A Acusada (título original: Accused), o novo original da Netflix lançado hoje, 27 de fevereiro de 2026, chega como uma das produções indianas mais ousadas do ano. Dirigido por Anubhuti Kashyap e estrelado por Konkona Sen Sharma e Pratibha Ranta, o filme inverte a narrativa tradicional do movimento #MeToo ao colocar uma mulher queer poderosa no centro de acusações graves de má conduta sexual. O resultado é um drama psicológico tenso, cheio de ambiguidades, que prefere deixar o espectador desconfortável a oferecer respostas fáceis.

Sinopse Oficial (Sem Spoilers)
Ambientado em Londres, o filme acompanha a Dra. Geetika Sen (Konkona Sen Sharma), uma ginecologista queer celebrada e respeitada, cuja vida profissional e pessoal desmorona após denúncias anônimas de assédio sexual no hospital onde trabalha. Enquanto Geetika luta para preservar sua reputação, sua esposa Meera (Pratibha Ranta) inicia uma busca privada pela verdade, testando os limites do amor, da confiança e da lealdade.
O enredo, escrito por Sima Agarwal e Yash Keswani, explora como uma única mensagem digital pode destruir anos de credibilidade. Com duração de 1h47min e classificação TV-MA, o filme mistura drama, suspense psicológico e elementos de mistério, falado em hindi e inglês para refletir a multiculturalidade da diáspora indiana na capital britânica.
Elenco e Performances que Sustentam o Filme
Konkona Sen Sharma entrega uma das melhores atuações de sua carreira como Geetika. A atriz captura perfeitamente a arrogância de uma profissional de sucesso que adota traços patriarcais para sobreviver em um ambiente competitivo, misturando hubris com vulnerabilidade crescente. Em entrevistas, Konkona destacou a complexidade da personagem: “Geetika não é fácil de gostar, e isso é o que a torna real”.
Pratibha Ranta, conhecida por Laapataa Ladies, brilha como Meera, trazendo emoção crua e dúvida genuína. A química entre as duas é o coração do filme, ancorando temas de relacionamento queer de forma natural e sem sensacionalismo.
O elenco de apoio inclui Mashhoor Amrohi, Sukant Goel, Monica Mahendru e outros, adicionando camadas ao ambiente hospitalar e às dinâmicas de poder.
Direção de Anubhuti Kashyap: Elegante e Contida
Anubhuti Kashyap, irmã de Anurag Kashyap, faz uma estreia impressionante em longas com um estilo lento e intimista. Ela escolheu Londres deliberadamente para normalizar o relacionamento queer sem o peso de leis indianas restritivas. A direção prioriza silêncios, close-ups e a frieza arquitetônica da cidade como metáfora para o isolamento emocional.
Produzido pela Dharmatic Entertainment de Karan Johar, o filme evita melodrama e twists baratos, focando na tensão psicológica e no impacto do julgamento público.
Temas Profundos: Poder, Percepção e o Pós #MeToo
A Acusada questiona: e se o acusado fosse uma mulher? E se fosse queer? O filme explora dinâmicas de poder no trabalho, machismo internalizado, viés de gênero e o papel devastador das redes sociais no “cancelamento” online. Ele não vilaniza nem absolve; provoca reflexão sobre ambiguidades morais e como a percepção pode superar fatos.
A representação queer é tratada com naturalidade – o casamento é apenas parte da vida dos personagens, não o foco central. Isso representa uma evolução importante no cinema indiano.
Recomendado para fãs de Promising Young Woman, The Assistant e séries como The Morning Show. Se você gosta de narrativas que desafiam preconceitos e ficam na mente por dias, assista.
Onde Assistir e Trailer Oficial
Exclusivo na Netflix desde 27 de fevereiro de 2026.

A Acusada não é entretenimento escapista; é um espelho incômodo para questões contemporâneas de poder, gênero e justiça social. As críticas iniciais elogiam as atuações e a nuance (The Hindu chama de “perceptivo”), mas alguns apontam o final aberto como frustrante. De qualquer forma, é um filme que gera debate – e isso é exatamente o que o torna essencial.
Já assistiu? O que achou da abordagem queer e do tema #MeToo? Deixe seu comentário abaixo!