por violência neonazista, dor familiar e reviravoltas constantes. A produção criada por Aitor Gabilondo e dirigida por Daniel Calparsoro estreia com alta tensão do primeiro ao último minuto.
Conflito começa com crime brutal
A trama apresenta o empresário Salvador Aguirre, que vê a filha Milena ser assassinada diante dele. Devastado, o personagem mergulha numa investigação pessoal que o conduz ao grupo supremacista White Souls. O enredo, ambientado em uma Espanha contemporânea dilacerada por discursos de ódio, mostra como o pai enlutado atravessa os subterrâneos da extrema-direita em busca dos responsáveis.
Logo no episódio de abertura, o público assiste à vida secreta de Milena, aos choques de valores com o pai e, em seguida, ao crime que dispara a narrativa. A violência súbita evita longas exposições e coloca o espectador direto no coração do conflito, estratégia semelhante ao impacto inicial visto na série alemã Unfamiliar.
Retrato cru do radicalismo
O roteiro enfatiza que o perigo não reside apenas em grupos marginais; autoridades e gente influente também exploram as brechas do sistema para ampliar o próprio poder. Entre perseguições, emboscadas e cenas de bastidores políticos, Salvador exibe como discursos extremistas crescem online e fora dele, tema que ecoa na discussão sobre mídias sociais levantada em O Cavaleiro dos Sete Reinos, embora em contexto bem distinto.
- Violência explícita mostra o custo humano do fanatismo.
- Grief e culpa do protagonista impulsionam a ação.
- Cinematografia crua reforça atmosfera claustrofóbica.
- Ausência de maniqueísmo: personagens habitam áreas cinzentas.
A linguagem visual aposta em cores frias, luz dura e enquadramentos fechados que acentuam desespero e paranoia. A edição, repleta de cortes rápidos, mantém ritmo acelerado sem sacrificar a compreensão dos fatos.
Elenco reforça carga emocional
Veterano do cinema espanhol, Luis Tosar conduz a série com interpretação contida e explosões pontuais de fúria. Suas cenas de colapso emocional traduzem o choque entre a figura paterna tradicional e a violência moderna que o cerca.
Claudia Salas compõe uma jovem capturada por ideologias de ódio, explorando nuances que evitam caricaturas. Já Leonor Watling e Fariba Sheikhan ampliam a dimensão humana do enredo, retratando familiares e aliados que oscilam entre medo e lealdade.
O elenco ainda inclui Patricia Vico, César Mateo, Alejandro Casaseca, Richard Holmes, Lucas Ares e Candela Arestegui, todos integrados a tramas paralelas que revelam como o ódio coletivo se infiltra em diferentes estratos sociais.
Ficha técnica e formato
Produzida pela Netflix Espanha, a série tem oito episódios de aproximadamente 50 minutos cada. Todos os capítulos chegam simultaneamente ao catálogo, modelo que favorece maratona — estratégia repetida após o sucesso de thrillers europeus recentes, como Unfamiliar.
Calparsoro, conhecido por ação intensa em filmes como “Invasor”, imprime aqui ritmo pulsante respaldado pela trilha sonora áspera e pela fotografia de ruas estreitas, galpões abandonados e manifestações violentas. O criador Aitor Gabilondo, que já abordou temas sociais em “Patria”, volta a discutir traumas coletivos, agora sob a lente do neonazismo.
Em balanço geral, Salvador alia suspense policial e drama familiar para radiografar fissuras sociais provocadas pela radicalização. O desfecho mantém coerência com o tom sombrio, evitando soluções fáceis e deixando espaço para reflexão — recurso que, em outras produções, gerou debates sobre finais em aberto, como ocorreu com Destruição Final 2.
Todos os episódios de Salvador já estão disponíveis no catálogo global da Netflix.

