A chegada de O Cavaleiro dos Sete Reinos ao universo de Game of Thrones recoloca os Targaryen sob um olhar menos glamouroso. A série se passa cem anos antes dos eventos originais, quando a família ainda ostenta a coroa, mas já não possui dragões para intimidar rivais.
Sem as criaturas, o legado construído à base de fogo e sangue parece mais frágil. O resultado é uma narrativa que questiona, como nunca, a legitimidade desse poder.
Targaryens sem dragões, poder sem escudo
Durante séculos, desafiar os Targaryen equivalia a enfrentar paredes de chamas. Agora, nobres como Raymun Fossoway escancaram desprezo ao chamá-los de “alienígenas incestuosos”. A ausência de dragões reduz o temor e revela ressentimentos guardados desde a Conquista de Aegon I.
Ao ouvir o insulto, Ser Duncan, o protagonista, percebe que o apoio à Casa Real é, muitas vezes, mera aceitação de uma força que já não existe. Quando Steffon Fossoway pergunta “Onde estão os dragões?”, o subtexto é claro: o trono perdeu seu último argumento definitivo.
Rancor antigo contra a Casa do Dragão
Westeros funcionava antes dos Targaryen chegarem. Para muitos, a união dos Sete Reinos foi, na verdade, submissão pela espada. Guerras devastadoras – Dança dos Dragões e rebeliões internas – reforçaram a visão de que o império familiar custa caro ao povo.
- Conquista forçada de Aegon I
- Casamentos consanguíneos mantidos a qualquer preço
- Conflitos dinásticos que sacrificaram milhares
Esses pontos alimentam o discurso antitangaryen que ecoa em O Cavaleiro dos Sete Reinos. Evidencia-se uma aceitação resignada, não admiração genuína.
Como outras séries tratam a dinastia
Game of Thrones apresenta Daenerys como heroína em ascensão, até o colapso final. Já House of the Dragon mostra uma corte dividida, consciente de que a guerra entre dragões pode arruinar o reino. O novo derivado amplia a tensão ao colocar a dinastia num ponto em que a mística se esfarela.
O contraste entre as três produções destaca que o charme dos Targaryen depende do contexto. Quando dragões voam, eles parecem destinados a “salvar” Westeros. Sem fogo, restam erros de governança, corrupção e guerras civis.
Essa leitura sobre responsabilidades de antigos governantes dialoga com discussões históricas vistas em A evolução completa das aparições de Batman em live-action, onde as diferentes fases do herói também revelam mudanças na percepção pública.
Fraqueza que aponta para futuras rebeliões
O declínio retratado na série lança luz sobre o que virá décadas depois: a Rebelião de Robert. Sem criaturas para impor temor, bastaria um estopim político para levar casas rivais à ação.
No roteiro, o passado turbulento de Aegon IV e a tirania de Aerys II servem como exemplos de governantes incapazes de manter alianças. Com reinos menos intimidados, a ideia de depor a linhagem deixa de ser impossível.
Possível “missão maior” e seu fim simbólico
Alguns personagens ainda acreditam que os Targaryen tinham propósito quase messiânico: usar dragões contra os Caminhantes Brancos. Contudo, quando a linha termina com Daenerys, Westeros segue outro rumo e fecha o ciclo de domínio.
Essa perspectiva reforça o tom crepuscular de O Cavaleiro dos Sete Reinos. A história indica que mesmo dinastias “predestinadas” se tornam dispensáveis sem capital político ou militar.
“Onde estão seus dragões?” resume a nova equação de poder: sem armas míticas, nenhuma família está acima de críticas.
Por que a pré-série “Bloodmoon” faz falta
A trama mostra como Westeros possui camadas anteriores à chegada de Valíria. Nesse sentido, o cancelamento de Bloodmoon – que exploraria a Era dos Heróis – impede o público de entender regimes antes da conquista.
O vazio histórico reforça a importância de derivados que aprofundem épocas distintas, como visto no lançamento de trailers de terror em Algo Horrível Vai Acontecer, outro exemplo de franquia que expande seu universo.
Onde assistir e formato
Onde assistir: não informado.
Formato: série.
Perguntas frequentes
- Quando se passa O Cavaleiro dos Sete Reinos?
Um século antes dos eventos de Game of Thrones. - Por que os Targaryen são chamados de “alienígenas” na série?
O termo reflete ressentimento pela conquista de Westeros e por seus casamentos consanguíneos. - A dinastia já não tem dragões nessa época?
Não. Todas as criaturas morreram, reduzindo o poder militar da família. - O enredo antecipa a Rebelião de Robert?
Indiretamente, pois mostra a perda de autoridade que facilitaria revoltas futuras. - Bloodmoon ainda pode ser produzido?
Até o momento, o projeto segue cancelado e sem previsão de retomada.

