“Sirat”, novo longa de Óliver Laxe, estreou na edição 2025 do Festival de Cannes com um retrato devastador de um pai que atravessa o deserto marroquino em busca da filha desaparecida. Embalado por batidas techno ensurdecedoras, o filme mistura road movie, ficção apocalíptica e laços de família em 115 minutos de pura intensidade.
Busca desesperada sob o som de subwoofers
No centro da trama está Luis (Sergi López), que carrega o filho mais novo, Esteban (Bruno Núñez), por raves clandestinas espalhadas pelo Saara. Enquanto caixas de som fazem a areia vibrar, o pai interroga frequentadores na esperança de encontrar Mar, a filha que sumiu em uma festa anterior.
A jornada ganha novas camadas quando Luis se junta a um grupo de ravers nômades — Tonin, Jade, Bigui, Steff e Josh. Eles avisam sobre a estrada “amaldiçoada” rumo a uma celebração ainda mais isolada, mas o protagonista insiste em seguir adiante.
Deserto, guerra e companheirismo improvável
Laxe utiliza a vastidão do Saara como palco para um mundo à beira do colapso. Notícias de um conflito global surgem apenas em lampejos, por soldados que cruzam a tela ou trechos de rádio. Nesse cenário de incerteza, o diretor aprofunda a relação entre forasteiros que, à primeira vista, pouco teriam em comum.
Conforme o tempo passa, o grupo improvisado cria laços quase familiares. O objetivo inicial — encontrar Mar — fica em suspenso quando a sensação de fim do mundo transforma cada batida techno em um possível adeus. O resultado lembra o equilíbrio entre ternura e caos visto em produções recentes como “Rock Springs”, que também contrapõe violência e afeto em meio a cenários extremos.
Tragédia repentina e ritmo hipnótico
O roteiro reserva uma virada brusca, empurrando a narrativa para a tragédia mais sombria. A mudança funciona porque Laxe estabelece, desde o início, um forte vínculo emocional entre os personagens. A amizade que surge no deserto é tão crível que o impacto do desfecho se torna ainda mais doloroso.
Ao mesmo tempo, o diretor evita sentimentalismo. Ele injeta violência gráfica e cenas de pura insanidade sonora — motores rugindo, pneus cavando a areia, drones de psy-trance que abafam até mesmo diálogos. Para quem acompanha lançamentos de terror corporal como “The Beauty”, a combinação de imagem e som é um convite à imersão total.
Produção e data de estreia
“Sirat” tem produção assinada por Agustín e Pedro Almodóvar, ao lado de Xavier Font e Andrea Queralt. O lançamento comercial está marcado para 6 de fevereiro de 2026.
A recepção em Cannes foi calorosa: a crítica especializada atribuiu nota 9/10, destacando a ousadia visual e o teor apocalíptico que ecoa debates sobre fé e sobrevivência vistos em thrillers urbanos como “Moses the Black”.
Principais pontos de “Sirat”
- Duração: 115 minutos, ritmo intenso do início ao fim.
- Cenário: raves clandestinas no deserto marroquino durante possível guerra mundial.
- Protagonistas: Sergi López (Luis) e Bruno Núñez (Esteban).
- Trilha sonora: techno pulsante que guia a narrativa.
- Estreia comercial: 6/2/2026, após circuito de festivais.
- Recepção em Cannes: elogios à mistura de drama familiar, ação e atmosfera mítica.
Com atmosfera hipnótica e violência sem filtros, “Sirat” consolida Óliver Laxe como um dos nomes mais inventivos do cinema contemporâneo — e deixa o público em contagem regressiva para a chegada aos cinemas no próximo ano.



