
Rainha do Xadrez (Queen of Chess) chega ao catálogo com a missão nada modesta de suceder O Gambito da Rainha na popularização do xadrez na cultura pop.
O longa de 93 minutos recupera a trajetória da grande mestre húngara Judit Polgár, combinando imagens de arquivo a depoimentos atuais para reconstituir uma das carreiras mais emblemáticas do esporte.
Nota da Crítica 4/5
Atuação
Por se tratar de um documentário, não há encenação ficcional.
A narrativa se apoia no próprio carisma de Polgár, que surge em entrevistas francas, e em figuras históricas que a acompanharam.
O material de arquivo traz partidas decisivas e momentos familiares que evidenciam a intensidade da enxadrista diante do tabuleiro.
Roteiro
O texto de Mark Bailey e Keven McAlester segue ordem cronológica enxuta.
Começa pela infância, quando o pai treinava as filhas para testar a teoria de que a genialidade é construída, e avança até a aposentadoria em 2014.
Cada capítulo ressalta obstáculos estruturais, como o sexismo nos torneios, espelhando conflitos já vistos em séries esportivas, a exemplo de Filhos do Chumbo, que também discute pressões sociais.
Direção
Rory Kennedy opta por montagem ágil.
O corte alterna entre os embates de Polgár contra nomes consagrados, inclusive Garry Kasparov, e bastidores que revelam a exaustão mental de competir desde os cinco anos.
Em um tema semelhante ao de O Museu da Inocência: Dentro da História, a diretora confia na força do acervo para construir dramaturgia sem dramatizações artificiais.
Ritmo
Os 93 minutos mantêm cadência constante graças às vitórias sucessivas da protagonista.
Quando a narrativa se aproxima da disputa pelo título de grande mestre aos 15 anos, a tensão cresce, mas logo se dissipa para abrir espaço aos dilemas de uma adulta esgotada.
O epílogo, marcado pela despedida em 2014, encerra sem prolongamentos.

Pontes com O Gambito da Rainha
A produção sublinha paralelos entre Judit Polgár e Beth Harmon.
Ambas enfrentam ambientes masculinos, transformam vitórias individuais em símbolo nacional e enxergam o xadrez como extensão de identidade.
A rivalidade Polgár–Kasparov ecoa o embate Beth Harmon–Vasily Borgov, reforçando a sensação de que a realidade inspirou o drama ficcional.
Impacto cultural
O documentário sugere que a façanha de Polgár redefiniu o papel das mulheres no esporte.
Esse recorte, aliado ao resgate de uniformes e cenários dos anos 80 e 90, pretende repetir o efeito fashionista de O Gambito da Rainha.
Se vai atrair novos jogadores, só o tempo dirá, mas o filme deixa claro que a meta é ampliar o legado da húngara para além do tabuleiro.
Síntese final
Rainha do Xadrez não busca substituir a minissérie estrelada por Anya Taylor-Joy, e sim complementar seu fascínio.
Na ausência de atores e cenas de suspense roteirizadas, o brilho repousa na vida real de Judit Polgár, exemplo vivo de superação em meio a barreiras de gênero.
Para amantes do esporte, a experiência documental supre lacunas históricas que a ficção não alcança.
Perguntas frequentes
- Rainha do Xadrez é uma série ou um filme?
É um documentário de 93 minutos. - Quem dirige o projeto?
A direção é de Rory Kennedy. - Quando estreia na plataforma?
A data indicada é 6 de fevereiro de 2026. - Judit Polgár participa do filme?
Sim, concede entrevistas e aparece em imagens de arquivo. - O documentário aborda o confronto com Garry Kasparov?
Sim, o duelo contra o ex-campeão mundial é destacado como marco da carreira.
Onde assistir: Netflix.
Formato: filme documental.
