Caminhos do Crime chega aos cinemas em 2026 defendendo uma ideia quase subversiva para os blockbusters atuais: cozinhar a tensão lentamente e confiar na paciência do público.
O filme adapta o conto de Don Winslow, coloca Chris Hemsworth e Mark Ruffalo em lados opostos da lei e resgata o charme dos suspenses processuais dos anos 1970.
Atuação
Hemsworth desconstrói o herói confiante que costuma interpretar.
Seu Mike Davis é um ladrão brilhante, porém socialmente paralisado, que evita contato visual e relaxa apenas quando planeja roubos ao longo da rodovia 101.
Ruffalo faz o detetive Lou Lubesnick, um policial desleixado que compensa a apatia institucional com faro investigativo intacto.
A oposição entre o ladrão meticuloso e o investigador cansado sustenta o jogo de gato e rato sem precisar de discursos explicativos.
Halle Berry brilha como Sharon, corretora de seguros milionária que, ao cruzar o caminho de Mike, passa a questionar o próprio conceito de sucesso.
Barry Keoghan adiciona ameaça genuína ao assumir o golpe que Mike recusa, reforçando a sensação de que algo explosivo se aproxima.
Roteiro
Bart Layton e Peter Straughan traduzem o texto de Winslow em cenas que avançam como peças de xadrez.
O roteiro enfatiza procedimentos, códigos éticos e pequenos deslizes, lembrando como visto em outras narrativas que prezam pelos detalhes.
A crítica embutida ao culto do dinheiro atravessa todos os arcos: seja no ladrão que não consegue viver, seja no policial engolido pela burocracia.
Quando o texto tenta vender o romance entre Mike e Maya, a trama perde ritmo, pois o protagonista permanece deliberadamente opaco.
Direção
Layton confirma o talento exibido em O Impostor ao filmar processos com precisão quase documental.
A câmera observa cofres, joias e cigarros queimando, transformando gestos cotidianos em prenúncio de perigo.
Ao referenciar clássicos de Los Angeles sem virar fetiche, o diretor atualiza o cenário para um momento de desigualdade gritante.
O resultado ecoa a segurança formal apontada na recente adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, mostrando que estilo e comentário social podem caminhar juntos.
Ritmo
Com 140 minutos, Caminhos do Crime aposta em cortes longos, silêncios e ruas vazias.
O público sente o tempo passar, mas não há pressa: cada demora carrega tensão que só explode perto do fim.
Essa cadência contrasta com a montagem acelerada típica dos filmes de super-herói estrelados pelo próprio elenco.
Em alguns momentos, principalmente nas cenas de romance, o compasso hesita e ameaça quebrar a imersão.
Veredicto
Nem todos os temas se encaixam com perfeição, mas a recusa em seguir fórmulas torna o longa uma lufada de ar fresco.
Ao preferir minúcias a explosões, Layton ensina que a verdadeira tensão nasce da espera e da observação.
Para quem sentia falta de um thriller criminal que confia na inteligência do espectador, Caminhos do Crime vale o ingresso.
Serviço
- Onde assistir: salas de cinema a partir de 13 de fevereiro de 2026
- Formato: filme
- Duração: 140 minutos
- Classificação indicativa: R (EUA)
Perguntas frequentes
- Caminhos do Crime é baseado em quê?
O longa adapta o conto de mesmo nome escrito por Don Winslow. - Quem dirige o filme?
A direção é de Bart Layton, conhecido pelo documentário O Impostor. - Qual o papel de Chris Hemsworth?
Ele interpreta Mike Davis, ladrão especialista em joias que age próximo à rodovia 101. - Mark Ruffalo faz herói ou vilão?
Ruffalo vive o detetive Lou Lubesnick, policial que tenta provar a autoria dos roubos. - O ritmo é acelerado?
Não; o filme aposta em desenvolvimento lento e tensão crescente.

