Crítica | Eles Vão Te Matar transforma culto satânico e caos gore em um thriller de ação brutal com Zazie Beetz

Zazie Beetz em Eles Vão Te Matar no thriller brutal de Kirill Sokolov
Eles Vão Te Matar mistura gore, culto satânico e ação brutal com Zazie Beetz no centro da história

Crítica Eles Vão Te Matar, novo filme de Kirill Sokolov, começa como um suspense de ambiente fechado, mas rapidamente revela outra ambição: virar um espetáculo de horror, ação e humor macabro em ritmo de massacre. Estrelado por Zazie Beetz, o longa troca o susto tradicional por uma escalada de violência coreografada, exagero visual e absurdo calculado, construindo uma experiência que parece menos interessada em medo puro e mais focada em impacto, tensão e adrenalina.

A história acompanha Asia Reaves, uma ex-presidiária que aceita um trabalho como faxineira no enigmático edifício The Virgil, em Nova York. O que parecia apenas uma oportunidade de recomeço logo se transforma em armadilha quando ela descobre que o prédio esconde desaparecimentos, rituais e uma comunidade ligada a um culto satânico. A partir daí, Eles Vão Te Matar abandona qualquer discrição e mergulha de vez em um pesadelo de corredores apertados, emboscadas brutais e sobrevivência física.

Kirill Sokolov troca terror tradicional por ação, gore e caos controlado

O maior acerto do filme está na forma como Sokolov entende o espaço e o movimento. Em vez de conduzir a narrativa como uma típica história sobrenatural, ele transforma o prédio em um campo de batalha vertical, quase como se cada andar escondesse um novo nível de perigo. Esse desenho dá ao longa uma energia de videogame e reforça a sensação de progressão violenta, com Asia sendo empurrada de um horror inicial para um confronto cada vez mais físico e delirante.

O diretor investe pesado em gore estilizado, câmera inquieta, desacelerações pontuais e explosões repentinas de brutalidade. Há sangue em abundância, mutilações, humor mórbido e um gosto claro pelo excesso. Ainda assim, o filme funciona melhor quando usa essa violência como linguagem, e não só como choque. Em suas melhores cenas, Eles Vão Te Matar encontra um equilíbrio sedutor entre coreografia, absurdo e agressividade visual.

Esse tom aproxima o longa mais de um híbrido de ação insana com horror cômico do que de um filme de terror puro. A obra até flerta com o sobrenatural e com a iconografia satânica, mas sua força real está menos no medo e mais na energia do confronto, no ritmo das set pieces e na criatividade com que Sokolov encena o corpo em perigo.

Zazie Beetz sustenta o filme e redefine a protagonista do caos

Se o longa funciona, boa parte do mérito está em Zazie Beetz. A atriz segura quase tudo ao redor de Asia com presença física, dureza emocional e carisma suficiente para tornar crível a transformação da personagem em força motriz da história. O roteiro não complica demais sua trajetória, mas Beetz supre essa simplicidade com intensidade e convicção.

Cena de Eles Vão Te Matar no edifício The Virgil durante o confronto com o culto satânico
Eles Vão Te Matar transforma o edifício The Virgil em palco de horror, gore e ação brutal

Asia não é construída como vítima clássica nem como heroína invencível desde a primeira cena. O filme trabalha melhor quando permite que ela descubra o horror aos poucos, apanhando do espaço, da seita e da própria instabilidade da situação antes de reagir. Isso ajuda a tornar sua ascensão menos automática e mais satisfatória dentro da lógica exagerada proposta pelo diretor.

Nesse sentido, Eles Vão Te Matar acerta ao transformar sua protagonista em centro dramático e físico da narrativa. Beetz não está ali apenas para sobreviver ao pesadelo: ela vira o eixo de uma obra que precisa de alguém capaz de atravessar o grotesco sem perder a humanidade.

O filme acerta mais no estilo do que na profundidade

Há, porém, um limite claro para o alcance do longa. Sokolov demonstra imaginação visual, domínio do excesso e gosto por uma violência quase cartunesca, mas o roteiro nem sempre acompanha essa inventividade. Em alguns trechos, o filme parece depender demais da próxima cena chocante, da próxima piada mórbida ou da próxima explosão de sangue para manter o interesse.

Isso faz com que a narrativa oscile entre momentos realmente empolgantes e passagens em que o filme parece girar em torno do próprio impulso estilístico. O universo do edifício, da seita e das relações entre os personagens tem potencial, mas nem sempre ganha densidade suficiente para transformar o caos em algo maior do que um parque de horrores muito bem embalado.

Ainda assim, seria injusto cobrar de Eles Vão Te Matar uma solenidade que ele claramente não deseja ter. O filme quer ser agressivo, debochado, espalhafatoso e físico. Quando aceita essa identidade e corre sem freio, ele convence. Quando tenta sugerir mais camadas do que realmente desenvolve, perde parte da força.

Elenco de apoio reforça o tom bizarro do edifício The Virgil

Além de Beetz, o longa reúne um elenco de apoio que ajuda a consolidar o tom excêntrico do projeto. Patricia Arquette, Heather Graham, Tom Felton, Myha’la e Paterson Joseph compõem a galeria de figuras que orbitam o culto satânico e ampliam a sensação de que o The Virgil opera sob uma lógica própria, distorcida e ameaçadora.

Nem todos recebem o mesmo espaço dramático, mas a presença coletiva funciona para reforçar a ideia de comunidade corrompida, quase ritualística, que cerca Asia por todos os lados. O filme entende que boa parte de seu apelo está nessa combinação entre prédio amaldiçoado, seita performática e violência de espetáculo.

Vale a pena assistir Eles Vão Te Matar?

Sim, especialmente para quem gosta de filmes que misturam terror, ação, gore e humor negro sem preocupação em parecer discretos. Eles Vão Te Matar não é um thriller refinado nem um horror psicológico de combustão lenta. É um longa de impacto imediato, feito para provocar reação, oferecer sequências delirantes e colocar sua protagonista em uma espiral de violência cada vez mais extrema.

O resultado pode dividir parte do público. Quem busca uma trama mais sofisticada ou um comentário social mais consistente talvez saia com a sensação de que o filme promete mais do que entrega. Já quem entra preparado para um festival de brutalidade estilizada, ritmo acelerado e maluquice visual provavelmente encontrará exatamente o que procura.

No fim, Kirill Sokolov entrega um filme que não passa despercebido. Eles Vão Te Matar pode não reinventar totalmente o cruzamento entre horror e ação, mas encontra personalidade suficiente para deixar marca. E com Zazie Beetz no centro do caos, o longa ganha o tipo de presença que impede sua violência de virar apenas ruído.

Veja também:

Ficha técnica de Eles Vão Te Matar

Título original: They Will Kill You
Direção: Kirill Sokolov
Roteiro: Kirill Sokolov e Alex Litvak
Elenco: Zazie Beetz, Patricia Arquette, Heather Graham, Tom Felton, Myha’la e Paterson Joseph
Duração: 94 minutos
Estreia: 27 de março de 2026
País: Estados Unidos

Nota da crítica

4,0/5,0 — Brutal, caótico e visualmente afiado, Eles Vão Te Matar funciona melhor como espetáculo de horror e ação do que como comentário mais profundo, mas encontra em Zazie Beetz e na direção insana de Kirill Sokolov força suficiente para prender até o fim.

Toni Morais
Toni Moraishttps://www.linkedin.com/in/toni-morais/
Toni Morais Ferreira - editor do Gossip Notícias e atua na cobertura de entretenimento, cinema, séries, celebridades e cultura pop. Desde 2021, acompanha lançamentos do streaming, bastidores da televisão e tendências do audiovisual, com foco no público brasileiro.

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