
No episódio derradeiro de Filhos do Chumbo, a médica Jolanta lidera um levante de mães contra a fábrica metalúrgica responsável pela contaminação por chumbo no bairro de Targowisko, em Szopienice. A pressão feminina, a reação violenta da milícia e a chegada brusca do parto de Jolanta costuram um desfecho que mistura vitória popular, manobras políticas e silenciosa tentativa de apagar a principal responsável pela mobilização.
O que acontece na cena final de Filhos do Chumbo
Depois de dias de piquete em frente aos portões da fundição, a diretoria cede: todas as famílias receberão apartamentos longe da área tóxica. Enquanto os documentos são preparados, Jolanta entra em trabalho de parto e é levada às pressas ao hospital. O bebê nasce com saúde, contrastando com as inúmeras crianças envenenadas que ela tratou desde 1974. Paralelamente, vemos o político Grudzien capitalizar o acordo e afastar o agente de segurança Niedziela, responsabilizando-o pela repressão.
O significado da última cena
O nascimento representa uma nova etapa para a comunidade e simboliza a persistência das mães de Targowisko. O roteiro faz um paralelo direto entre a vida que chega e a sobrevida garantida às famílias que, finalmente, deixam a “zona morta” ao lado da chaminé. É também uma ironia: o Estado que tentou silenciar Jolanta passa a comemorar a “conquista social” como se fosse iniciativa própria, repetindo o ciclo de apropriação política de lutas populares.
Quem morre ou sobrevive
Ninguém morre no episódio final, mas várias perdas infantis ao longo da série pairam sobre cada diálogo. Grudzien mantém o cargo por ora, enquanto Niedziela é rebaixado para trabalhar dentro da própria fábrica que defendia. As mães sobrevivem ao ataque de gás lacrimogêneo e transformam o medo em força coletiva. A longa exposição dos riscos, discutida por Jolanta em sua tese médica, permanece viva apenas nos relatos orais.
O que muda no desfecho
A principal mudança é geográfica: as famílias deixam Targowisko, interrompendo a intoxicação diária. Politicamente, Grudzien garante promoção momentânea, mas o texto final informa que ele morreria de infarto em 1981, já expulso do partido. Jolanta, porém, é transferida, tem a tese rejeitada e some do noticiário por décadas. Só em 2021 recebe doutorado honorário pela Universidade da Silésia, reconhecimento póstumo a sua luta, tal como ocorre com outros casos de ativismo ambiental retratados em produções como State of Fear.
O episódio evidencia ainda como rumores são usados para dividir movimentos sociais. Niedziela oferece flats apenas a parte dos funcionários, espalha boato de que Jolanta ganharia imóvel de luxo e tenta colocar maridos contra esposas. A estratégia falha quando a polícia lança gás nas manifestantes; os operários percebem a manipulação e se unem às mulheres. Esse ponto dialoga com críticas similares vistas em filmes analisados na cobertura recente de cinema independente.
Mesmo derrotada na academia, Jolanta concretiza o objetivo prático: salvar quem restou. Seu isolamento posterior demonstra como regimes autoritários anulam vozes dissidentes, oferecendo pequenas vitórias institucionais – um novo ambulatório para a professora Berger, por exemplo – em troca de silêncio. A série conclui que a mudança estrutural acontece nas ruas, não nas salas onde relatórios são arquivados.
O balanço final combina esperança e alerta. A vitória parcial de Jolanta expõe a eficiência da mobilização materna, mas o custo humano foi alto e o reconhecimento, tardio. A produção provoca a audiência a questionar se, diante de crises ambientais atuais, haveria coragem semelhante ou prevaleceria a apatia denunciada pelo roteiro.
Onde assistir: Filhos do Chumbo está disponível na Netflix; formato minissérie.
Perguntas frequentes
- Jolanta consegue publicar sua tese? Não, o trabalho é rejeitado pela banca e nunca mais reapresentado.
- As famílias realmente se mudam? Sim, após o protesto, todas recebem apartamentos fora da área contaminada.
- Há continuação prevista para a série? Até o momento, não informado.